quinta-feira, 2 de junho de 2016

PSICOLOGIA GERAL

A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA
Ciência e Senso Comum
Antes de iniciamos o estudo da psicologia, mostra-se importante apresentarmos de forma breve uma visão básica sobre ciência, para que possamos compreender a Psicologia como ramo científico.
Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenómeno qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiencias que acumulamos em nossa vida quotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e artigos diversos.
Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar e transformar o conhecimento, somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento; somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e com ele registar nossas próprias experiências e passar para outros seres humanos. Essas características são o que nos permite dizer que somos diferentes dos gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais considerados irracionais, precisamente porque não tem a capacidade pensante, que caracteriza o homem.
Existe diferentes tipos de conhecimentos:
O Senso Comum: Conhecimento da realidade
Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida por excelência: é a vida, quotidiano. É no quotidiano que tudo flui, que as coisas acontecem, que nos sentimos vivos, que sentimos a realidade.
Quando fazemos da ciência baseamo-nos na realidade quotidiano e pensamos sobre ele. O conhecimento do quotidiano (Senso Comum) e o Conhecimento Científico aproximam-se e afastam-se contemporaneamente. Aproximam-se enquanto a ciência se refere á realidade e afastam-se enquanto a ciência abstrai a realidade para compreender melhor, isto é transforma a realidade em objecto de investigação permitindo a construção do conhecimento sobre o real.
Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros, a nossa vida quotidiano não teria o devido sentido, de vida.
A esta experiencia acumulada no quotidiano chamamos de senso comum, ou seja, é o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros que facilitam a nossa vida no dia-a- dia. Essa experiência torna-se hábito e passa de geração em geração e assim o senso comum vai construindo suas “teorias” médicas, físicas, psicológicas (poder de persuasão de um vendedor, um amigo que escuta bem, etc.)
A ciência
Com as explicações mágicas, baseadas no Senso Comum, não bastavam para compreender os fenómenos, os seres humanos evoluíram para busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência, metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.
O ser humano é único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de reflectir sobre o significado de suas próprias experiencia. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a seus descendentes.
O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência.
Ciência: do latim “scire” que significa conhecimento, pode ser definida como conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade (objecto de estudo) expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa.
Características da Ciência
Ø  A ciência é racional, sistemática e verificável da realidade. Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica.
Ø  A ciência é um processo, facto que um novo conhecimento é produzido sempre de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se, reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança;
Ø  A ciência deve verificar objectividade, suas conclusões, devem ser passíveis de verificação e isentas de emoções, para tornarem-se validas para todos.
Ø  A ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa, técnica; possui métodos e técnicas especificam.
O processo cumulativo de conhecimento, objectividade faz da ciência uma forma de conhecimento que supera em muito o senso comum, características que permitem que denominemos científico a um conjunto de conhecimentos.
Não existe um divisor nítido entre o conhecimento empírico e científico, visto que a pesquisa científica não se realiza no “vácuo intelectual”, mas sempre está mergulhada em um contexto – o conhecimento nasce, em última instância de problemas observados e acontecimentos encontrados na experiencia humana.
CONCEITO DE PSICOLOGIA
O termo Psicologia é de origem greco-latino, e etimologicamente pode traduzir-se no seguinte: psiché = alma, lógia = logo; estudo ou ciência. Assim, a palavra psicologia significa estudo da alma ou ciência da alma, ciência que estuda as ideias, sentimentos, e determinação cujo, o conjunto constitui o espírito humano.
Esta definição permaneceu até aos meados do século XIX devido ao seu desenvolvimento condicionado com a Filosofia.
Como ciência autónoma com objecto de estudo e métodos próprios de investigação, ela é definida como ciência que estuda o comportamento do homem e dos outros animais.
A psicologia supõe-se a outras ciências sociais, especialmente a sociologia, mas enquanto a sociologia concentra-se sua atenção nos grupos, processos grupais e forças sociais os psicólogos sociais concentram-se nas influências que os grupos e a sociedade exercem sobre os indivíduos. A ênfase da psicologia está no ser humano a diferença dos fisiólogos (biólogos) que se concentram no sistema nervoso, cérebro, memoria, atenção, movimento, fome, impacto das drogas.


Actualmente a psicologia é definida como ciência que se concentra no comportamento e nos processos mentais – de todos os animais.
Ciência: enquanto ciência oferece procedimentos disciplinados e racionais para condução de investigações validas e a construção de um grupo de informações coerentes e coesas.
Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais fazem: conduta, emoção, formas de comunicação, processos de desenvolvimento.
Processos mentais: incluem formas de cognição ou formas de conhecimento, de entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar ou resolver problemas, sonhar, fantasiar, desejar são também processos mentais.
Assim, o objecto de estudo da psicologia é o comportamento e processos mentais dos seres vivos especificamente homens e animais, isto é, a psicologia estuda respostas ou conjuntos de respostas observáveis de um individuo ou de um grupo, a uma situação ou estimulo.
Importância da Psicologia
Por ser uma vasta ciência multiprespectiva a se aplicar em todas as áreas da vida humana, tais como no ensino, na saúde, na família, no comércio, no desporto, etc. a psicologia possui uma vasta importância.
Ø  No ensino permite ao professor conhecer as particularidades individuais dos alunos para melhor planificar e administrar as aulas, identificar e resolver os problemas de processo de ensino de aprendizagem.
Ø  Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma melhor comunicação com o paciente e vice-versa.
Ø  Para os governantes a psicologia permite uma óptima comunicação com as massas
Ø  Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a natureza de diferenciação dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus problemas do dia-a-dia, conhecer a forma de agir de cada um, as tendências comportamentais, as atitudes, as motivações dos outros Homens. 
Objecto de estudo da Psicologia
O Objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência é a realidade ou aspectos da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou explicar.
Para compreender o objecto de estudo da psicologia é preciso compreender a diversidade de objectos definidos por várias correntes psicológicas.
A diversidade dos objectos de estudo da Psicologia
Behaviorismo ou comportamentalismo: segundo estes teóricos o objecto de estudo da psicologia é o comportamento;
Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o inconsciente;
Outros psicólogos: objecto de estudo da psicologia é a consciência ou ainda a personalidade humana.
RAZÕES DA DIFICULDADE DE DEFINIÇÃO DO OBJECTO        
Ø  Por ser uma área de conhecimento científico que se constitui recentemente não obstante a sua existência dentro da filosofia como preocupação humana.
Ø  Outro motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da psicologia é o facto do cientista – pesquisador confundir-se com objecto a ser pesquisado a concepção do Homem “ contamina” inevitavelmente a sua pesquisa.
Ø  Em terceiro lugar esta dificuldade justifica-se pelo facto dos fenómenos psicológicos ser tão diversos, que não podem ser acessíveis ao mesmo nível de observação, não podem ser sujeitos aos mesmos padrões de descrição, medida, controle e interpretação.
A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia
Considerando toda esta dificuldade na definição única do objecto da psicologia, podemos considerar como a subjectividade.
A identidade da psicologia é o que diferencia dos demais ramos das ciências humanas, e pode ser obtida considerando que cada um desses ramos enfoca o Homem de maneira particular, construindo conhecimentos distintos e específicos a respeito dela. A psicologia colabora com o estudo da subjectividade: é essa a sua forma particular, especifica de contribuição para a compreensão da totalidade da vida humana.
A subjectividade é a síntese singular e individual que cada um de nos vai construindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiencias da vida social e cultural. É a síntese que nos identifica por ser única e nos iguala na medida em que os conhecimentos que constituem são experienciados no campo comum da objectividade social. É o mundo de ideias, significados, emoções, construindo inteiramente pelo sujeito a partir das suas relações sociais, suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das manifestações afectivas. A subjectividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar, e de fazer de cada um. É o nosso modo de ser.
Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se do material do mundo social e cultural.
A subjectividade em psicologia é vista em dois níveis: subjectividade social e individual. A subjectividade individual representa o espaço pessoal dos sentidos que se atribui ao mundo real (valor, cultura, experiencia, ideias) e a subjectividade social é comparável com o sentido que a sociedade ao mundo real.
ESTRUTURA E TAREFAS DA PSICOLOGIA
- Métodos da Psicologia
Estrutura e tarefas da psicologia
Psicologia Industrial: estuda a estruturação do trabalho, a conduta dos trabalhadores, a selecção dos trabalhadores, o incremento da produção e da produtividade, a avaliação dos funcionários e as greves dos trabalhadores.
Psicologia Pedagógica: estuda a problemática psicológica no quadro escolar. Tenta compreender os problemas de adaptação, as relações e de aprendizagem.
Psicologia Clínica: dedica-se a prevenção e terapia e dos desajustamentos de conduta qualquer que seja o seu grau de gravidades.
Psicologia Social: estuda a conduta humana na perspectiva de grupos de colectividades. Investiga o processo de interacção entre os membros do grupo e as influenciais grupais sobre a dinâmica dos indivíduos.
Psicologia Jurídica: analisa as questões psicológicas relacionadas com a realização do sistema do direito.
Psicologia Militar: estuda a conduta do Homem no campo de combate, de aspectos psicológicos das relações entre os chefes e os subalternos, os problemas psicológicos de uso de material de guerra.
Psicologia Experimental: estuda os princípios psicológicos básicos (sensação, percepção, atenção, motivação, memoria, pensamento e emoções) em situação laboratorial visando a solução de problemas práticos de dia a dia da humanidade.
Psicologia do Desporto: analisa as particularidades psicológicas do indivíduo e da actividade. Dos desportistas, as condições e os métodos da sua preparação psicológica, os parâmetros psicológicos de preparação e da capacidade do desportista e os factores psicológicos relacionados com a organização de competições.
MÉTODO DA PSICOLOGIA
Método na perspectiva psicológica é o caminho ou via utilizada para esclarecer as manifestações ou causas de um comportamento, de manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba todos aqueles que frequentemente são usados pelos psicólogos como:
·         Introspecção ou método introspectivo
É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus estados psíquicos. Supõe um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo observador e observado. O sujeito é o próprio objecto.
·         Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)
Consiste na observação, descrição e explicação dos comportamentos dos outros. Portanto, as manifestações exteriores do sujeito, são devidamente anotadas e observadas por um observador.
·         A Observação (Método de Observação)
A observação como método em psicologia consiste na percepção directa ou indirecta, atenciosa, racional, planificada e sistemática, das manifestações do comportamento nas suas condições naturais, com objectivo de dar uma explicação.
·         A experimentação (Método Experimental)
É a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno a estudar e controla os possíveis factores e condições que podem incidir na sua produção e desenvolvimento com o objectivo de conhecer a natureza interna do processo psíquico e desta forma descobrir as leis objectivas que explicam.
A experimentação como método em psicologia usa-se geralmente em estudo de caso ao nível animal porque é difícil manipular o comportamento humano, por razões morais, éticas até, mesmo razões ligadas à saúde.
·         Método analítico ou psicanalítico
É método interpretativo que busca o significado oculto, isto é, que torna claro o significado daquilo que é manifestado por meio das palavras e acções.
·         Teste psicológico
Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas, que tem como objectivo avaliação e comparação de sujeitos quanto a qualidade da personalidade, habilidades, nível de desenvolvimento intelectual, efectuando-se esta comparação sobre a base de normas estabelecidas previamente.
Existem testes psicológicos para medir tantos aspectos cognitivos como aspectos afectivos da personalidade.
Os testes psicológicos não consistem em obter dados que serão necessários para o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mais sim em estabelecer as qualidades psicológicas da pessoa submetida experiencia para se analisar se corresponde ou as normas ou padrões revelados anteriormente.
Este grupo de teste é utilizado para revelar a existência ou a ausência de certas capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de precisão certas qualidades do individuo para exercer certa profissão, etc., podem ser teste de inteligência, de capacidade, de aptidões, de personalidade.


RELAÇÃO DA PSICOLOGIA COM OUTRAS CIÊNCIAS
Relação da Psicologia com outras Ciências
A filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a Biologia, entre as ciências que contribuem para a compreensão do comportamento humano, em particular. Vejamos a possível relação que estabelece:
Filosofia: a correlação que existe entre o corpo e a alma, na filosofia vai permitir de modo que a psicologia especule e forneça hipóteses empiricamente testadas. Neste sentido, pode-se afirmar que a filosofia forneceu à psicologia os primeiros quadros conceptuais.
Antropologia: interessa-se pelas formas culturais dos povos. Estes dados são importantes porque dão ao psicólogo a consciência da relatividade cultural dos valores, dos motivos, das aspirações dos indivíduos, o que obriga a ter presente a influência da cultura no comportamento do indivíduo.
Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a estrutura dos grupos e o seu funcionamento. Estuda, também, o comportamento humano na perspectiva dos grupos.
História: permite nos conhecer o desenvolvimento do Homem através dos tempos e compreender a partir dessa evolução as características actuais das várias realidades sociais que influenciam no comportamento do indivíduo.
Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do sistema Nervoso, as glândulas secretoras e seu funcionamento. O sistema nervoso capta estímulos, os organiza e emite respostas ou actos de conduta, e a secreção de hormonas permite que o sistema Nervoso fique estimulado numa determinada direcção.
Um dos principais ramos da biologia que se relaciona com a Psicologia é a genética. A genética estuda os processos hereditários subjacentes ao comportamento.




EVOLUÇAO DA CIENCIA PSICOLOGICA
Os grandes períodos da Evolução da Psicologia
Pode-se considerar três grandes períodos/ fases da evolução da Psicologia
Fase Filosófica: é a fase relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da natureza dos reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de carácter racional. Os filósofos explicavam os fenómenos da natureza (formação de cosmos e de origem do próprio homem) de forma mitológica. O saber psicológico estava em volta a vasta área do conhecimento filosófico, portanto, classificado como especulativo, por não poder provar suas conclusões.
Fase Pré-científica: dedicava-se ao estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com base na experiencia do dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que se abre o caminho para a cientificidade da psicologia. A interpretação e consequente conhecimento dos fenómenos psíquicos eram fundamentados em parte pelo saber filosóficos, influenciados pela experiência quotidiana (social e reflexão sistemática) dos cientistazita.
Fase Científica:
Contribui de forma marcante para a cientificação da Psicologia a institucionalização, pelo psicofisiologista Alemão wilhemWundt, em 1879, de um laboratório de Psicologia, na cidade alemã de Leipzig. O laboratório permitiu o desenvolvimento de métodos de estudo próprios, a reverificação do objecto de estudo, e consequente afirmação de seu conceito como ciência que estuda os fenómenos psíquicos, ou simplesmente, estudo do comportamento.
O PENSAMENTO PSICOLÓGICO ANTES E DEPOIS D SÉCULO XVIII
Psicologia e História
Para compreender a Psicologia é necessário compreender a sua história, essa história que está ligada a cada momento histórico, às exigências do conhecimento da humanidade, as demais áreas de conhecimento humano e aos novos desafios colocados pela realidade económica e social e pela insaciável necessidade do Homem de compreender a si mesmo.

A PSICOLOGIA ENTRE OS GREGOS
É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma psicologia. De facto, os avanços permitem que os cidadãos se ocupem de coisas do espírito, com a filosofia e a arte – homens como, Sócrates, Platão e Aristóteles dedicavam-se a compreender esses espírito empreendedor do conquistador grego, ou seja, a filosofia começou a especular o Homem e a sua interioridade. O próprio termo Psiché = alma e logos (razão), portanto etimologicamente psicologia significam estudo da alma.
Sócrates (496-399 a.C.): com ele a psicologia na antiguidade ganha consciência. Segundo Sócrates o que distingue o Homem do animal é a Razão porque permite ao Homem de sobrepor-se aos instintos, que seriam a base da irracionalidade definido a razão como essência e peculiaridade do homem, Sócrates abre um caminho que será explorado pela Psicologia: fruto desta reflexão são por exemplo, as teorias da consciência que de certa forma são resultado desta sistematização na filosofia.
Platão (427-347 a.C.): discípulo de Sócrates, procura o «lugar» para a razão no nosso corpo (cabeça), onde se encontra a alma do Homem. A medula será o elemento de ligação da alma com o corpo, este elemento era necessário porque concebia a alma separa do corpo (dualismo). Quando alguém morria a matéria (corpo) desaparecia, mais a alma ficava livre para ocupar outro corpo (reincarnação).
Aristóteles (384 -322 aC): discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história da filosofia, superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo (inovação). Para ele a psyché era o princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo que cresce, se reproduz e alimenta possui a sua psyché ou alma (vegetação, animais, Homem)
·         Alma vegetativa-vegetais: função reprodutiva e alimentar
·         Alma sensitiva-animais: função de percepção e movimento
·         Vegetativa, sensitiva e racional função pensante
Aristóteles estuda as diferenças entre a razão, percepção e sensações, estudo sistematizado no “Da Anima” o qual pode ser considerado o primeiro tratado de Psicologia.
Portanto, 2300 anos antes da Psicologia científica, os gregos já haviam formulado duas “teorias” platónica – que postulava a imortalidade da alma e a da do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a mortalidade da alma e a sua relação de pertencimento ao corpo.
A psicologia no Império Romano
O império Romano nasce às vésperas da era cristã, domina parte da Grécia, Europa e do Oriente Médio. Característica deste período é o advento do cristianismo, força religiosa que passava á força política dominante que não obstante as invasões bárbaras de 400 d.C. que levavam á degradação territorial e económica, o cristianismo sobrevive e até se fortalece, tornando-se a religião principal da idade Media, período que então se iniciara.
Falar da Psicologia neste período é relacionada ao conhecimento religioso, o qual dominando o poder económico e político monopolizava também o saber e, consequentemente o estudo do psiquismo.
Santo Agostinho (354-430d.C): inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele e que a alma, não é somente a sede da razão mas também a prova de uma manifestação divina no Homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o Homem à Deus e sendo a alma também a sede do pensamento a igreja passa a se preocupar também com a sua compreensão.
São Tomas de Aquino (1225- 1274): vive num período que preanuncia a roptura da igreja católica, o advento do protestantismo, época que prepara a transição para o capitalismo, com a revolução francesa e a revolução industrial da Inglaterra. Perante essa crise social e económica a igreja devia encontrar novas justificações em relação ao conhecimento com a relação com Deus e o Homem. São Tomas de Aquino foi buscar em Aristóteles a distinção entre, a essência afirma que somente Deus seria capaz de reunira essência e existência como Aristóteles, ele considera que o Homem, na sua essência busca a perfeição através da sua existência mas introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a existência, em termos de igualdade. Portanto, busca da perfeição do Homem seria a busca de Deus.




A PSICOLOGIA DO RENASCIMENTO
Mais ou menos 1200 anos depois da morte de S. Tomas inicia uma época de transformações radicais no mundo europeu: renascimento ou renascença o mercantilismo, e a descoberta de novas terras (América, Índia, Rota Pacifica) propicia a acumulação das riquezas para a França, Itália, Inglaterra, França, Espanha. Na transição para o capitalismo emerge nova forma de organização social e económicas, dá-se também um processo de valorização do Homem.
Alguns, marcos que definiram o avanço da ciência
·         1543 – Copérnico mostra que o nosso planeta não é o centro do universo
·         Galileu estuda a queda dos corpos, realizando as primeiras experiencias da física moderna, avanço que principia o início da sistematização do conhecimento científico; começam a estabelecer-se métodos e regras básicas para a construção de conhecimento
René Descartes (1596-1659): um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a separação entre a mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem possui uma substância material e uma substância pensante e que o corpo, desprovido do espírito era somente uma maquina-dualismo corpo e mente que toma possível o estudo do corpo humano morto, o que era impossível nos séculos anteriores (corpo era considerado sagrado pela igreja, por ser a sede da alma) e dessa forma possibilita ao avanço da anatomia e da fisiologia que iria contribuir muito para o progresso da Psicologia.
ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA
A Psicologia Científica
No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário devido ao crescimento na ordem económica CAPITALISMO que traz a Industrialização. A ciência dá novas respostas e solução prática no campo e técnica. Para melhor compreensão, analisamos as características da sociedade, algumas fases do desenvolvimento influenciadas pela política social e económica.

Período Feudal:
1.      Produção de subsistência;
2.      Relação Senhor Feuda-servo
3.      Sociedade estável
4.      Papéis escritos
5.      Hierarquia – base de verdade: centralização do poder.
Período capitalista:
Põe o mundo em movimento com necessidade de abastecer os mercados e produzir mais. Algumas características desta fase:
·         Buscou nova matéria-prima na natureza
·         Criou novas necessidades, questiona as hierarquias para derrubar a nobreza e o clero dos seus lugares há séculos estabelecidos.
·         O universo também foi posto em movimento, o sol tornou-se o centro do universo, que passou a ser visto sem hierarquização
·         Superou-se o antropocentrismo (o Homem centro do universo), passando a ser visto um ser livre, capaz de construir o futuro;
·         O servo liberto do seu vínculo com a terra pode escolher seu trabalho e seu lugar social;
·         O capitalismo toma todos os Homens consumidores, em potências das mercadorias produzidas;
·         O conhecimento tornou-se livre, independente da fé, os dogmas da igreja foram questionados e a racionalidade do Homem apareceu como grande possibilidade de construção do conhecimento.
A Burguesia
O capitalismo traz como consequência a formação de uma nova classe, a burguesia, com as seguintes características:
·         Disputa do poder e surge como nova classe social e económica;
·         Defende a emancipação do Homem para emancipar-se também;
·         Era preciso quebrar a ideia do universo estável para poder transformá-lo, era preciso questionar a natureza para viabilizar a sua exploração em busca de matérias-primas, condições materiais para o desenvolvimento da ciência moderna: conhecimento como fruto da razão.
Consequências
A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais aprofundados, que exigiam algum tipo de suporte financeiro fez com que surgissem novos contornos nas diversas áreas de saber: são exemplos disso:
Surge Charles DARWIN- enterra o antropocentrismo com sua tese evolucionista (teoria da evolução das espécie - selecção natural)
HEGEL- sublinha a importância da história para a compreensão humana a ciência; a própria filosofia adapta-se aos tempos.
Augusto CONTE- com o seu positivismo, postula a necessidade de maior rigor científico na construção dos conhecimentos nas ciências humanas, desse modo propunha o método das ciências naturais: física com modelo de construção do conhecimento.
Na metade do século XIX temas e problemas até então estudado pelos filósofos passam a ser estudados pela fisiologia, neurofisiologia em particular formulação de teorias sobre o SNC, demonstrando que o pensamento, as percepções e os sentimentos humanos eram produtos deste sistema.
O Capitalismo trouxe uma máquina – criação fantástica que determinou a forma de ver o mundo (o mundo visto como uma maquina), o mundo como um relógio, todo o universo como se fosse uma máquina, isto é, que podemos conhecer o seu funcionamento, a sua regularidade, as suas leis, uma forma de pensar que atingiu as ciências humanas, facto que, para se conhecer o psiquismo humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e funcionamento da máquina de pensar do Homem: O CEREBRO.
Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da fisiologia, da neurotomia e da neurofisiologia.
Resultado disso, 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da acção directa ou indirecta de diversos factores sobre as células cerebrais; Neurotomia descobre que actividade motora nem sempre está ligada à consciência para não estar necessariamente na dependência dos centros cerebrais superiores, ex.: quando alguém queima a mão na chapa quente, primeiro tira a mão para depois perceber o que aconteceu, fenómeno denominado REFLEXO, e o estímulo que chega a medula espinal, antes de chegar aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para a resposta, que tirar a mão: caminho natural dos fisiologistas, estudo da fisiologia do olho e a percepção das cores – Fenómenos psicológicos. Foram importantes os estudos do psicofisiologista Russo Ivan Pavlov sobre os reflexos condicionados.
Em 1860 é formulado uma lei no campo da psicofísica, a lei de Fechner- Weber que estabelece a relação estimulo-sensação, permitindo a sua mensuração - aumento da intensidade de uma luz e o seu efeito como esta lei os fenómenos psicológicos vão adquirindo status científicos, porque, para a concepção da ciência da época o que não era mensurável, não era possível de estudo científico.
Wilhelm Wundt (1832-1926), na Universidade de Leipzing, na Alemanha, cria um laboratório para realizar experimentações na área da psicofisiologia, por este facto e da extensa produção teórica na área é considerada o pai da Psicologia Moderna, Psicologia cientifica.
Em resposta de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:
·         Paralelismo psicológico: aos fenómenos mentais correspondem fenómenos orgânicos, por exemplo: estimulação física: picada de agulha na pele teria uma correspondência na mente desse indivíduo.
·         Método: para explorar a mente ou a consciência do indivíduo, wundt cria um método que domina Introspecionísmo- o experimentador pergunta ao sujeito, especialmente treinado para a auto observação, os caminhos percorridos no seu interior por uma sensorial (a picada de agulha por exemplo).




PSICOLOGIA CIENTIFICA
Psicologia científica
O berço da Psicologia moderna foi na Alemanha no final do século XIX (19). Wundt, Weber e Fechener trabalharam juntos na Universidade de Leipzing- seguiram para aquele país muitos estudiosos dessa nova ciência, como o Inglês Edward Titchner e o Americano William James.
Seus Status de ciência é obtido a medida que se “liberta” da filosofia, que marcou a sua história até aqui a atrai novos estudiosos e pesquisadores, que sob novos padrões de produção de conhecimento, passam a:
·         Definir seu objecto de estudo
·         Delimita seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento como a filosofia, fisiologia.
·         Formula métodos estudo deste objecto
·         Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na área.
A psicologia científica nasce na Alemanha mas se desenvolve, cresce rapidamente nos Estados Unidos como resultado de grande avanço económico colocado na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens ou escolas e psicologia, as quais deram origem as enumeras teorias que existem actualmente. Essas abordagens são:
v  O Funcionalismo, de William James (1842- 1910)
v  O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867- 1927)
v  O Associacionismo, de Edward Thormdike (1874-1949)

1-    O Funcionalismo (Escola Funcionalista)
Primeira sistematização Americana de conhecimento em Psicologia, numa sociedade que exigia pragmatismo para o seu desenvolvimento económico acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Portanto, para a escola funcionalista de James importa responder “ o que fazem os homens” e “ por que o fazem” para responder a isto, James elege a consciência como centro de suas preocupações e busca a compreensão do seu funcionamento, na medida em que o Homem usa para adapta-se à realidade.
2-    O Estruturalismo
Começa com Wundt e continua com Titchner, os quais definem como o objecto de estudo da Psicologia a consciência também mas focalizado os seus aspectos estruturais, isto é os estados elementares da consciência como estrutura do SNC, inaugurada por Wundt mas somente o seu seguidor Titchner usa o termo estruturalismo pela primeira vez para diferencia-lo do funcionamento. O método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é a introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.
3-    Associacionismo
Eduward Thormdike, primeiro fundador de uma teoria de aprendizagem na Psicologia de Aprendizagem na preocupação da aplicação prática da Psicologia e não só especulação filosófica.
Associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por processo de associação das ideias mais simples às mais complexas. Assim para aprender algo complexo precisamos de aprender as ideias simples associadas aquele conteúdo.
Thormdike formula a “lei de feito” que seria de grande importância na Psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei” todo o comportamento de um organismo vivente tende a se repetir, se nós o recompensarmos (efeito) o organismo assim que repetir/ emitir o comportamento”. Por outro lado o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito) após a sua ocorrência. Ex.: Se apertarmos o botão de rádio formos premiados pela música, em outas oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca discos.
As principais Teorias da Psicologia do Século XX
A psicologia enquanto ramo da filosofia estuda a alma, a psicologia científica que wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o conhecimento científico produzido no laboratório com uso de instrumentos de medição/ mensuração. Da subordinação da filosofia se liga à medicina, usando o método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso da construção do conhecimento.
A Psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo, Estruturalismo e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas Teorias. As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia neste século consideradas por inúmeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a Psicanálise.
O Behaviorismo ou Comportamentalismo
O comportamentalismo, ou teoria S-R do inglês Stimuli – Response, nasce com o americano Watson e se desenvolve na América em função das aplicações práticas, tornou-se importante por ter definido o facto psicológico de modo concreto a partir da noção de comportamento.
Em 1913, o Americano John Watson numa revista intitulada” Psicologia como os behavioristas a vêem” inaugura o termo behaviorismo. Behavior, comportamento postulado por Watson como objecto da Psicologia, dá a psicologia a consciência procurada a séculos: objecto observável, mensurável cujos experimentos poderiam ser produzidos em diferentes condições e sujeitos.
 O carácter observável do objecto contribui para o alcance de status de ciência da Psicologia, ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson defende uma perspectiva funcionalista para a Psicologia, isto é, o Comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio.
Watson busca uma Psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos mentalíssimas e métodos subjectivos e que tenham a capacidade de prever e controlar.
R ­ – S usa-se para referir-se ao que o organismo faz e as variáveis ambientais que interagem com o sujeito.
O Comportamentalismo nega o estudo da consciência: o Comportamentalismo representa uma revira volta radical no que se refere ao objecto de estudo da Psicologia, do momento em que se limita ao estudo do comportamento observável e nega o estudo da consciência. Watson afirmou que a Psicologia deve considerar-se a ciência do comportamento, pois a consciência e alma são objecto de pesquisa inconsistentes para uma ciência empírica. Segundo Watson, a tarefa da Psicologia consistia no estudar as relações cientificamente determinadas entre as situações estimulantes (S) e a relação provocada (R)
·         Paradigma comportamental: estimulo (S) --------------àResposta (R)
Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e identificadas as leis, pode-se explicar cada uma das reacções como resultado de um determinado estimulo e poder prever qual reacção pode seguir uma determinada situação estimulante.
Os comportamentalistas admitem entre o estimulo e a resposta este já presente a actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal actividade está fora do alcance, que psicologia não deve interessar –se  daquilo   que acontece dentro do organismo ( processos neurofisiológica, processos inconscientes). Sustenta que a Psicologia deve interessar-se daquilo que entra (imputa) na “caixa preta” e aquilo que sai (output) sem ter que se ocupar necessariamente da complexa actividade desenvolvida pelo cérebro no seu interior. Deste modo os comportamentalistas reduzem o âmbito da Psicologia somente ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos objectivos de verificação, estudando a regularidade do comportamento independente correlatados neurofisiológica.
Análise experimental do comportamento
Frederik Skinner (1904- 1990), Americano é considerado o mais importante sucessor de Watson. A sua teoria tem até hoje é influenciado. Inaugura o behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945, para designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs defender) por meio da análise experimental do comportamento algumas noções importantes no behaviorismo de Skinner são:
Comportamento operante: base da corrente formulada por Skinner, entendendo este conceito é necessário retroceder aos conceitos de comportamento reflexo ou respondente.
1-      Comportamento respondente: usualmente chamada de “ não voluntário” e inclui as respostas que são aliciadas (produzidas) por modificação especiais do ambiente – interacção estimula-resposta (ambiente sujeito) incondicionada (não dependem da aprendizagem: limão- salivação; ou as famosas “ lágrimas de cebola”, etc.)

2-      Comportamento operante: tem efeito sobre o mundo. Ex.: tocar um instrumento musical.
Skinner desenvolveu seu trabalho de estudo do comportamento respondente, teoriza sobre um outro tipo de relação individuo- ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise da ciência: comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, que directa ou indirectamente e abrange um leque amplo de actividade humana, da actividade do recém-nascido (balbuciar, acatar-se a um objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados pelo adulto.
A PSICOLOGIA DE FORMA
A escola da gestalt
Gestalt é um termo alemão que se pode traduzir como «forma», «figura», «configuração», entendendo também um aspecto de organização de que se entende melhor quando se fala da percepção visível.
As principais figuras da Gestalt são Alemães: Max Wetmeir, Wolfgang Kohler e Kurt Kofka.
A Gestalt nega decompor a consciência nos seus elementos mais elementares, nega a concepção e métodos que descendem deste estudo e que tendem a uma teoria elementista.
Os Psicólogos da gestalt estudam em particular os processos cognitivos em particular a percepção visual e o pensamento.
Conceito fundamental da psicologia de forma é o aforisma: «o todo é mais que a soma das partes» As leis da percepção visiva: são leis sobre a constituição das totalidades preceptivas que eram chamadas Gestante ou factores estruturantes. Essas leis afirmam que as apartes de um corpo perceptivo tendem a construir outras gestantes (formas unitárias) que são de tal forma coerentes e unidas, quanto mais os elementos são. Vizinhos (lei de aproximação); Semelhantes (lei de semelhança); Tendem a forma fechada (lei de fechamento); Disposto ao longo duma mesma linha (lei de continuação).
A PSICANALISE
Sigmund FREUD (1856-1939) médico vienense (Áustria), alterou radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os processos misteriosos “ o psiquismo” suas “regiões obscuras”, isto é as fantasias, os sonhos, o esquecimentos, a interioridade do homem, como problema científicos. A investigação sistemática destes problemas levou FREUD criação da psicanálise.
Freud emprega o termo psicanálise pela primeira vez em 1896. A psicanálise constituiu-se como método e como teoria, e ainda como terapia. Como método consiste na interpretação e busca do significado oculto daquilo que é manifesto por meio de palavras ou acções e como teoria pode ser definida como conjunto de conhecimentos, sistematizado sobre o funcionamento da vida psíquica.
Freud postula o inconsciente como objecto de estudo da psicologia, da mesma forma que quebra a tradição da psicologia como uma ciência e da razão. 
A Teoria da Personalidade segundo Freud
Freud considerava a personalidade constituída de três grandes sistemas/ estruturas cada um com sistemas próprios mas integrados: ID, EGO, SUPEREGO.
ID
O ID ou inconsciente (infra eu) é o núcleo primitivo da personalidade. Não sofre as influências das forças sociais e conscientes que formam o individuo. A sua preocupação é satisfazer as necessidades instintivas de acordo com o princípio de prazer. O id é a estrutura original básica e mais central. As leis lógicas do pensamento na se aplicam ao id. O id é a sede das pulsões e os desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento- processo mental pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são reprimidos). Não conhece o bem nem o mal, nenhuma moralidade. Os conteúdos do id são quase todos inconscientes, assim como o material que foi considerado inaceitável pela consciência. O id não suporta energia de muita tensão e o seu objectivo é reduzir a tensão dolorosa aos baixos níveis possíveis. O id é baseado no princípio de prazer.
EGO (EU)
Ego é a consciência propriamente dita. É a personalidade enquanto actua no momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente (percepções exteriores, elaboração do processos intelectuais) e a capacidade para estar em contacto com a realidade exterior. O ego é dominado pelo princípio da realidade (pensamentos, objectivos, actos socializados, actividade racional e verbal). Também caracteriza-se pelo estabelecimento de mecanismo de defesa contra as invasões da pulsão. As funções básicas do ego são: percepção, memoria, sentimento, pensamento. Em suma, o ego tem a função de ajustar o homem ao meio da realidade física e social em que vive. É um instrumento de adaptação do individuo ao meio. O ego é baseado no princípio da realidade.
O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a chave da adaptação que procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de prazer, a busca do prazer e da gratificação imediata, com as exigências impostas pelo princípio da realidade, proveniente do mundo externo. O ego utiliza a angústia como sinal de alarme diante dos perigos do mundo interno (pulsional), por outro lado organiza mecanismos de defesa que consentem de moderar as exigências do id com aquelas do mundo externo.
Mecanismos de defesa são mecanismos que o individuo usa para deformação da realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e são inconscientes, isto é, ocorrem independentemente da vontade do individuo. Os mais comuns são: recalcamento, formação reactiva, regressão, projecção, racionalização, sublimação e negação.
SUPER-EGO (super-eu)
O Super-eu é o resultado da interiorização de censuras que a criança faz sua (identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio ambiente. O conteúdo do superego refere-se a exigências sociais e culturais. Representa o ideal do que é real. É defensor dos impulsos rumo a perfeição. Origina-se como o complexo de Édipo, a partir da interiorização das proibições, dos limites e da autoridade. O super-ego é o depósito das normas morais e modelos de conduta. As suas funções são a consciência, a auto- observação e a formação das ideias. Podemos afirmar que o Super-ego é baseado pelo princípio da moralidade/ sociabilidade.
A combinação das três camadas, segundo Freud constitui factor importante para formação e estruturação da personalidade.
Princípio do Prazer e o princípio da Realidade
Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado duma única estrutura de personalidade, o Id, fonte originária de todas as motivações e energias. Ele procura de realizar esta descarga de energia sem preocupar-se daquilo que é realizável o socialmente aprovável. O seu modo de funcionamento é regulado pelo princípio de prazer que procura a gratificação imediata e completa das pulsões, mais desde o início dos primeiros de vida estas tentativas de obter uma gratificação imediata são frustradas ou punidas. Estas experiencias contribuem para formação do ego (eu), o qual é governado pelo princípio de realidade

DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA
Evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e do desenvolvimento genético, dos estímulos sociais e afectivos.
O homem como unidade bio-psico-social
Todo ser humano à nascença já constitui – se como indivíduo, com qualidades de integridade próprias, particularidades que os distinguem dos outros. O mesmo não se pode dizer em relação à Personalidade. O ser humano forma suas personalidades em resultado da sua constituição biológica (características herdadas), das influencias do meio social e cultural do contexto em que se encontra (aquisições do meio), assim como das experiencias da vida (desenvolvimento), e sempre considerado seu desenvolvimento psicológico (estabilidade emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade bio-psico-social.
Alguns termos importantes para compreender o desenvolvimento humano
Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o individuo passa ao longo do seu ciclo de vida. É um processo que engloba os aspectos físicos (crescimento); fisiológicos (maturação), psicológicos (cognitivos e afectivos), sociais (socialização), e culturais (aquisição de valores e normas).
Maturação: é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se ao grau de prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo, nomeadamente do sistema nervoso. É que torna possível determinado padrão de comportamento. (por exemplo, a alfabetização das crianças depende da maturação neurofisiológica para manejar o lápis, e segura-lo comas mãos é necessário um desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não possui ainda.
Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do individuo indispensável para a execução de determinado tarefa, actividade ou função.
Estado etário: fase de maturação e estruturação (anatómica, fisiológico, psíquica) correspondente a idade ou nível de desenvolvimento do individuo.


A vida Antes do Nascimento (O Desenvolvimento Pré- Natal)
O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período compreendido entre a fecundação e o parto. Este pode ser dividido em três períodos:
O Zigoto
O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente no fluido do útero. Ao fim de cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na parede do útero recebendo oxigénio e alimentação do corpo da mãe. Dois ou três dias a sua implantação no útero o novo ser passa a chamar-se embrião.
Embrião
O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o estádio embrionário. Este estádio começa cerca de duas semanas depois da fecundação, na altura em que o zigoto (ovo) se fixa à parede uterina.
O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois da concepção. As primeiras fases da vida do embrião humano apresentam características semelhantes com outros mamíferos. A cabeça do embrião é muito grande em relação ao resto do corpo e membros não são diferenciados. No final deste período o organismo é claramente identificável como humano (tem face, olhos, nariz) e passa a se designar feto.
Feto
A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser passa a chamar-se de feto. O feto é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar pontapés, fazer punho levar o polegar a boca, escolher a posição de dormir, etc.). Sentir sabor, etc. O desenvolvimento do feto culmina com o nascimento.
Nascimento
 O nascimento é o conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade expulsar o feto para o exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente 2500 gramas e a placenta para produzir alimentos. Crianças com um período de gestação reduzido e peso inferior a 2500 gramas são consideradas pré- maturas.
A primeira respiração imediatamente após o parto é difícil devido o oxigénio do ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a respiração pulmonar. Se o pequeno cérebro não recebe oxigénio dentro de 8 (oito) minutos pode contrair lesões.
Por regra, a primeira respiração é acompanhada por grito. O grito converte-se em breve numa forma de manifestação de dessabores ou transtornos (indisposição, desconforto, mal estar, alerta à mãe para acções de cuidado, isto é, um estimulo chave.
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS DE CONDUTA
Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos
Em última instância, as diferenças entre as espécies dependem da hereditariedade ou herança física. A hereditariedade compartilhada por todas as pessoas permite sua série de actividades humanas distintas. Por termos herdados polegares opostos e dedos móveis, aprendemos facilmente a manipular ferramentas. A herança de imensos córtices cerebrais permite-nos a processar vasta quantidade de informação.
Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos comuns a todas as pessoas, a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada pessoa. Seus genes têm algo a dizer sobre uma capacidade de aprendizagem e se somos ou não propensos à depressão.
Genética do comportamento, um ramo da psicologia e também da genética, estuda as bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange diferenças individuais e de espécie.
Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o que as pessoas fazem depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes. Sua tarefa é definir exactamente quanto de um determinado acto é modelado pela hereditariedade e quanto é pelo ambiente. Eles pesquisam também os mecanismos biológicos pelos quais os genes afectam o comportamento e a cognição.                                                         
O papel da hereditariedade e do meio
O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual são interrelacionados e em constante interacção. O meio mobiliza ou favorece disposições hereditárias, mas por sua vez a acção do meio não é independente dessas disposições.
Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo diferente quando as condições do meio ambiente variam. Por outro lado, as condições do meio ambiente exercem diferentes influências sobre as características hereditárias.
As disposições hereditárias traçam o marco do desenvolvimento e oferecem-nos um plano de construção do organismo. Os genes exercem um papel ou acção directiva nos fenómenos do desenvolvimento embrionário e especialmente, dos primeiros anos de vida, isto é, não se transmitem qualidades já desenvolvidas, mas apenas disposições ou possibilidades para configurar essas qualidades. Por exemplo, a estrutura de um individuo depende de toda a carga genética, mas além disso, variará, entre outros factores de acordo com a alimentação recebida nos primeiros anos de vida e com as vicissitudes do desenvolvimento glandular posterior.
·         Herança e meio são factores que contribuem para formação do novo ser e se misturam de tal modo que é difícil distinguir o que corresponde a um e ao outro.
·         Não podem ser considerados opostos ou antagónicos mas complementares;
·         Era comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável, irreversível algo como código ou lista de instruções e procedimentos que não admite modificações e na qual cada “instrução” age de modo independente das demais, mas hoje tal posições não se sustenta porque também os genes podem sofrer uma mutação, brusca ou não.
Princípio fundamental da psicologia
O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de que o organismo é produto da hereditariedade em interacção com o meio e com o tempo, isto é, o comportamento não é resultado de uma única causa, mas sim de causas múltiplas (biológicas, sociais culturais, …) é o resultado da hereditariedade a interagir com o meio e com o tempo.
O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou empobrecido dependendo do tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com o meio e depende do momento em que estes encontros ocorrem. É pela interacção entre determinantes da hereditariedade e a influência do meio que o individuo se forma, desenvolve e realiza.
Não se pode limitar aos aspectos educativos e os socioculturais, pimeos natais, os aspectos físicos, biológicos (alimentares), e psico-afectivos (emocionais) dos primeiros tempos da vida, nomeadamente pré natais e perinatais são fundamentais na formação de todas as características do individuo.
TEMA: PSICOFISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO
A psicofisiologia é o estudo da relação do comportamento com a sua base fisiológica. Para se efectuar tal estudo é necessário recorrer a neurofisiologia. A teoria das localizações cerebrais, segundo a qual existem estruturas cerebrais especifica responsáveis pela memória, necessidade sexual, prazer, etc.
O funcionamento do cérebro humano é um processo psicofisiológico, de todos e mais complexo. O poder coordenador do cérebro depende da complexidade das suas estruturas. Complexidade essa que deriva de um maior desenvolvimento do córtex que controla as funções superiores do sistema nervoso central, incluindo a linguagem e o pensamento.
Organização do Sistema Nervoso
O sistema nervoso tem como principais funções e controlo do comportamento a regulação fisiológica do organismo. Do ponto de vista estrutural divide-se em duas partes:
SNC- Sistema Nervoso Central (encéfalo e medula espinhal). O encéfalo inclui o cérebro e tronco cerebral.
SNP- Sistema Nervoso Periférico (pares de nervos que transmitem informação entre o sistema nervoso central e todo corpo, em ambos os sentidos).
Sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema nervoso que fica dentro do crânio e da coluna espinhal. Assim o SNC compreende o cérebro e a medula espinhal. O SNC é banhado na sua sopa nutritiva especial chamado fluido cérebro espinhal (FCE). Este fluido alimenta o cérebro e fornece-lhe uma protecção. Embora derivado do sangue, o FC é cuidadosamente filtrado.
Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de passar pela barreira cérebro- sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável que impede a passagem de certas substâncias químicas entre a corrente sanguínea e o cérebro. Esta barreira evita que algumas drogas entre no FCE e afectem o cérebro.

A medula espinhal
A medula espinhal liga o cérebro ao resto do corpo através do sistema nervoso periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os nervos somáticos saem, ela é parte do sistema nervoso central e vai desde do cérebro até um nível abaixo da cintura, abrigando aglomerados axónios que carregam os comandos do cérebro aos nervos periférico e conduzem sensações de periferia do corpo ao cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de danos na medula espinhal, facto que ressalta o papel critica que ela representa na transmissão de sinais do cérebro aos neurónios que movem os músculos do corpo.
Cérebro
É evidentemente, que a glória suprema do sistema nervoso central é o cérebro, que, anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central que preenche a porção superior do crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos e possa ser carregado em uma das mãos, ele contém bilhões de células que interagem, integram informação de dentro, coordenam as acções do corpo e nos capacitam a fala, pensar, recordar, planear, criar e sonhar.
Sistema Nervoso Periférico
O sistema nervoso periférico é formado por todos os nervos que ficam fora do cérebro e da medula espinhal. Nervos são aglomerados de fibras de neurónios (axónios) que estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do sistema nervoso é exactamente o que parece, a parte que se estende para periferia (fora) do corpo. O sistema nervoso periférico pode ser substituído em dois: somático e autónomo.
Sistema nervoso somático
O sistema nervoso somático é formado por nervos que se conectam aos músculos esqueléticos e aos receptores sensoriais. Estes nervos são os cabos que carregam informações dos receptores na pele, músculos e juntas ao sistema nervoso central e também ordena do sistema nervoso central aos músculos. Estas funções requerem dois tipos de fibras nervosas:
Fibras aferentes: que são os axónios que levam informações directamente para o SNC a partir da periferia do corpo.
Fibras eferentes: que são axónio que devolve informação do SNC para periferia do corpo.
O sistema nervoso somático permite que nos sintamos e movamos no mundo.
Sistema nervoso autónomo
O sistema nervoso autónomo é formado de nervos que se ligam ao coração aos vasos sanguíneos, os músculos lisos, e as glândulas.
O sistema nervoso autónomo controla funções automáticas, em que normalmente as pessoas não pensam, como a batida cardíaca, a digestão e a transpiração. Ele intermédia muito do despertar fisiológico, que ocorre quando as pessoas experimentam emoções.
O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois ramos: simpático e parassimpático
Sistema nervoso simpático: é o ramo do sistema nervoso autónomo que mobiliza os recursos do corpo por emergência. Ela cria reacção de luta e fuga. A activação desse sistema desacelera processos digestivos e drena o sangue da preferia, diminuindo o sangramento em caso de ferimento.
O sistema nervoso simpático é responsável pelo transporte do sangue e do oxigénio para todas as partes do corpo preparando o corpo para acção.
Sistema nervoso parassimpático: é o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente conserva os recursos corporais. Ele activa os processos que permitem ao corpo economizar e armazenar energia. Por exemplo, acções dos nervos parassimpáticos diminuem o ritmo cardíaco, reduzem a pressão sanguínea e promovem a digestão. Significa que depois de uma pessoa se emocionar muito para voltar no seu estado normal precisa que o sistema nervoso parassimpático actue.






DESENVOLVIMENTO FILOGENÉTICO DO PSÍQUICO
Surgimento da Consciência no processo da actividade humana
Desenvolvimento Filogenético do Psíquico
Dependência da Psique ao meio
A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima, condições de vida) suscitou a diferença dos organismos (na terra vivem milhões de espécies de animais). Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres, existem suas mudanças cíclicas anuais, a mudança do dia e da noite, as mudanças de temperatura etc. e todo organismo vivente adapta-se as condições existentes.
Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o seu desaparecimento. O meio é a condição de existência do organismo vivo, é o factor mais importante para determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito em outras palavras, a existência dos organismos viventes está condicionada causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais alta é a capacidade do reflexo dentro de um determinado meio, mais livre é a espécie do influxo do meio.
A Psique e a evolução do Sistema Nervoso
Para que haja um reflexo adequado é necessário antes de mais nada uma estrutura dos órgãos do sentido e do sistema nervoso. O grau de desenvolvimento dos órgãos de sentido e do sistema nervoso determina constantemente o grau e a forma do reflexo psíquico.
A evolução da psique não é linear, até que se aperfeiçoe em diferentes direcções. Num mesmo meio habitam animais com os mais variados níveis de reflexo e ao contrário, em meios diferentes podem se encontrar diferentes tipos de animais com níveis de reflexo semelhante.
O meio como a matéria, não é invariável, ele evolui. A este meio em evolução adapta-se a espécie animal ocorrida não nele habita. Pode acontecer, sem dúvidas, que o meio radicalmente se modifique para alguns animais e isto influência no desenvolvimento das funções psíquicas, ao mesmo tempo, a mudança ocorrida não exerce uma influência determinante no desenvolvimento das funções dos outros animais.

Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana
A consciência, a Psique como conjunto de reflexos da realidade no cérebro dos homens caracteriza-se por possuir diferentes níveis.
O mais alto nível da psique, que é do próprio Homem, forma a consciência.
A consciência é a forma superior integrante da psique do Homem que se forma como resultado das condições histórico sociais na actividade laboral e na permanente comunicação oral com as demais pessoais. Neste sentido, pode-se dizer que a consciência em última instancia um produto social, a consciência e a existência consciente.
Diferença entre a psique humana e psique animal
·         Sem dúvida existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique humana mais altamente organizada da psique animal. Assim não é possível fazer uma comparação entre a “linguagem” dos animais e a linguagem humana, pois enquanto o animal com a sua linguagem pode somente emitir sinais a seus congéneres, em relação a fenómenos limitados por uma situação imediata, directa, pelo contrário o Homem pode informar a outras pessoas com ajuda da linguagem, sobre o passado, o presente, o futuro e transmitir aos outros a experiência social.
·         Mediante muitas pesquisas os investigadores mostram que o pensamento prático é somente próprio aos animais superiores. Nenhum investigador observou a forma abstracta do pensamento no estudo da psique dos animais. O animal pode somente actuar dentro das marcas duma situação visivelmente percebida, da qual não pode abstrair e da qual não pode assimilar os princípios abstractos. O Homem caracteriza-se pela sua capacidade de abstrair – se ou afastar-se duma situação concreta dada e prever as consequências que podem surgir em relação a dita situação.
Desta forma, o pensamento concreto ou prático dos animais e somente a sua impressão directa sobre a situação dada, enquanto a capacidade do Homem de pensar abstractamente supera a dependência directa da situação dada. O Homem é capaz de enfrentar não somente as influências directas do meio, mas também pode prever aquelas que podem suceder. O Homem tem a capacidade de abstrair em correspondências com a necessidade conhecida ou seja conscientemente. E é a primeira distinção entre a psique humana e a psique animal.
·         A outra diferença é que o Homem tem a capacidade de criar e conservar ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas numa situação concreta. Fora desta dada situação concreta o animal nunca identifica os instrumentos, nem se aproveita deles, uma vez que o instrumento joga um papel naquele dada situação, que mediatamente deixa de existir para as outras situações.
Os Homens criam instrumentos de acordo com um plano previsto anteriormente, utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão destinados e a conserva; e todo Homem adquire experiência com outros homens no uso destes instrumentos.
·         A transmissão das experiencias sociais, caracteriza o homem o qual dispõe duma experiência acumulada pelas gerações anteriores. As experiências sociais transmitidas ao homem desenvolvem-se em grande parte na psique. Desde a mais tenra idade a criança aprende a dominar as formas de utilização dos instrumentos e as formas de trata-los. As funções psíquicas do Homem mudam qualitativamente graças ao domínio de cada sujeito em particular sobre os instrumentos do desenvolvimento cultural da humanidade. É no Homem que se desenvolvem as funções superiores propriamente humanas (linguagem, memoria, pensamento atenção)
·         A quinta distinção entre a psique humana e animal são os sentimentos, para o homem e animais superiores o sentimento é mais daquilo que ocorre em seu redor, os objectos e os acontecimentos podem suscitar nos animais e homens determinados tipos de reacções dependendo daquilo que os influência, ou emoções positivas e negativas. Sem dúvida somente no homem pode existir a capacidade de sentir pena ou alegria sobre o outro homem, somente o homem pode experimentar determinados sentimentos ao tomar consciência de algum aspecto vital nisto.





TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO
Teoria: forma de explicação dos factos, de forma unitária, coerente, livre de contradições internas e que conduza a descoberta de novos factos.
A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é ainda, polemica pela existência de varias teorias do mesmo desenvolvimento, que estão divididas em grupo.
Teoria endogénicas
O desenvolvimento psíquico é feito dependentemente de factores biológicos: hereditariedade e as predisposições inatas tornam lugar de relevo. O desenvolvimento do Homem está programado e preformado pelas disposições. Segundo esta teoria, os factores do meio ambiente são apenas um atributo subordinado, as aptidões e qualidades psicológicas da personalidade são reduzidas aos instintos inatos de acordo com Mendel, Weismam e Morgan.
Teorias exogénicas
O homem seria no momento do nascimento uma tabua rasa, pelo adestramento e hábitos poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os métodos preceptivos, este grupo de teorias acentua o meio ambiente em que decorre o desenvolvimento comparativamente aos factores como força determinante de desenvolvimento psíquico.
O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido á educação e formação. Contudo a criança e o jovem são subordinados como objectos positivos das influências externas e deste modo exposto a métodos mecânicos de educação, segundo Watson.
Teoria de convergência
O desenvolvimento do psíquico é resultado de uma convergência de factores hereditário e factores ambientais. Significa que o desenvolvimento do psíquico é determinado pela cooperação de dois factores principais: hereditariedade e meio ambiente.
Esta teoria defende que, no desenvolvimento do psíquico deve-se distinguir os processos de maturidade e os processos de aprendizagem. Os processos de maturidade são biologicamente condicionadas. Enquanto, os factores de aprendizagem estão sujeitas a regularidades sociais. Portanto, o desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores biológicos e de assimilação.
PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento orgânico. O desenvolvimento mental é uma construção contínua, que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Algumas dessas estruturas permanecem ao longo de toda vida.
Conceito de desenvolvimento
Tradicionalmente, na literatura psicológica, encontramos definidos:
O desenvolvimento: como o processo de crescimento e diferenciação continuada no tempo, resultado da maturação biológica e da interacção com o ambiente.
Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo, através de processos evolutivos seja biológicos e psicológico, uma maior e mais eficiente harmonização das energias que se dispõem, com uma crescente possibilidade seja de autonomia de nova compreensão seja de participação efectiva e de socialização com o mundo.
Uma das consequências desta afirmação e que os seres humanos tornam-se sempre mais complexo na medida em que se desenvolvem. Não só, mas se o homem é uma criatura admiravelmente complexa, não menos surpreendente e também a pequena criatura, que o recém-nascido, desde os primeiros instantes em que vê a luz.
FACTORES QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO E CRESCIMENTO HUMANO
Vários factores indissociados e em permanente interacção afectam todos os aspectos do desenvolvimento. São eles:
Hereditariedade
A carga genética estabelece o potencial do individuo, que pode ou não desenvolver-se. Existem pesquisas que comprovam os aspectos genéticos da inteligência. No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém ou além do seu potencial, dependendo das condições do meio que se encontra.

Crescimento Orgânico
Refere-se ao aspecto físico. O amadurecimento de altura e a estabilização do esqueleto permite ao individuo comportamentos e um domínio do mundo que antes não existia. Pense nas possibilidades de descoberta de uma criança quando começa a engatinhar e depois de andar, em relação a quando uma criança estava no berço com alguns dias de vida.
Maturação neurofisiológica
É o que torna possível determinado padrão de comportamento. A alfabetização das crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para segurar o lápis e maneja-lo como nos, é necessário um desenvolvimento neurológico que a criança de 2, 3 anos não tem.
Meio
O conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de comportamento do individuo. Por exemplo, se a estimulação verbal for muito intensa, uma criança de 3 anos pode ter um repertorio verbal muito maior do que a media das crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode não subir e descer com uma facilidade uma escada, porque esta situação pode não ter feito parte de experiencia de vida.
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
O desenvolvimento humano deve ser entendido como uma globalidade, mas, para efeito de estudo, tem sido abordado a partir de 4 aspectos básicos.
Aspecto físico motor refez-se ao crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica, a capacidade de manipulação de objectos e de exercício do próprio corpo. (ex: a criança leva a
Chupeta à boca ou consegue tomar a mamadeira sozinha, por volta dos 7 meses, porque já coordena os movimentos das mãos).

Aspecto intelectual - é a capacidade de pensamento, raciocínio. Por exemplo, a criança de 2 anos, que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que está debaixo de um imóvel ou o jovem que planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
Aspecto afectivo – emocional - é o modo particular de o individuo integrar as suas experiencia. É sentir. A sexualidade faz parte deste aspecto. Exemplo: vergonha que sentimos em algumas situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido, etc.
Aspecto social - é a maneira como o individuo reage diante das situações que envolvem outras pessoas. Por exemplo, em um grupo de crianças, no parque, é possível observar que algumas espontaneamente buscam outras para brincar, em algumas que permanecem sozinhas.
Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que estes quatro aspectos são indissociados, mas elas podem enfatizar aspectos diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos aspectos. A Psicanalise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do aspecto afectivo emocional, isto é, do desenvolvimento da sexualidade. Jean Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.
A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE JEAM PEAGET
A influência de Jean Piaget não tem andado longe da Freud. Nascido em Suécia em 1896, Piaget passou a maior a parte da sua vida dirigindo um instituto de desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um número extraordinário de obras e trabalhos científicos, não apenas sobre o desenvolvimento da criança, mas também sobre a educação, história do pensamento, filosofia e lógica, e manteve a sua prodigiosa produção até a data da sua morte em 1980.
Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou directamente a criança. A sua teoria foi desenvolvida a partir de observações feitas no decurso de tratamento de pacientes adultos em sucessões de psicoterapia. Piaget, pelo contrário, passou a maior parte da sua via observando o comportamento de bebes, crianças e adolescentes. Baseou-se muito do seu trabalho em observações minuciosas de um número limitado de indivíduos, mais do que no estudo de grandes amostras. Não obstante, defendia que a maioria das suas principais descobertas eram validas para o desenvolvimento das crianças de todas as culturas.



Desenvolvimento cognitivo (desenvolvimento do pensamento)
De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é o produto do equilíbrio entre o organismo e o meio, porque a aquisição ou assimilação de conhecimentos é um processo evolutivo de construção, na teoria epistemológica de conhecimento ou epistemologia genética.
No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como: “ como é possível o conhecimento”? Como é que os conhecimentos aumentam, (compreensão? extensão?).Quer dizer em quantidade como em qualidade.
Um conhecimento é construído com base nos conhecimentos anteriores organizam-se em processos cognitivos segundo a adaptação do organismo ao meio. A ideia piagetiana é estrutural ou contorcionista quando evidencia a construção ou organização de estruturas mentais ou processos cognitivos. Por outro lado, é funcional ou psicobiológico devido a adaptação orgânica e intelectual ao meio, como condições funcionais no sentido de surgir uma organização das estruturas cognitivas. Assim, o desenvolvimento cognitivo surge das funções de organização e de adaptação.
O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e sequencias na estrutura da organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica ou interacção a organização e adaptação. A progressiva adaptação orgânica e intelectual ao meio conduz ou leva a uma progressiva mudança na sequencia das estruturas cognitivas, tendo um estado mutável a não rígido.
Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de equilíbrio entre assimilação e acomodação. O equilíbrio leva a aquisição de estruturas cognitivas (o desenvolvimento cognitivo). As estruturas cognitivas se resumem em dois tipos: esquemas e conceitos.
O esquema é um conjunto de regras que define um género específico de comportamento (actividade de chuchar, apalpar, olhar etc.) como parte da estrutura cognitiva da criança. Quanto mais cresce, conhecendo o seu meio também vai desenvolvendo estruturas mentais (conceitos segundo Piaget), referindo aquelas normas que descrevem acontecimentos ambientais, relações entre conceito, seus efeitos.
Pois, a adaptação ao meio ambiente faz-se através do processo de assimilação e acomodação.
Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar ou interiorizar a experiencia do meio ambiente onde esta inserido (processo). Consiste em acrescentar novos elementos a um conceito ou a um esquema. Enquanto, a acomodação refere o ajustamento desses elementos a nova situação. O ajustamento que o individuo faz ao incorporar a realidade externa. Se assimilação consiste na capacidade do sujeito interiorizar e conceptualizar as suas experiencias do meio, a acomodação é a resposta do sujeito as exigências imediatas e constrangedoras do meio, é o grau de adaptação aos estímulos externos, mediante a reorganização cognitiva, em vez de respostas mecânicas.                                                                                                                                   
OS ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Os Estádios de desenvolvimento cognitivo
Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o aparecimento de novas qualidades do pensamento, o que, por sua vez interfere no desenvolvimento global. Piaget acentua bastante a capacidade para entender activamente o mundo. As crianças não observam de uma forma passiva a informação, mas seleccionam e interpretam o que vêem, ouvem e sentem acerca do mundo que as rodeia. A partir dos estudos e de numerosas experiencias que efectuou sobre as formas de pensar da criança, chegou a conclusão de que os seres humanos atravessam vários estádios distintos de desenvolvimento cognitivo ou seja, vão aprendendo a pensar sobre eles próprios e o mundo da sua volta. Cada estádio implica a aquisição de novas capacidades e está dependente de uma conclusão bem-sucedida da fase anterior.
Estádio sensório - motor (0 à 2 anos de idade)
No recém-nascido, a vida mental reduz-se ao exercício dos aparelhos reflexos, de fundo hereditário, como a sucção. Esses reflexos melhoram com o treino. Por exemplo, o bebé mama melhor no décimo primeiro dia de vida do que no dia.

Até uma idade máxima de quatro meses, um bebe não consegue diferenciar-se do que o rodeia. O desaparecimento no seu campo visual da criança perde todo interesse por ele (não existe / nunca existiu); por exemplo a criança não intende que são os próprios movimentos que provocam o ranger do berço e não diferencia entre os objectos e pessoas. A actividade cognitiva e comportamental. Pensar e agir. Irreversibilidade. O bebe não tem noção de que existe algo fora do seu campo visão. Como demostram alguns estudos, os bebes aprendem de forma gradual, a distinguir as pessoas dos objectos, começado a perceber que ambos têm uma existência independente das suas percepções mais imediatas. Aos 6 meses de idade, a criança investiga as características do objecto. Procura o objecto escondido, continua a existir.
Piaget chama a este primeiro estádio sensório- motor, pois a criança aprende usando os seus diferentes sentido, sobretudo tocando objectos, manipulando-o os explorando fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e meio o pensamento da criança esta ligado a linguagem, esquemas motores e a conceitos de objectos e das suas características. A principal conquista neste estádio e que, no fim, a criança já entende que o meio ambiente tem propriedades próprias imutáveis.
Estádio pré- operatório (2- 7 anos de idade)
Nessa fase desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a criança é capaz de distinguir o “eu” do objecto, adquire noção de tempo e espaço. Tem início a reversibilidade. A criança já domina a linguagem e se torna capaz de usar palavras de uma forma simbólica, representar objectos e imagens. Uma criança de 4 anos por exemplo, pode usar a mão em movimento para representar o conceito de “avião”. Início de aquisição de noção de conservação da massa e volume (quantidade), Piaget apelida este estádio de pré operacional, pois a criança ainda não são capazes de usar, de uma forma sistemática, as suas capacidades mentais em desenvolvimento. A maneira de ver o mundo a características destas, a criança é o egocentrismo, ela acredita que as pessoas vêem o mundo exactamente como ela a vê, por ex: ao contar um facto, omite pormenores importantes “julgando “ que os outros têm a mesma visão do facto. Este conceito não se refere a egoísmo mas a tendência da criança interpretar o mundo exclusivamente em função da sua própria posição.
O manifesta-se, também, na linguagem, pois é comum neste estagio as crianças fazem monólogos (falar sozinhas) e as crianças não se importam que alguém as ouça. As crianças não têm desenvolvida a capacidade de conservação de quantidade, de volume e de massa conforme.
Estádio de operações concretas (7-12 anos)
Existe um equilíbrio estável entre assimilação e acomodação. Durante esta fase as crianças dominam noções lógicas e abstratas. Uma criança nesta fase de desenvolvimento é capaz de reconhecer o raciocínio falso implícito na ideia de que o recipiente mais largo contem menos água do que o mais estreito, mesmo que os níveis da água sejam diferentes. Torna-se capaz de efectuar operações matemáticas, como manipulação, a substração ou divisão. As crianças neste período são muito menos egocêntricas. Se perguntar a criança quantas irmãs ela tem ela dira uma, mas se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela provavelmente dirá “ nenhuma” porque não é capaz de se colocar na posição da irmã, não é capaz raciocinar em termos hipotético.
Estádio das operações formais (12- 18 anos de idade)             
Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação simbólica, criação de hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto, dedutivo e indutivo. Raciocínio formal segundo a cultura. Quando deparam com um problema, as crianças nessa fase são capazes de rever todas as formas possíveis de resolver, examinando - o teoricamente de maneira a chegar a uma solução. Um jovem na fase operacional, é capaz de entender porque é que algumas questões são traiçoeiras.
No aspecto afectivo o adolescente vive conflitos. Deseja libertar-se do adulto mas ainda depende dele. Deseja ser aceito pelos amigos e pelos adultos. O grupo de amigo é um importante referencial para o jovem, determinando vocabulário, os vestuários e outros aspectos do comportamento.
De acordo com Piaget os primeiros três estádios de desenvolvimento são universais, mas nem todos os adultos alcançam o estádio operacional formal. O desenvolvimento deste tipo de pensamento está dependente, em partes, dos processos de escolaridade. Os adultos com uma educação limitada tendem a continuar a pensar em termos mais concretos e reter largos traços de egocentrismo.
O DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL SEGUNDO A TEORIA PSICANALÍTICA
Segundo Freud (1859- 1939), fundador da psicanálise. Interpretou os sonhos, porque tem sentido simbólico, de acordo com eles, os sonhos estão cheios de significados. Defendeu que as imagens sonhadas são consequências, a realização simbólica, substitui um desejo sexual recalcado (inibido pela interdição moral).
A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID, EGO SUPER-EGO), seja o desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros anos de vida. Este desenvolvimento decisivo porque nele se deita os fundamentos da vida psíquica do futuro individuo adulto e os traços persistentes da personalidade. O aspecto mais evidente da teoria freudiana é aquele das fases psicossexual. Segundo Freud a área do prazer sexual desloca-se duma zona erótica do corpo a outra, segundo uma sequência determinada biologicamente na medida em que a criança cresce. De consequência os distúrbios psíquicos do individuo adulto dependeriam dum desenvolvimento não regular das várias fases da sexualidade infantil.
As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud
Freud preconiza cinco estádios do desenvolvimento psicossexual:
a)      Fase oral (0-2 anos): os primeiros meses da vida até cerca de 2 anos de vida, a libido estão concentrados na zona oral (boca): o bebe tira prazer através da zona erótica da boca, dos lábios. Na língua, e nos actos de sucção, mordedura e a mastigação. No adulto, a fixação formas da sexualidade oral pode exprimir em comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as unhas, comer excessivamente.

b)      Fase anal (2-3 anos): nesta fase o ponto focal da libido desloca-se as principais fontes de prazer sexual torna as actividades esfie ericas. Está presente seja a exigência de satisfação da necessidade (defecar) seja de aprender a controlo fisiológico em relação as regras ditadas pelos pais e as convicções sociais. Conter as fezes significa, duma parte, bloquear a satisfação de uma necessidade e da outra parte, significa realizar ou cumprir as regras dos pais, que a sua volta é fonte de gratificação quando a norma vem respeitada para a criança. A com presença de exigências contrastantes, o conflito, relacionado o fase poderá manifestar-se no adulto em comportamentos de excessiva limpeza, pontualidade, obstinação.

c)      Fase fálica (3-5 anos): A libido desloca-se para as zonas génitas a procura o prazer e a menina tocam os próprios órgãos genitais, tornam-se curiosas em relação as diferença entre os dois sexos. Os pais, muitas vezes proíbem o comportamento sexual das crianças desta idade pensando ou considerando que são formas adultas da actividade sexual, enquanto normalmente exprimem a exigência das crianças de conhecer o próprio aparato sexual. Nesta fase manifesta-se o assim chamado complexo de Édipo. O menino chegado nesta fase do desenvolvimento psicossexual, experimenta um desejo de hostilidade para o pai e um desejo de amor para com a mãe estes dois desejos com presentes, numa forma general mente inconsciente, são vividos como conflito. O menino pode superar este conflito através de um processo de identificação como pai, mediante o qual ele assimila e faz seu comportamento paterno. Durante o processo de identificação, os meninos intrometam no Super-eu grande parte das regras sociais e dos valores partilhados e derivados da figura dos pais.

d)     Fase de latência (6- inicio da adolescência): durante esta fase a actividade da libido perde intensidade, consentindo ao “EU” uma trégua para consolidar o desenvolvimento anterior enquanto a criança orienta ou dirige os próprios interesses no ambiente.

e)      Fase genital (…. Fim da adolescência): culmine do desenvolvimento psicossexual verifica-se no fim da adolescência, na fase genital. O rapaz e a rapariga completam o desenvolvimento psicossexual e orienta o próprio comportamento sexual aos paternos. Elemento característico desta fase é o surgimento de um interesse de relação reciprocamente gratificante com os outros. O individuo que se encontra nesta fase genital, está no grau de manifestar o interesse para com os outros, desejo de partilhar as experiencias significativas e solicitude para o seu bem-estar. Este empenho a reciprocidade não é alcançado por todos
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL
A teoria do desenvolvimento psicossocial segundo erick erickson
 O desenvolvimento psicológico, seja na dimensão cognitiva como na emotiva, não termina com a idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período da adolescência são etapas fundamentais para a construção do mundo psíquico do adulto, mas a obra da reelaboração e da organização da própria vida psíquica continua intensamente por toda a existência humana.
A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a vida e que seja estreitamente legada as sociais foi elaborada por Erik Erickson. Erick Erickson nasce em Frankfurt- Alemanha.
Enquanto Freud atribuía mais importância ao inconsciente., Erickson focaliza a sua atenção no papel desenvolvido pelo “eu” quando se devem enfrentar problemas nos diferentes períodos da vida.
A teoria de Erikson (1950- 1968) afirma que o desenvolvimento psicossocial atravessa oito estádios, em cada um do qual o individuo deve enfrentar uma serie de problemas, ou assim chamada crise do estádio, para poder passar ao estádio sucessivo. Segundo Erickson, na medida em que uma criança resolve positivamente os problemas de cada estádio, determina-se a sua possibilidade de torna-se uma pessoa adulta de capacidade de adaptação.
Fases de desenvolvimento psicossocial segundo Erickson
Estádio sensório- oral (0-1 anos): crise entre a confiança e desconfiança. A criança põe-se o problema de ter confiança o não ter confiança na pessoa que torna cuidado ou se ocupa dela (geralmente a mãe), se recebe ou não nutrição e afecto. Da confiança para com a figura materna desenvolverá a confiança para com o ambiente externo e outras pessoas. Se a criança não contar com o afecto e os cuidados maternos, perderá a confiança para com as outras pessoas e passará o ambiente externo não lhe pode dar a confiança.
Estádio muscular-anal (1-2 anos): crise entre autonomia – duvida / vergonha. A criança começa a explorar o mundo e a entrar em relação com outras pessoas. Na medida em que conquista autonomamente as habilidades principais, por exemplo aprenderem a caminhar, deve também não duvidar de si quando não consegue padronizar esta tal capacidade imediatamente. A criança deve escolher se ser autónomo em tal situação e continuar de modo independente, ou então enfrentar o futuro com dúvidas.
Características: afirmação de vontade: a criança desenvolve a capacidade de escolha, a possibilidade de auto-domínio; sentimentos de autonomia e de amor-próprio. Pode desenvolver-se sentimentos de perca de auto-domínio, a vergonha e dúvidas quanto ao exercício da vontade.
Estádio locomotor- genital (3-5anos): crise de iniciativa / sentimento de culpa desenvolvem-se as estruturas anteriores e a criança encontra-se a ter que resolver o conflito existente entre o tomar iniciativa em actividade e apreciar os resultados ou sentir-se culpado por ter ultrapassado os limites, neste caso surge o medo de punições ou de castigos, criticas e de consequências o sentimento inibidor (a criança pode perder a capacidade de tomar iniciativas e sente-se em culpa pelos seus falimentos).
Estádio de latência (6 anos – a puberdade): crise da diligência /complexo de inferioridade. Nesta fase adquirem as regras fundamentais sobre o mundo externo e as primeiras regras do comportamento social graças ao facto de frequentar a escola e o grupo dos pares. As próprias competências podem ser desenvolvidas e reforçadas, ou então podem ser bloqueadas. O insucesso na escola ou nas relações sociais em geral podem gerar um sentido de inferioridade que bloca interiormente o desenvolvimento cognitivo e emotivo.
Adolescência: a crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do papel a desempenhar (confusão de identidade). O adolescente deve desenvolver o sentido de identidade de si mesmo, torna-se um individuo com a sua própria personalidade distintas daquela dos parceiros e dos adultos, com próprias normais sociais e próprios valores morais. O falimento na construção da identidade manifesta-se na “confusão de papéis”, facto pelo qual o adolescente não consegue encontrar um papel adequado para a sua personalidade no contexto social.
Primeira idade adulta (20-30 anos): nesta fase a crise é entre intimidade ou amor / isolamento a pessoa enfrenta a escolha entre uma vida caracterizada de relações de intimidade (capacidade de amizade e amor), encontra-se em companhia, amar alguém e a ausência da relações afectivas, e transformar-se num isolado, evitando compromisso de amor ou amizade. É o estádio da vida em que se põe também o problema da escolha profissional que permite a inserção da sociedade. As duas escolhas cruzam-se, originando as vezes conflitos, sobretudo na mulher pela qual a profissão pode contrastar com o papel da mulher e de mãe.
Meia-idade (40-60 anos): crise situa-se entre a criatividade ou interesse / estagnação ou Auto -absorção. Regista-se a consolidação do amor e da amizade: aumento do interesse profissional, aumento da atenção para com os filhos mas pode viver em debilidade no relacionamento, em depressão, sem interesse. Para essa fase contribuiu muito a tipo de escolha profissional feito, em particular em relação a constatação ou não segundo o plano traçado na juventude. O sentido do insucesso pode muitas vezes estimular a novos interesses opções ou a uma nova ou mais lucida consciência das próprias capacidades.
Velhice (dos 60 anos em diante): a crise observa-se entre o sentimento de integração e calma/desespero. Nesta fase emerge uma outra situação de conflito, aquela concernente a aquisição de um sentido de integridade, que se experimenta quando se considera que a própria vida foi completada, dando-lhe um sentido, ao qual se contrapões o desespero, se pensa de não ter alcançado os objectivos que anteriormente se tinham proposto ou de não ter integrado as próprias experiências.
A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa ansiosamente pela vida porque descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua vida, há aceitação da morte. Mas pode não alcançar a sabedoria, ao fazer o balanço da sua vida ou avaliação do seu passado e verificar que não fez nada que velasse a pena, logo surge um sentimento de desgosto pela vida e de desespero perante a morte.
DESENVOLVIMENTO MORAL
DESENVOLVIMENTO MORAL SEGUNDO LAWRENCE KOHLBERG
No desenvolvimento da personalidade joga um papel fundamental a aquisição da regra do comportamento que reflecte os valores da cultura e da sociedade em que o individuo vive. Lawrence kohlberg, fortemente influenciado pela teoria piagetiana, hipnotizou que o aspecto moral desenvolve-se gradualmente por estádios.
Kohlberg introduziu uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que revolucionou a compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as pessoas não podem ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos simplicistas:
v  Este grupo de honesto
v  Este grupo é aldrabão
v  Este grupo é reverente
Segundo kohlberg, o carácter moral das pessoas se desenvolve. Significa que o crescimento moral se faz de acordo com uma sequência do desenvolvimento.
Segundo kohlberg, o desenvolvimento ocorre com uma sequência específica de estádios, independentemente da cultura, subcultura, continente ou pais, raça.
Moral refere-se as normas da conduta social que caracterizam as concepções a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal. São mantidas ou cultivadas pela força da opinião pública, hábitos, costumes e educação.
Kohlberg identificou seis estádios fundamentais do desenvolvimento moral.
Níveis
Estádios
Características


Moralidade pré convencional ou pré moral















(0-7/8 anos)

I




II
A obediência e as mais decisões morais são baseadas em formas de poder muito simplicista, de tipo físico e material. Aqui o comportamento baseia-se na recompensa e no desejo de evitar a punição física severa por parte do poder superior “ poder da razão” “a sobrevivência dos mais fortes” p ex: as acções são julgadas em termos das suas consequências físicas. O medo da punição domina os motivos da criança.

As acções baseiam – se amplamente na satisfação das necessidades pessoais do individuo. O motivo básico das pessoas é satisfazer as próprias necessidades. Não consideram as necessidades das outras pessoas envolvem a percepção do poder do negócio/ troca de favor. “ Coça-me as costas e eu coço a tuas”… mas obtendo pequena vantagem em cada negócio. Há uma orientação materialista, na qual as discussões morais se expressam em termos de instrumentais e físicos. Este nível aceita o uso de influências para resolver qualquer delito. Ex: se a personalidade é encontrada a roubar um carro a punição está determinada pelo custo do carro. Admite falsificar assinatura, subornos, aldrabar o patrão ou cometer outros delitos semelhantes, desde que a pessoa fique impune.

Filosoficamente esta categoria de pensamento moral é designada de hedonismo instrumental: falta de respeito humano pelas outras pessoas.
Moralidade convencional ou de conformidade















 (dos 7/8 adolescência)


III









IV

O conformismo social: fazer o apropriado e o que agrada os outros, rejeita as decisões do ego. Há um relacionamento duplo. O motivo da criança e ser bom rapaz para ser aceite.
Cumprem-se somente as acções que são aceites pelos parceiros, professores e pais. O “justo” e o “injusto” não vem avaliado em base as punições físicas ou recompensas (doces e brinquedos) mas em relação a avaliação que os outros fazem do próprio comportamento e as exigências de oferecer uma boa imagem de si mesmo. Obedece-se as regras para evitar o sentido de culpa derivante da censura da autoridade.


 Tomada de decisões de acordo com os códigos legais existentes, em todas situações dilemáticas (prevenção da sociedade) a tendência é de ser melhor e não apenas o cumprimento das normas.

Moralidade pós-convencional ou dos princípios







(da adolescência em diante)
V






VI

Agir de acordo com o contrato social: da adolescência em diante, a pessoa interioriza regras abstractas de comportamento social que muitas vezes em contraste com as próprias convicções.

Os adultos que atingem esta fase, estão em grau de reflectir sobre os princípios éticos e universais, tais como a justiça, a igualdade, dignidade de todas as pessoas, o bem comum, a sociedade da vida, o altruísmo, etc. esta fase é caracterizada duma moralidade da consciência, facto pelo qual as pessoas tendem a ver o comportamento ético como um equilíbrio entre o bem-estar do individuo e aquele da sociedade e acreditar na aplicação das regras sociais em virtude dos seus princípios, mas não em prejuízo dos direitos individuais. O individuo, portanto, obedece as regras em base a convicções amadurecidas e considerações objectivas


PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE
Teoria da Personalidade
 Génese e formação da Personalidade
Nenhum homem nasce como personalidade. Entretanto, cada um de nós nasce como um objecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada individuo ao nascer é um centro de iniciativas, buscas e de construções de boas qualidades. Isto significa que cada individuo permanentemente deve trabalhar para a formação sua personalidade.
A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais complexos e estáveis: temperamento, conduta, moral, interesse bem como as necessidades que definem as propriedades dos sentidos e do comportamento do mesmo homem. A personalidade capacita-se às diversas situações da vida, ai se define a sua totalidade pelas influências sócio genéticas e sócio- culturais.
Conceito de Personalidade
A personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos outros e a si próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua continuidade. É o modo relativamente constante e peculiar de perceber, pensar, sentir, e de agir do individuo. Inclui as atitudes, habilidades, crenças, emoções, desejos, o modo de se comportar e, inclusive os aspectos físicos do individuo.
Em suma, a personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e o inconsciente na sua relação com o mundo exterior.
Estrutura da personalidade
Fazem parte da estrutura da personalidade as particularidades relactivamente constantes e visíveis da própria personalidade (do sujeito).
As componentes principais da personalidade são a estrutura endopsiquica e a exopsiquica.
Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio externo. O exopsiquismo contempla a experiencia social (conhecimentos, hábitos, habilidades) e a orientabilidade do indivíduo (inclinação, interesses, motivos, ideias, convicções sentimentos, etc.).
A exopsiquica está condicionada socialmente, é adquirida das forças do meio, não é biologicamente determinada.
Endopsíquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e das funções psíquicas. É identificada com actividade psico-nervosa do homem. Relaciona-se com os traços da personalidade como a receptividade, peculiaridade da memória, percepção, vontade, pensamento, imaginação, etc. A endopsíquica está condicionada biologicamente, é inata, não depende das forças do meio.
Teorias da Personalidade
 A conduta humana é reconhecida como complexa. Assim, o comportamento não é determinado por um único factor, mas sim por muitos factores, de natureza diversa. Diante de tao complexo campo de investigação, diferentes grupos de estudiosos enfatizam diferentes grupos de aspectos de comportamento. Alguns ainda concentram-se em hereditariedade e outros em influências ambientais. Outros ainda, favorecem a formação de um conjunto de leis gerais, entendendo o Homem como ser social e ao mesmo tempo biológico. As teorias da personalidade que merecem distinção especial são: o Behaviorismo, o Gestaltismo, Psicanálise, a Disposicional, A Humanista, Fenomológica, a Cognitiva, a Biológica, a Evolucionista, etc.
O termo “ behaviorismo” que em Inglês “behavior” significa comportamento, foi inaugurado pelo americano John Watson. Watson Postulava o comportamento como objecto de estudo da psicologia e defendia que este (comportamento devia ser estudado em função de certas variáveis do meio.
 Para entender a personalidade (comportamento) deve-se analisar as relações funcionais entre acções visíveis e suas consequências também visíveis.
A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do estimulo-resposta. Todo comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente, de tal forma que o controle das condutas é possível e os fenómenos psíquicos são possíveis.
A influência do meio ambiente predetermina o comportamento. Não se interessa pelos fenómenos como a consciência, a hereditariedade, o prazer e a dor.
O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O ensino e experiência são blocos de construção da personalidade.
O Gestaltismo
Os fundadores da escola da GEstalt foram WERTHEINER (1880- 1943), Kurt Koffka (1886-1941) E WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles negam a fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o princípio de determinação relacional, isto é, que as propriedades das partes dependem do lugar e função que têm no todo. Sustentam ainda que a maior parte das configurações, o todo não é igual a soma das partes demostrando-se que o estímulo deve ser considerado como uma totalidade. A Gestalt orienta-se pelos seguintes princípios:
·         O todo é percebido antes das partes que o compõe.
·         O todo é definido pelas interacções e interdependências das partes
·         As partes de uma configuração não matem sua identidade quando estão separadas da sua função e lugar no todo.




PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE
- Os resultados da reconstrução Psico-dinâmica (CarlJung e Alfred Adler)
A psicologia analítica de Carl Jung
·         Breves linhas biográficos
Nasce na Suíça, em 1875 e morre em 1961. Formação: medico, psiquiatra, trabalhou 6 anos com Freud deste modo nasceu o interesse para o comportamento humano e separa-se de Freud em 1913 e elabora a sua teoria denominada psicologia analítica ou dos complexos. Analítica porque é uma psicologia que não preocupa de isolar funções singulares mas de ocupar-se dos fenómenos que caracterizam a personalidade na sua totalidade.
Construtor da psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa que o Homem pode ser orientado no sentido de desenvolver as suas potências, realizando-se como eu.
Pontos de divergência com Freud
·         Aceita a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem conotação sexual, nega o papel fundamental da libido na origem da sexualidade.
·         Do ponto de vista metodológico, Jung é mais ou menos ecléticos, ou seja usa elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor, esses devem se considerados porque encontram representações a nível psíquico.
·         Separa-se ainda de Freud porque segundo Jung, não é necessário considerar somente a nível psíquico um dinamismo causal mas também finalístico, ou seja, é necessário considerar que no comportamento existe uma meta a alcançar.
Objecto do estudo da psicologia analítica: conjunto de todos os processos psíquicos: conscientes e inconscientes.
Ideia fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a autonomia da realidade psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se não for possível uma separação nítida entre as duas esferas. Ele fala também da realidade fisiológica como sendo subjectiva enquanto incide somente para um enquanto a realidade psíquica é objectiva no sentido de que algumas ideias são partilhadas por exemplo: simbolismo, arquétipos.
Jung acreditava que somos marcados por nossas metas, esperanças, aspirações em relação o futuro bem como do nosso passado.
A personalidade integral (psique), segundo Jung, compõe-se três sistemas: consciência, inconsciente pessoal e inconsciente colectivo.
·         Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos psíquicos (conscientes). Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o sujeito da consciência. Ele entende o eu como o conjunto de todas representações que constituem o centro do campo da consciência.
Funções do eu: Pensamento, sentimento; sensação e intuição.

·         Inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao individuo. Consciste em todas as lembranças, desejos e outras experiencias da vida da pessoa que foram reprimidas ou esquecidas.
·         Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O inconsciente colectivo compreende conteúdos que segundo Jung, constituem o depósito de modos de reagir típicos da humanidade, por exemplo, medo do mal, relação entre os sexos, entre pais e filhos, situações típicas que o indivíduo enfrenta ao longo da sua existência.
  Segundo Jung, em base as modalidades como se enfrentam estes problemas constitui-se um depósito colectivo de predisposição ou reacção diferente, estas situações são independentes da cultura.
Jung Afirma ainda que o inconsciente pode-se alcançar directamente mas através de manifestações: símbolos e arquétipos etc.
Arquétipos
São determinantes inatos da vida mental que dispõe a pessoa a se comportar de modo semelhante ao dos ancestrais que se viram diante da situação análoga.
 Referem-se a símbolos que tem características semelhantes independentemente das diferenças culturais: herói, luta contra o bem e o mal. São formas universais de pensamento dotadas de conteúdo afectivo que cria determinada imagem de cada individuo.
Persona: é a mascara da personalidade que usamos no contacto com os outros, representando-nos tal como queremos aparecer na realidade. A persona pode não corresponder a verdadeira personalidade. Inclui nossos papéis pessoais, o tipo de roupa que usamos, o nosso estilo de expressão pessoal etc.
Sombra: é a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o núcleo da matéria reprimido na consciência. Ou seja, é a parte da personalidade que se ignora geralmente contem material desagradável, ela contem todos os desejos e actividades imorais e inaceitáveis. A sombra nos impele a emitir comportamentos que normalmente não nos permitiríamos.
Anima e ânimos: reflectem a ideia de que cada pessoa de um sexo exibe algumas características femininas presentes no homem e ânimos as características masculinas presentes na mulher. Estas características estão ligadas à imagem ideal do homem ou mulher que cada um de nós tem em si.
Self: é o arquétipo responsável pela integridade e estabilidade da personalidade. O self é o processo central, um impulso para a individuação (realização de si mesmo) ou aspiração a auto-realização.
 O processo de realização (individuação) e integração das componentes psíquicas
Segundo Jung todo indivíduo possui libido, ou seja esta energia fundamentalmente biológica, mas é neutra, ela tende a integração dos elementos conscientes e inconscientes. Neste caso emerge aqui a concepção finalista da libido em vez da função causal.
Auto- realização
Integrando as componentes conscientes e inconscientes, segundo Jung a vida psíquica é racional que irracional. A energia lipídica dá aquele estímulo para procurar sintetizar os elementos que são em contradição. Segundo Jung, a libido tem uma direcção que tende a realizar o indivíduo mas quando a libido encontra um obstáculo que bloqueia o seu fluir a pessoa percebe um certo tipo de mal-estar psíquico, ou seja, desequilíbrio, mesmo se este bloqueio seja positivo no sentido de que ajudar a pessoa a enfrentar o momento e sintetizar a sua vida.
Por outro lado, a actualização de si realiza-se através deste processo de individuação (tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como pessoa, mesmo com o dever moral da pessoa). A meta ideal para tornar-se “humano” é alcançar a conciliação entre o consciente e o inconsciente mesmo se obviamente, um desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio crescimento.
Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que constituem o modo como a pessoa reage aos estímulos que chegam, são modalidades de acção e existem dois modos fundamentais: Introversão e extroversão. Na primeira atitude o sujeito dirige a sua energia para o seu próprio interior, tende a ser introspectivo, é guiado por referências de tipo interior, enquanto o extrovertido dirige a sua energia para fora do eu, para eventos e pessoas do mundo exterior.
ALFRED ADLER E A PSICOLOGIA INDIVIDUAL
ALFRED ADLER E APSICOLOGIA INDIVIDUAL
Breves considerações biográficas
Nasce em Viena, em 1870, de família hebreia e morre 1937. O segundo entre 6 filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de raquitismo e de criança, desenvolveu uma competição com o irmão que era gémeo e sofria também pela limitação física, por isso desenvolveu uma certa sensibilidade para com os mais necessitados.
De formação era médico, neurólogo, psiquiatra, sociólogo. A sua atitude diante dos doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os doentes aos neurólogos enquanto este não tinha nenhuma lesão e neste caso o neurólogo não tinha instrumentos necessários para resolver o problema.
A obra fundamental escrita por Adler foi sendo intitulada de “temperamento nervoso”. Nesta obra evidencia o mal-estar ou distúrbio psíquico como consequência de uma atitude errada que o individuo adopta diante da lógica no enfrentar a vivência social. Segundo o autor, existe oposição entre o individuo e a sociedade.


Causas da divergência com Freud
Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas diverge com Freud porque não concorda com a ideia de que a libido seja a única fonte do distúrbio psíquico da própria personalidade mas diz que o distúrbio é resultado da afirmação exagerada de si.
Aspectos fundamentais da psicologia individual
Adler é o autor da psicologia individual (porque quer sublinhar que o individuo é único, irrepetível e que não é possível isolar um acto ou acção da totalidade da personalidade) ou teoria da unidade do indivíduo indivisível e livre, consciente dos seus próprios objectivos, responsável nas suas acções.
- Adler considerava que o comportamento humano é determinado por forças sociais e não biológicas e sugeria que podemos compreender a personalidade investigando os relacionamentos sociais e as atitudes que a pessoa tem com os outros. 
- Adler considerava a motivação humana, um esforço para atingir a sua superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de inferioridade é a força determinante do comportamento. Somos mais influenciados por aquilo que o futuro nos reserva.
- Segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria personalidade, a própria unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como unidade é uma necessidade de conservação (biológica e psicológica) e realização de si.
- Auto-realização é a necessidade fundamental e é vivida na criança como complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua energia para poder afirmar-se.
 -O ambiente é um facto que condiciona a inserção adequada na sociedade, as circunstâncias concretas onde o individuo actua o seu plano, o estilo de vida ou o projecto existencial.
- Para entender a pessoa segundo Adler, é necessário entender o fim a que as próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno psíquico precisa entender o fim concreto que a pessoa está perseguir.


TEORIA HUMANISTA
Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicólogos humanistas enfatizam o potencial de crescimento de pessoas saudáveis.
Nesta corrente conflui varias expressões da psicologia que partilham a satisfação dos pressupostos determinantes e reducionistas da psicanálise e do comportamentalismo. A psicologia humanista constitui-se como terceira força (como a chamada por Maslow) em oposição às duas correntes (acima citada) que então dominavam. Da psicanálise foi rejeitado o determinismo biológico, na dinamissidade das pulsões que supera a espontaneidade e a livre conduta individual enquanto o comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo objectivismo, que anula aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne a totalidade e a subjectividade.
O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as qualidades únicas dos seres humanos, especialmente a sua liberdade e potencial de crescimento pessoal.
Pressupostos teóricos da psicologia humanista
·         A teria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas saudáveis e criativas destacando o carácter único da personalidade humana, a busca de valores e sentido de existência alem da liberdade de que demonstra a auto-direcção e auto aperfeiçoamento. O comportamento depende do meio social na interacção com os factores internos.
·         Acentua o carácter da irreducional e unitário do Homem, onde as motivações de acção não são as pulsões promovidas por tendências não qualificáveis como a necessidades da exploração, a criatividade, a visão do mundo em que se exprime a própria identidade, a qualidade das relações com os outros e sobretudo a auto-realização.
·         Para sua natureza o Homem tem capacidade para auto-aprefeiçoamento ou auto realização (uso e exploração pleno de talentos, capacidades, potencialidades).


Os psicólogos humanistas:
·         Consideram os seres humanos fundamentalmente bons e as psicopatologias sub-entram quando o Homem é impedido de seguir as inclinações naturais.
·         Negam a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é inevitavelmente o produto das experiencias passadas.
·         Afirmam que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de modelar o próprio futuro, sobretudo se aceitam as experiencias do aqui e agora.
Maslow e a Teoria de Auto-realização
Abraham Maslow (1908-1970), em 1962, em Broohklin Coileg nos Estados Unidos deu início oficialmente a psicologia humanista.
Maslow descreveu a auto-realização como necessidade de tornar-se sempre mais aquilo que cada um é, de torna-se tudo aquilo que é capaz de ser.
Como fundador da psicologia humanista põe uma incondicionada confiança nas particularidades da natureza humana que é boa, onde a doença, a maldade ou as forças destrutivas são resultados da sua frustração e da prevenção da natureza humana (insatisfação de necessidades importantes), não há traços negativos inatos.
Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e desejos. Para compreender a sua personalidade e o seu comportamento devem ser analisadas as necessidades que orientam a relação da pessoa no seu ambiente. Nisto, Maslow realizou uma organização hierárquica de cinco necessidades ( a pirâmide das necessidades segundo Maslow) que progressivamente tem sido  satisfeita para perceber o crescimento e a maturação da pessoa, começando pela satisfação das necessidades fisiológicas ligadas à sobrevivência chegando a autorrealização e são estas necessidades que constituem a base da motivação do Homem.
1-      Necessidade fisiológica: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto de intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a higiene, etc.
2-      Necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das necessidades fisiológicas, e compreendem a necessidade da estabilidade de dependência, da protecção, da liberdade do medo, da ânsia e do caos, a necessidade de ordem e de lei, etc. Necessidade de sentir que o mundo é organizado e previsível; necessidade de se sentir salvo, seguro e estável.
3-      Necessidade de pertença e afecto (a filiação e de amor): necessidade de amar e ser amado, de pertencer e ser aceite; necessidade de evitar a solidão e alienação. A pessoa deseja relações de afecto com as pessoas em geral, deseja um lugar no seu grupo na sua família e procura realizar este objectivo;
4-      Necessidade de auto-estima e estima: depois da satisfação das necessidades de afecto, nasce o desejo de estima de si mesmo (auto-estima) e da parte dos outros (desejo de prestigio, de fama, de gloria;
5-      Necessidade de autorrealização: reflectem a tendência a realizar aquilo que é, tornar-se aquilo que é capaz de ser, tornar-se da tendência a realizar a própria personalidade na totalidade.
Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e singular. Neste nível o homem orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de valores de ser (being) e que incluem a beleza, a justiça, a lealdade. A satisfação destas necessidades dá saúde, enquanto a privação orienta a patologia.
Carl Rogers e a Perspectiva Centrada na Pessoa
O psicólogo humanista Carl Rogers concordava muito do que Maslow pensava. Rogers considerava que as pessoas são basicamente boas dotadas de tendências para auto -realização. Cada um de nós é como uma semente, pronta para o crescimento e a realização, a menos que seja frustrado por ambiente que inibe o desenvolvimento.
A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominado de fenomenológica. Este estudioso, parte da descrição do Homem considerado quadro de referência do indivíduo, descreve o indivíduo partindo seu mundo fenoménico, daquilo que o individuo percebe.
A teoria fenomenológica, orienta-se com base nos seguintes princípios
O comportamento duma pessoa pode ser visto:
·         Do ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o comportamento de um determinado individuo;
·         Do ponto de vista do sujeito que actua num determinado comportamento, sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção do sujeito a percepção duma determinada situação assim como ele a percebe)
O campo fenomenológico ou de percepção é constituído não tanto pela realidade objectiva, mas do mundo (seja interno que externo) como é percebido pelo sujeito. Este campo fenoménico dependendo dos autores, é exclusivamente consciente ou compreende elementos conscientes e subconscientes, para todos é muito importante e é verdadeira realidade do sujeito.
Rogers (1902-1987), na base das suas observações clinicas (1961) refutou a concepção psicanalítica do conflito de natureza sexual e favor duma concepção positiva do indivíduo.
O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em maneira natural à sua própria realização, de que o organismo é portador, representa o carácter motivacional mais importante da teoria rogeriana, seja no que diz respeito ao desenvolvimento da personalidade, seja pela importância do processo terapêutico.
O Homem é visto como um ser constituído por várias partes integradas e relacionadas entre si. Rogers parte do conceito do eu (self) para explicar a personalidade humana;
O conceito do “eu” exprime um modelo interno que se vai formando a partir das interacções que as pessoas têm com os vários contextos onde se movem. É um padrão organizado de percepções, sentimentos, atitudes que o individuo acredita ser exclusivamente seu.
O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do próprio esquema corpóreo, o conceito das próprias qualidades, tudo aquilo que o individuo sente como seu.
O “eu”como o centro da motivação: estrutura preceptiva do eu em determinados momentos vem estimulada; sujeito sente, por exemplo, que a execução daquela determinada tarefa é muito importante para si, e portanto, neste caso quando o eu é percebido como o centro de motivação este eu é muito co-ligado ao sentido do valor pessoal porque quando existe este aspecto da motivação o alcance duma determinada finalidade importante para o sujeito dará um sentido de valor pessoal, de satisfação, de sucesso.
Para além do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu ideal (conjunto de características que a pessoa gostaria de ser).
Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência natural para a realização, esforço no sentido de congruência entre “Eu” e experiência.
As interacções entre as pessoas são as que proporcionam o crescimento e o desenvolvimento do homem; auto- realização e é o principal força motivadora.
Para Maslow e Rogers, o aspecto central da personalidade é o auto -conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta à indagação “ Quem sou eu?” se nosso autoconceito é positivo, tendemos a agir e perceber o mundo de maneira positiva. Se é negativo se os nossos próprios olhos ficamos aquém do “ Eu ideal” sentimos insatisfeitos e infelizes.
PROCESSOS PSÍQUICOS/ COGNITIVOS
Processos Cognitivos são processos que tem como características mais salientes representar o sujeito, um objecto ou fenómeno, em geral, exterior ao próprio sujeito. O seu conjunto constitui a vida cognitiva ou intelectual. Os processos cognitivos possibilitam o Homem a realizar a catividade mental como a inteligência, capacidades, possibilidades, etc. O seu mau funcionamento comprometo a actividade mental.
São processos cognitivos:
Sensação: Fenómeno da consciência elementar resultante da excitação de um órgão dos sentidos provocados por um estímulo interno ou externo. Consiste em reflectir as características (propriedades) isoladas dos objectos.
Importância: Tomamos conhecimento do mundo em redor (sons, cores, cheiro, tamanho), graças aos órgãos dos sentidos. São os primeiros elementos que nos põem em contacto com a realidade e facilitam a apreensão da mesma. Os órgãos dos sentidos recebem, seleccionam e acumulam a informação e, transmitem ao cérebro, surgindo o reflexo adequado do mundo circundante e ao próprio organismo.
Percepção: acto de organização de dados sensoriais pelo qual conhecemos “a presença actual de um objecto exterior”: temos consciência da existência do objecto e sua qualidade.
As percepções actuam sobre nós e deixam imagem no cérebro que se apresenta sob forma de imagem.
A percepção está ligada a atenção: a atenção constitui a fase inicial da percepção e a principal forma de organização da actividade cognitiva. A atenção é indispensável à percepção, interpretação, compreensão, imaginação, assimilação, recordação e reprodução. Durante as aulas atenção ajuda a compreensão da essência das tarefas, ajuda a sua resolução e verificação.
Memória: capacidade de lembrar o que foi de algum modo vivido. Ela corresponde as seguintes operações ou processos: aquisição, fixação, a evocação, o reconhecimento e a localização das informações resultante de percepções e aprendizagem.
A memória facilita a organização, fixação e retenção do que é apreendido assim como a sua evocação, quando essa informação for necessário. Não haveria evolução do conhecimento se na medida que os adquiríssemos, os perdêssemos. A memoria conserva o passado e permite incorpora-lo na estrutura cognitiva do sujeito.
Processos da Memória
Aquisição: consiste no contacto com a informação
Fixação: para a fixação exige além da adequada aquisição, a repetição.
Evocação ou reprodução: consiste na lembrança do material fixado. É a reaparição na consciência de um fenómeno passado. As informações armazenadas tentam a ser evocadas junto das informações falsas.
Reconhecimento: identificação e uso de informações correctas, e as que vierem unidas são rejeitados. Consiste em referir ao passado as nossas lembranças, enquadrando-as num contexto de factos das nossas experiencias pessoal.
Localização: consiste em situar as recordações da nossa historia anterior em dispô-las umas às outras, de forma a marcar – lhes o local próprio no tempo e no espaço, para estabelecer a sua cronologia intima e pessoal.



Importância da Memória
- A memória é condição do progresso intelectual: na haveria evolução dos nossos conhecimentos se à medida que os adquiríssemos, os perdêssemos.
- A linguagem seria impossível sem memória, porque para falar é necessário reter as palavras e o seu sentido.
- Permite aperfeiçoarmos os nossos actos;
- A personalidade não existiria sem memória, pois é ela que conserva o nosso passado e permite incorporar no “eu” o que se vai seleccionando, para organização da personalidade.
Esquecimento
Esquecer é não saber reproduzir (lembrar) no dado momento os conteúdos apreendidos. O esquecimento é uma condição própria da memória pós desempenha uma função selectiva, afastando em determinada situação o material que não é útil ou necessário. 
Quando o aluno não armazena o material aparece o esquecimento. O esquecimento é o fracasso do esforço evocativo ou impossibilidade de reproduzir o passado.
Factores de esquecimento
·         Vastidão da matéria
·         Irrelevância do contudo
·         Falta de interesse
·         Doença da memória
·         O tempo ( as repetições devem ser curtas); 
·         Cansaço
Pensamento: é um processo cognitivo de tratamento de informação, que inclui elaboração dos dados sensoriais, armazenamento e resolução mental de problemas. Permite reflectir de forma generalizada a realidade objectiva sob a forma de conceitos, leis, teorias e suas relações.


Importância
- Ajuda o individuo a superar suas dificuldades desde as mais triviais até os mais complexos;
- Planificação e organização lógica dos procedimentos a ter em conta na aula;
- Reflexão sobre uma tarefa para encontrar as mais adequadas soluções
- Mudança de métodos habilidades de resolução das tarefas colocadas;
- Avaliação de diversas variantes de resolução para enfrentar uma resolução mais racional;
- É um factor de ligação entre o concreto e o abstracto.
Pensamento e linguagem
O pensamento esta socialmente condicionado e ligado com a linguagem, a fala. O pensamento humano é impossível sem a língua. Qualquer pensamento surge e se desenvolve em ligação indissoluvelmente com a linguagem. Quando mais profundo e bem ponderado é um certo pensamento, tanto mais dará e precisa é a sua expressão em palavras. O homem quando resolve um problema pensa de si para si como se estivesse a conversar consigo mesmo.
Imaginação: é um processo psíquico cognitivo, exclusivo ao homem, mediante o qual se criam (elaboram) imagens e noções que não existem na experiencia anterior, ou seja , a habilidade que os indivíduos possuem de formar representações, construir imagens mentais a cerca do mundo real ou mesmo de situações não directamente vivenciadas.
As bases da imaginação são as noções da memória que se completam novas percepções, transformando-se em novas percepção e noções.
Importância da imaginação
- A imaginação bem equilibrada dá ao indivíduo um certo optimismo e coragem para enfrentar as dificuldades e vence-las com firmeza;
- Alarga os horizontes da memória e percepção;
- É pela imaginação que prevemos o desenrolar dos nossos trabalhos;
- A imaginação alimenta a esperança, cria o futuro mais risonho, belo do que o presente.
DINÂMICA DO GRUPO
Conceito de grupo
A psicologia social ao estudar os factos sociais, com expressões comuns de sujeitos particulares, a partir da sua elaboração pessoal de mensagem em interacção, centra-se no estudo do grupo de que sujeitos fazem parte.
Um gruo é uma unidade social que consiste num número de indivíduos com estatuto definido e relações de papel de uns em relações aos outros estabilizadas em certo grau no tempo e que possuem um conjunto de valores ou normas do seu próprio modo de regular o comportamento dos membros individuais, pelo menos em assuntos com consequenciais ara o grupo.
Para melhor clarificação de conceito de grupo, devemos ainda distinguir grupo estruturado, como por exemplo, a família, a escola, o governo ou uma colectividade desportiva, de um grupo não estruturado, ou seja, um agregado de pessoas onde não existe qualquer tipo de ordenação social, é apenas um conjunto de pessoas, como por exemplo, as que esperam de um autocarro ou as que reúnem à volta de um acidente de trânsito.
Cada individuo pertence a muitos grupos em partes paralelos, em parte subordinados, em parte sobrepostos uns aos outros. Estes podem ser estruturas formais, como a família, a paróquia, o estado, ou podem constituir-se em grupos não formais, como sejam os grupos de jovens, os grupos de amigos e os grupos de trabalho.
Kurt Lewin e a dinâmica do grupo
Kurt Lewin (1890- 1947), prussiano judeu, dedicou-se na Universidade de Berlim ao estudo da psicologia infantil (percepção e memoria). Contudo deu particular importância à psicologia aplicada, isto é a psicologia cujo objectivo reside na solução de problemas sociais e humanos que se enfrenta na vida quotidiana.
Lewin, realizou, entre outros, estudos sobre a dinâmica de grupo. Uma vez que abordagem individual ou a propaganda patriótica não surtiram efeitos, Lewin empreendeu experimentações em grupos, concluindo que nestes pode encontrar-se a força necessária para modificar atitudes individuais, mesmo as mais tradicionais e arreigadas.
A partir de então, por solicitação de outras instituições, lewin passou a participar em investigações sobre o comportamento de integração de diversos grupos étnicos, de lealdade no grupo e em procedimentos para a dinamização das comunidades.
Lewin, empreendeu no que diz respeito `a dinâmico de grupo, uma teoria que se caracteriza pelos seguintes aspectos:
·         As alterações efectuadas em grupo, como um todo, são muito mais eficientes do que as tentativas para realizar individualmente
·         Um grupo exerce uma certa pressão sobre os seus membros; o grau desta pressão é proporcional ao seu teor atractivo, ou seja, um grupo fraco não exerce este poder.
·         Só é lícito falar do grupo, quando existe o desejo de os seus membros se manterem juntos e coesos.
·         Um dos factores que contribui para a coesão é a verificação individual de que, em grupo, se têm mais possibilidades de atingir as próprias finalidades. Assim, sempre que há dificuldades em resolver tarefas colectivas e não existem barreiras à sua formação, os grupos constituem-se espontaneamente.
·         O tempo e as interacções no grupo conduzem ao desenvolvimento de finalidade e padrões de acção comum. Então, s membros sentem-se motivados para reformular as suas próprias finalidades pessoais. Um grupo pode servir de referência porque fazer parte dele aderir aos seus padrões.
·         A boa organização e a produtividade de um grupo traduzem-se pela diversidade dos seus membros, isto é devem ser qualitativamente diferentes para que os membros se mantenham interdependente.
Estrutura e processos de grupo
Interacção – tarefas - redes de comunicação – conflitos – hierarquia - papéis sociais - expectativas e conformismo.

Quando um grupo se constitui, dá-se início a uma estrutura que se pode desenvolver em diversos sentidos. Dai resultam relações dos membros uns com os outros, destacam-se posições e verifica-se uma interacção: desenvolvem-se determinadas tarefas específicas e papeis segundo uma hierarquia, realizam-se redes de comunicação, desencadeia-se conflitos, criam-se expectativas e pode atingir-se um grau de conformismo ou inconformismo. 

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