A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA
Ciência e Senso Comum
Antes de iniciamos o estudo da psicologia, mostra-se
importante apresentarmos de forma breve uma visão básica sobre ciência, para
que possamos compreender a Psicologia como ramo científico.
Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original,
sobre um fato ou fenómeno qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das
experiencias que acumulamos em nossa vida quotidiana, através de experiências,
dos relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e artigos diversos.
Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os
únicos capazes de criar e transformar o conhecimento, somos os únicos capazes
de aplicar o que aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento;
somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e
com ele registar nossas próprias experiências e passar para outros seres
humanos. Essas características são o que nos permite dizer que somos diferentes
dos gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais considerados
irracionais, precisamente porque não tem a capacidade pensante, que caracteriza
o homem.
Existe
diferentes tipos de conhecimentos:
O Senso Comum: Conhecimento da realidade
Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida
por excelência: é a vida, quotidiano. É no quotidiano que tudo flui, que as
coisas acontecem, que nos sentimos vivos, que sentimos a realidade.
Quando fazemos da ciência baseamo-nos na realidade quotidiano
e pensamos sobre ele. O conhecimento do quotidiano (Senso Comum) e o
Conhecimento Científico aproximam-se e
afastam-se contemporaneamente. Aproximam-se enquanto a ciência se refere á
realidade e afastam-se enquanto a ciência abstrai a realidade para compreender
melhor, isto é transforma a
realidade em objecto de investigação permitindo a construção do conhecimento
sobre o real.
Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e
erros, a nossa vida quotidiano não teria o devido sentido, de vida.
A esta experiencia acumulada no quotidiano chamamos de
senso comum, ou seja, é o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e
erros que facilitam a nossa vida no dia-a- dia. Essa experiência torna-se hábito
e passa de geração em geração e assim o senso comum vai construindo suas
“teorias” médicas, físicas, psicológicas (poder de persuasão de um vendedor, um
amigo que escuta bem, etc.)
A ciência
Com as explicações mágicas, baseadas no Senso Comum, não
bastavam para compreender os fenómenos, os seres humanos evoluíram para busca
de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma,
nasceu a ciência, metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.
O ser humano é único animal na natureza com capacidade de
pensar. Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de
reflectir sobre o significado de suas próprias experiencia. Assim sendo, é
capaz de novas descobertas e de transmiti-las a seus descendentes.
O desenvolvimento do conhecimento humano está
intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber
de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste
saber para somar outro. Assim evolui a ciência.
Ciência: do latim “scire” que significa conhecimento, pode ser
definida como conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade
(objecto de estudo) expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa.
Características da Ciência
Ø A ciência é racional, sistemática e verificável da
realidade. Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na
metodologia científica.
Ø A ciência é um processo, facto que um novo conhecimento é
produzido sempre de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se,
reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança;
Ø A ciência deve verificar objectividade, suas conclusões,
devem ser passíveis de verificação e isentas de emoções, para tornarem-se
validas para todos.
Ø A ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa,
técnica; possui métodos e técnicas especificam.
O processo cumulativo de conhecimento, objectividade faz
da ciência uma forma de conhecimento que supera em muito o senso comum, características que permitem que denominemos científico
a um conjunto de conhecimentos.
Não existe um divisor nítido entre o conhecimento empírico
e científico, visto que a pesquisa científica não se realiza no “vácuo
intelectual”, mas sempre está mergulhada em um contexto – o conhecimento nasce,
em última instância de problemas observados e acontecimentos encontrados na
experiencia humana.
CONCEITO DE PSICOLOGIA
O termo Psicologia é de origem greco-latino, e
etimologicamente pode traduzir-se no seguinte: psiché = alma, lógia = logo;
estudo ou ciência. Assim, a palavra psicologia significa estudo da alma ou ciência
da alma, ciência que estuda as ideias, sentimentos, e determinação cujo, o
conjunto constitui o espírito humano.
Esta definição permaneceu até aos meados do século XIX
devido ao seu desenvolvimento condicionado com a Filosofia.
Como ciência autónoma com objecto de estudo e métodos
próprios de investigação, ela é definida como ciência que estuda o comportamento do homem e dos outros animais.
A psicologia supõe-se a outras ciências sociais,
especialmente a sociologia, mas enquanto a sociologia concentra-se sua atenção
nos grupos, processos grupais e forças sociais os psicólogos sociais
concentram-se nas influências que os grupos e a sociedade exercem sobre os
indivíduos. A ênfase da psicologia está no ser humano a diferença dos
fisiólogos (biólogos) que se concentram no sistema nervoso, cérebro, memoria,
atenção, movimento, fome, impacto das drogas.
Actualmente
a psicologia é definida como ciência que se concentra no comportamento e nos
processos mentais – de todos os animais.
Ciência: enquanto ciência oferece procedimentos
disciplinados e racionais para condução de investigações validas e a construção
de um grupo de informações coerentes e coesas.
Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais
fazem: conduta, emoção, formas de comunicação, processos de desenvolvimento.
Processos mentais: incluem formas de cognição ou formas
de conhecimento, de entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar ou
resolver problemas, sonhar, fantasiar, desejar são também processos mentais.
Assim, o objecto
de estudo da psicologia é o comportamento e processos mentais dos seres
vivos especificamente homens e animais, isto é, a psicologia estuda respostas
ou conjuntos de respostas observáveis de um individuo ou de um grupo, a uma
situação ou estimulo.
Importância da Psicologia
Por ser uma vasta ciência multiprespectiva a se aplicar em todas as áreas da vida humana, tais como
no ensino, na saúde, na família, no comércio, no desporto, etc. a psicologia
possui uma vasta importância.
Ø No ensino permite ao professor conhecer as
particularidades individuais dos alunos para melhor planificar e administrar as
aulas, identificar e resolver os problemas de processo de ensino de
aprendizagem.
Ø Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma
melhor comunicação com o paciente e vice-versa.
Ø Para os governantes a psicologia permite uma óptima
comunicação com as massas
Ø Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a
natureza de diferenciação dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus
problemas do dia-a-dia, conhecer a forma de agir de cada um, as tendências
comportamentais, as atitudes, as motivações dos outros Homens.
Objecto de estudo da Psicologia
O Objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência
é a realidade ou aspectos da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou explicar.
Para compreender o objecto de estudo da psicologia é preciso
compreender a diversidade de objectos definidos por várias correntes
psicológicas.
A diversidade dos objectos de estudo da Psicologia
Behaviorismo
ou comportamentalismo:
segundo estes teóricos o objecto de estudo da psicologia é o comportamento;
Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o
inconsciente;
Outros
psicólogos: objecto de estudo
da psicologia é a consciência ou ainda a personalidade humana.
RAZÕES DA DIFICULDADE DE DEFINIÇÃO DO OBJECTO
Ø
Por
ser uma área de conhecimento científico que se constitui recentemente não
obstante a sua existência dentro da filosofia como preocupação humana.
Ø
Outro
motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da psicologia é o facto
do cientista – pesquisador confundir-se com objecto a ser pesquisado a concepção
do Homem “ contamina” inevitavelmente a sua pesquisa.
Ø
Em
terceiro lugar esta dificuldade justifica-se pelo facto dos fenómenos
psicológicos ser tão diversos, que não podem ser acessíveis ao mesmo nível de
observação, não podem ser sujeitos aos mesmos padrões de descrição, medida,
controle e interpretação.
A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia
Considerando toda esta dificuldade na definição única do
objecto da psicologia, podemos considerar como a subjectividade.
A identidade da psicologia é o que diferencia dos demais
ramos das ciências humanas, e pode ser obtida considerando que cada um desses
ramos enfoca o Homem de maneira particular, construindo conhecimentos distintos
e específicos a respeito dela. A psicologia colabora com o estudo da
subjectividade: é essa a sua forma particular, especifica de contribuição para
a compreensão da totalidade da vida humana.
A subjectividade é a síntese singular e individual que
cada um de nos vai construindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando
as experiencias da vida social e cultural. É a síntese que nos identifica por
ser única e nos iguala na medida em que os conhecimentos que constituem são
experienciados no campo comum da objectividade social. É o mundo de ideias,
significados, emoções, construindo inteiramente pelo sujeito a partir das suas
relações sociais, suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das
manifestações afectivas. A subjectividade é a maneira de sentir, pensar,
fantasiar, sonhar, amar, e de fazer de cada um. É o nosso modo de ser.
Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se do material do mundo
social e cultural.
A subjectividade em psicologia é vista em dois níveis: subjectividade social e individual. A subjectividade individual representa o
espaço pessoal dos sentidos que se atribui ao mundo real (valor, cultura,
experiencia, ideias) e a subjectividade
social é comparável com o sentido que a sociedade ao mundo real.
ESTRUTURA E TAREFAS DA PSICOLOGIA
-
Métodos da Psicologia
Estrutura e tarefas da psicologia
Psicologia
Industrial: estuda a
estruturação do trabalho, a conduta dos trabalhadores, a selecção dos
trabalhadores, o incremento da produção e da produtividade, a avaliação dos
funcionários e as greves dos trabalhadores.
Psicologia
Pedagógica: estuda a
problemática psicológica no quadro escolar. Tenta compreender os problemas de
adaptação, as relações e de aprendizagem.
Psicologia
Clínica: dedica-se a
prevenção e terapia e dos desajustamentos de conduta qualquer que seja o seu
grau de gravidades.
Psicologia
Social: estuda a conduta
humana na perspectiva de grupos de colectividades. Investiga o processo de
interacção entre os membros do grupo e as influenciais grupais sobre a dinâmica
dos indivíduos.
Psicologia
Jurídica: analisa as
questões psicológicas relacionadas com a realização do sistema do direito.
Psicologia
Militar: estuda a conduta
do Homem no campo de combate, de aspectos psicológicos das relações entre os
chefes e os subalternos, os problemas psicológicos de uso de material de
guerra.
Psicologia
Experimental: estuda os
princípios psicológicos básicos (sensação, percepção, atenção, motivação,
memoria, pensamento e emoções) em situação laboratorial visando a solução de
problemas práticos de dia a dia da humanidade.
Psicologia
do Desporto: analisa as
particularidades psicológicas do indivíduo e da actividade. Dos desportistas,
as condições e os métodos da sua preparação psicológica, os parâmetros
psicológicos de preparação e da capacidade do desportista e os factores
psicológicos relacionados com a organização de competições.
MÉTODO DA PSICOLOGIA
Método
na perspectiva psicológica é o
caminho ou via utilizada para esclarecer as manifestações ou causas de um
comportamento, de manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba
todos aqueles que frequentemente são usados pelos psicólogos como:
·
Introspecção ou método introspectivo
É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus
estados psíquicos. Supõe um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo
observador e observado. O sujeito é o próprio objecto.
·
Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)
Consiste na observação, descrição e explicação dos
comportamentos dos outros. Portanto, as manifestações exteriores do sujeito,
são devidamente anotadas e observadas por um observador.
·
A Observação (Método de Observação)
A observação como método em psicologia consiste na
percepção directa ou indirecta, atenciosa, racional, planificada e sistemática,
das manifestações do comportamento nas suas condições naturais, com objectivo
de dar uma explicação.
·
A experimentação (Método Experimental)
É a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno
a estudar e controla os possíveis factores e condições que podem incidir na sua
produção e desenvolvimento com o objectivo de conhecer a natureza interna do
processo psíquico e desta forma descobrir as leis objectivas que explicam.
A experimentação como método em psicologia usa-se
geralmente em estudo de caso ao nível animal porque é difícil manipular o
comportamento humano, por razões morais, éticas até, mesmo razões ligadas à
saúde.
·
Método analítico ou psicanalítico
É método interpretativo que busca o significado oculto,
isto é, que torna claro o significado daquilo que é manifestado por meio das
palavras e acções.
·
Teste psicológico
Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas,
que tem como objectivo avaliação e comparação de sujeitos quanto a qualidade da
personalidade, habilidades, nível de desenvolvimento intelectual, efectuando-se
esta comparação sobre a base de normas estabelecidas previamente.
Existem testes psicológicos para medir tantos aspectos
cognitivos como aspectos afectivos da personalidade.
Os testes psicológicos não consistem em obter dados que
serão necessários para o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mais sim
em estabelecer as qualidades psicológicas da pessoa submetida experiencia para
se analisar se corresponde ou as normas ou padrões revelados anteriormente.
Este grupo de teste é utilizado para revelar a existência
ou a ausência de certas capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de
precisão certas qualidades do individuo para exercer certa profissão, etc.,
podem ser teste de inteligência, de capacidade, de aptidões, de personalidade.
RELAÇÃO DA PSICOLOGIA COM OUTRAS CIÊNCIAS
Relação da Psicologia com outras Ciências
A filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a
Biologia, entre as ciências que contribuem para a compreensão do comportamento humano,
em particular. Vejamos a possível relação que estabelece:
Filosofia:
a correlação que existe entre o
corpo e a alma, na filosofia vai permitir de modo que a psicologia especule e
forneça hipóteses empiricamente testadas. Neste sentido, pode-se afirmar que a
filosofia forneceu à psicologia os primeiros quadros conceptuais.
Antropologia:
interessa-se pelas formas
culturais dos povos. Estes dados são importantes porque dão ao psicólogo a
consciência da relatividade cultural dos valores, dos motivos, das aspirações
dos indivíduos, o que obriga a ter presente a influência da cultura no
comportamento do indivíduo.
Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a
estrutura dos grupos e o seu funcionamento. Estuda, também, o comportamento
humano na perspectiva dos grupos.
História: permite nos conhecer o desenvolvimento do Homem através
dos tempos e compreender a partir dessa evolução as características actuais das
várias realidades sociais que influenciam no comportamento do indivíduo.
Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do sistema
Nervoso, as glândulas secretoras e seu funcionamento. O sistema nervoso capta
estímulos, os organiza e emite respostas ou actos de conduta, e a secreção de
hormonas permite que o sistema Nervoso fique estimulado numa determinada direcção.
Um dos principais ramos da biologia que se relaciona com
a Psicologia é a genética. A genética estuda os processos hereditários
subjacentes ao comportamento.
EVOLUÇAO DA CIENCIA PSICOLOGICA
Os grandes períodos da Evolução da Psicologia
Pode-se considerar três grandes períodos/ fases da
evolução da Psicologia
Fase
Filosófica: é a fase
relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da natureza dos
reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de carácter racional.
Os filósofos explicavam os fenómenos da natureza (formação de cosmos e de
origem do próprio homem) de forma mitológica. O saber psicológico estava em
volta a vasta área do conhecimento filosófico, portanto, classificado como
especulativo, por não poder provar suas conclusões.
Fase
Pré-científica: dedicava-se ao
estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com base na experiencia do
dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que se abre o caminho
para a cientificidade da psicologia. A interpretação e consequente conhecimento
dos fenómenos psíquicos eram fundamentados em parte pelo saber filosóficos,
influenciados pela experiência quotidiana (social e reflexão sistemática) dos cientistazita.
Fase Científica:
Contribui de forma marcante para a cientificação da
Psicologia a institucionalização, pelo psicofisiologista Alemão wilhemWundt, em
1879, de um laboratório de Psicologia, na cidade alemã de Leipzig. O
laboratório permitiu o desenvolvimento de métodos de estudo próprios, a
reverificação do objecto de estudo, e consequente afirmação de seu conceito
como ciência que estuda os fenómenos psíquicos, ou simplesmente, estudo do
comportamento.
O PENSAMENTO PSICOLÓGICO ANTES E DEPOIS D SÉCULO XVIII
Psicologia e História
Para compreender a Psicologia é necessário compreender a
sua história, essa história que está ligada a cada momento histórico, às
exigências do conhecimento da humanidade, as demais áreas de conhecimento
humano e aos novos desafios colocados pela realidade económica e social e pela
insaciável necessidade do Homem de compreender a si mesmo.
A PSICOLOGIA ENTRE OS GREGOS
É entre os filósofos gregos que surge a primeira
tentativa de sistematizar uma psicologia. De facto, os avanços permitem que os
cidadãos se ocupem de coisas do espírito, com a filosofia e a arte – homens
como, Sócrates, Platão e Aristóteles dedicavam-se a compreender esses espírito
empreendedor do conquistador grego, ou seja, a filosofia começou a especular o
Homem e a sua interioridade. O próprio termo Psiché = alma e logos (razão),
portanto etimologicamente psicologia significam estudo da alma.
Sócrates (496-399 a.C.): com
ele a psicologia na antiguidade ganha consciência. Segundo Sócrates o que
distingue o Homem do animal é a Razão porque
permite ao Homem de sobrepor-se aos instintos, que seriam a base da
irracionalidade definido a razão como essência e peculiaridade do homem, Sócrates
abre um caminho que será explorado pela Psicologia: fruto desta reflexão são
por exemplo, as teorias da consciência que de certa forma são resultado desta
sistematização na filosofia.
Platão
(427-347 a.C.): discípulo de Sócrates,
procura o «lugar» para a razão no nosso corpo (cabeça), onde se encontra a alma
do Homem. A medula será o elemento de ligação da alma com o corpo, este
elemento era necessário porque concebia a alma separa do corpo (dualismo). Quando
alguém morria a matéria (corpo) desaparecia, mais a alma ficava livre para
ocupar outro corpo (reincarnação).
Aristóteles
(384 -322 aC): discípulo de
Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história da filosofia,
superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo (inovação). Para ele a
psyché era o princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo que cresce, se
reproduz e alimenta possui a sua psyché ou alma (vegetação, animais, Homem)
·
Alma vegetativa-vegetais: função reprodutiva e alimentar
·
Alma sensitiva-animais: função de percepção e movimento
·
Vegetativa, sensitiva e racional função pensante
Aristóteles estuda as diferenças entre a razão, percepção
e sensações, estudo sistematizado no “Da
Anima” o qual pode ser considerado o primeiro tratado de Psicologia.
Portanto, 2300 anos antes da Psicologia científica, os
gregos já haviam formulado duas “teorias” platónica – que postulava a
imortalidade da alma e a da do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a
mortalidade da alma e a sua relação de pertencimento ao corpo.
A psicologia no Império Romano
O império Romano nasce às vésperas da era cristã, domina
parte da Grécia, Europa e do Oriente Médio. Característica deste período é o
advento do cristianismo, força religiosa que passava á força política dominante
que não obstante as invasões bárbaras de 400 d.C. que levavam á degradação
territorial e económica, o cristianismo sobrevive e até se fortalece,
tornando-se a religião principal da idade Media, período que então se iniciara.
Falar da Psicologia neste período é relacionada ao
conhecimento religioso, o qual dominando o poder económico e político
monopolizava também o saber e, consequentemente o estudo do psiquismo.
Santo
Agostinho (354-430d.C):
inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele e que a
alma, não é somente a sede da razão mas também a prova de uma manifestação divina
no Homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o Homem à Deus e sendo
a alma também a sede do pensamento a igreja passa a se preocupar também com a
sua compreensão.
São
Tomas de Aquino (1225- 1274):
vive num período que preanuncia a roptura da igreja católica, o advento do
protestantismo, época que prepara a transição para o capitalismo, com a
revolução francesa e a revolução industrial da Inglaterra. Perante essa crise
social e económica a igreja devia encontrar novas justificações em relação ao
conhecimento com a relação com Deus e o Homem. São Tomas de Aquino foi buscar
em Aristóteles a distinção entre, a essência afirma que somente Deus seria
capaz de reunira essência e existência como Aristóteles, ele considera que o
Homem, na sua essência busca a perfeição através da sua existência mas
introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de Aristóteles, afirma
que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a existência, em termos de
igualdade. Portanto, busca da perfeição do Homem seria a busca de Deus.
A PSICOLOGIA DO RENASCIMENTO
Mais ou menos 1200 anos depois da morte de S. Tomas
inicia uma época de transformações radicais no mundo europeu: renascimento ou renascença
o mercantilismo, e a descoberta de novas terras (América, Índia, Rota Pacifica)
propicia a acumulação das riquezas para a França, Itália, Inglaterra, França,
Espanha. Na transição para o capitalismo emerge nova forma de organização
social e económicas, dá-se também um processo de valorização do Homem.
Alguns, marcos que definiram o avanço da ciência
·
1543
– Copérnico mostra que o nosso planeta não é o centro do universo
·
Galileu
estuda a queda dos corpos, realizando as primeiras experiencias da física
moderna, avanço que principia o início da sistematização do conhecimento
científico; começam a estabelecer-se métodos e regras básicas para a construção
de conhecimento
René
Descartes (1596-1659): um
dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a separação
entre a mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem possui uma substância
material e uma substância pensante e que o corpo, desprovido do espírito era
somente uma maquina-dualismo corpo e mente que toma possível o estudo do corpo
humano morto, o que era impossível nos séculos anteriores (corpo era
considerado sagrado pela igreja, por ser a sede da alma) e dessa forma
possibilita ao avanço da anatomia e da fisiologia que iria contribuir muito
para o progresso da Psicologia.
ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA
A Psicologia Científica
No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário
devido ao crescimento na ordem económica CAPITALISMO que traz a
Industrialização. A ciência dá novas respostas e solução prática no campo e
técnica. Para melhor compreensão, analisamos as características da sociedade,
algumas fases do desenvolvimento influenciadas pela política social e
económica.
Período Feudal:
1.
Produção
de subsistência;
2.
Relação
Senhor Feuda-servo
3.
Sociedade
estável
4.
Papéis
escritos
5.
Hierarquia
– base de verdade: centralização do poder.
Período capitalista:
Põe o mundo em movimento com necessidade de abastecer os
mercados e produzir mais. Algumas características desta fase:
·
Buscou
nova matéria-prima na natureza
·
Criou
novas necessidades, questiona as hierarquias para derrubar a nobreza e o clero
dos seus lugares há séculos estabelecidos.
·
O
universo também foi posto em movimento, o sol tornou-se o centro do universo,
que passou a ser visto sem hierarquização
·
Superou-se
o antropocentrismo (o Homem centro do universo), passando a ser visto um ser
livre, capaz de construir o futuro;
·
O
servo liberto do seu vínculo com a terra pode escolher seu trabalho e seu lugar
social;
·
O
capitalismo toma todos os Homens consumidores, em potências das mercadorias
produzidas;
·
O
conhecimento tornou-se livre, independente da fé, os dogmas da igreja foram
questionados e a racionalidade do Homem apareceu como grande possibilidade de
construção do conhecimento.
A Burguesia
O capitalismo traz como consequência a formação de uma
nova classe, a burguesia, com as seguintes características:
·
Disputa
do poder e surge como nova classe social e económica;
·
Defende
a emancipação do Homem para emancipar-se também;
·
Era
preciso quebrar a ideia do universo estável para poder transformá-lo, era
preciso questionar a natureza para viabilizar a sua exploração em busca de matérias-primas,
condições materiais para o desenvolvimento da ciência moderna: conhecimento como fruto da razão.
Consequências
A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais
aprofundados, que exigiam algum tipo de suporte financeiro fez com que
surgissem novos contornos nas diversas áreas de saber: são exemplos disso:
Surge Charles DARWIN- enterra o antropocentrismo com sua
tese evolucionista (teoria da evolução das espécie - selecção natural)
HEGEL- sublinha a importância da história para a
compreensão humana a ciência; a própria filosofia adapta-se aos tempos.
Augusto CONTE- com o seu positivismo, postula a
necessidade de maior rigor científico na construção dos conhecimentos nas
ciências humanas, desse modo propunha o método das ciências naturais: física
com modelo de construção do conhecimento.
Na metade do século XIX temas e problemas até então
estudado pelos filósofos passam a ser estudados pela fisiologia,
neurofisiologia em particular formulação de teorias sobre o SNC, demonstrando
que o pensamento, as percepções e os sentimentos humanos eram produtos deste
sistema.
O Capitalismo trouxe uma máquina – criação fantástica que
determinou a forma de ver o mundo (o mundo visto como uma maquina), o mundo
como um relógio, todo o universo como se fosse uma máquina, isto é, que podemos
conhecer o seu funcionamento, a sua regularidade, as suas leis, uma forma de
pensar que atingiu as ciências humanas, facto que, para se conhecer o psiquismo
humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e funcionamento da
máquina de pensar do Homem: O CEREBRO.
Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da
fisiologia, da neurotomia e da neurofisiologia.
Resultado disso, 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da acção directa
ou indirecta de diversos factores sobre as células cerebrais; Neurotomia descobre que actividade
motora nem sempre está ligada à consciência para não estar necessariamente na dependência
dos centros cerebrais superiores, ex.: quando alguém queima a mão na chapa
quente, primeiro tira a mão para depois perceber o que aconteceu, fenómeno
denominado REFLEXO, e o estímulo que chega a medula espinal, antes de chegar
aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para a resposta, que tirar a
mão: caminho natural dos fisiologistas, estudo da fisiologia do olho e a
percepção das cores – Fenómenos psicológicos. Foram importantes os estudos do
psicofisiologista Russo Ivan Pavlov sobre os reflexos condicionados.
Em 1860 é formulado uma lei no campo da psicofísica, a
lei de Fechner- Weber que estabelece
a relação estimulo-sensação, permitindo a sua mensuração - aumento da
intensidade de uma luz e o seu efeito como esta lei os fenómenos psicológicos
vão adquirindo status científicos, porque, para a concepção da ciência da época
o que não era mensurável, não era possível de estudo científico.
Wilhelm
Wundt (1832-1926), na Universidade
de Leipzing, na Alemanha, cria um laboratório para realizar experimentações na
área da psicofisiologia, por este facto e da extensa produção teórica na área é
considerada o pai da Psicologia Moderna,
Psicologia cientifica.
Em resposta de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:
·
Paralelismo
psicológico: aos fenómenos mentais correspondem fenómenos orgânicos, por
exemplo: estimulação física: picada de agulha na pele teria uma correspondência
na mente desse indivíduo.
·
Método:
para explorar a mente ou a consciência do indivíduo, wundt cria um método que
domina Introspecionísmo- o experimentador pergunta ao sujeito, especialmente
treinado para a auto observação, os caminhos percorridos no seu interior por
uma sensorial (a picada de agulha por exemplo).
PSICOLOGIA CIENTIFICA
Psicologia científica
O berço da Psicologia moderna foi na Alemanha no final do
século XIX (19). Wundt, Weber e Fechener trabalharam juntos na Universidade de
Leipzing- seguiram para aquele país muitos estudiosos dessa nova ciência, como
o Inglês Edward Titchner e o Americano William James.
Seus Status de ciência é obtido a medida que se “liberta”
da filosofia, que marcou a sua história até aqui a atrai novos estudiosos e pesquisadores,
que sob novos padrões de produção de conhecimento, passam a:
·
Definir
seu objecto de estudo
·
Delimita
seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento como a
filosofia, fisiologia.
·
Formula
métodos estudo deste objecto
·
Formular
teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na área.
A psicologia científica nasce na Alemanha mas se
desenvolve, cresce rapidamente nos Estados Unidos como resultado de grande
avanço económico colocado na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem
as primeiras abordagens ou escolas e psicologia, as quais deram origem as
enumeras teorias que existem actualmente. Essas abordagens são:
v O Funcionalismo, de William James (1842- 1910)
v O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867- 1927)
v O Associacionismo, de Edward Thormdike (1874-1949)
1-
O Funcionalismo
(Escola Funcionalista)
Primeira sistematização Americana de conhecimento em Psicologia,
numa sociedade que exigia pragmatismo para o seu desenvolvimento económico
acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Portanto, para a
escola funcionalista de James importa responder “ o que fazem os homens” e “
por que o fazem” para responder a isto, James elege a consciência como centro
de suas preocupações e busca a compreensão do seu funcionamento, na medida em
que o Homem usa para adapta-se à realidade.
2-
O Estruturalismo
Começa com Wundt e continua com Titchner, os quais definem
como o objecto de estudo da Psicologia a consciência também mas focalizado os
seus aspectos estruturais, isto é os estados elementares da consciência como
estrutura do SNC, inaugurada por Wundt mas somente o seu seguidor Titchner usa
o termo estruturalismo pela primeira vez para diferencia-lo do funcionamento. O
método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é a introspeccionismo,
e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais,
isto é, produzidos a partir do laboratório.
3-
Associacionismo
Eduward Thormdike, primeiro fundador de uma teoria de
aprendizagem na Psicologia de Aprendizagem na preocupação da aplicação prática
da Psicologia e não só especulação filosófica.
Associacionismo origina-se da concepção de que a
aprendizagem se dá por processo de associação das ideias mais simples às mais
complexas. Assim para aprender algo complexo precisamos de aprender as ideias
simples associadas aquele conteúdo.
Thormdike formula a “lei de feito” que seria de grande
importância na Psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei” todo o
comportamento de um organismo vivente tende a se repetir, se nós o
recompensarmos (efeito) o organismo assim que repetir/ emitir o comportamento”.
Por outro lado o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for
castigado (efeito) após a sua ocorrência. Ex.: Se apertarmos o botão de rádio formos
premiados pela música, em outas oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem
como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca discos.
As principais Teorias da Psicologia do Século XX
A psicologia enquanto ramo da filosofia estuda a alma, a
psicologia científica que wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o
conhecimento científico produzido no laboratório com uso de instrumentos de
medição/ mensuração. Da subordinação da filosofia se liga à medicina, usando o
método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso da
construção do conhecimento.
A Psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo,
Estruturalismo e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas
Teorias. As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia neste
século consideradas por inúmeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a Psicanálise.
O Behaviorismo ou Comportamentalismo
O comportamentalismo, ou teoria S-R do inglês Stimuli – Response, nasce com o americano Watson e se
desenvolve na América em função das aplicações práticas, tornou-se importante
por ter definido o facto psicológico de modo concreto a partir da noção de
comportamento.
Em 1913, o Americano John Watson numa revista intitulada”
Psicologia como os behavioristas a vêem” inaugura o termo behaviorismo.
Behavior, comportamento postulado por Watson como objecto da Psicologia, dá a
psicologia a consciência procurada a séculos: objecto observável, mensurável
cujos experimentos poderiam ser produzidos em diferentes condições e sujeitos.
O carácter
observável do objecto contribui para o alcance de status de ciência da Psicologia,
ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson defende uma perspectiva
funcionalista para a Psicologia, isto é, o Comportamento deveria ser estudado
como função de certas variáveis do meio.
Watson busca uma Psicologia sem alma e sem mente, livre
de conceitos mentalíssimas e métodos subjectivos e que tenham a capacidade de
prever e controlar.
R – S usa-se para referir-se ao que o organismo faz e
as variáveis ambientais que interagem com o sujeito.
O Comportamentalismo nega o estudo da consciência: o Comportamentalismo
representa uma revira volta radical no que se refere ao objecto de estudo da Psicologia,
do momento em que se limita ao estudo do comportamento observável e nega o
estudo da consciência. Watson afirmou que a Psicologia deve considerar-se a
ciência do comportamento, pois a consciência e alma são objecto de pesquisa
inconsistentes para uma ciência empírica. Segundo Watson, a tarefa da Psicologia
consistia no estudar as relações cientificamente determinadas entre as
situações estimulantes (S) e a relação provocada (R)
·
Paradigma
comportamental: estimulo (S) --------------àResposta (R)
Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e
identificadas as leis, pode-se explicar cada uma das reacções como resultado de
um determinado estimulo e poder prever qual reacção pode seguir uma determinada
situação estimulante.
Os comportamentalistas admitem entre o estimulo e a
resposta este já presente a actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal
actividade está fora do alcance, que psicologia não deve interessar –se daquilo
que acontece dentro do organismo ( processos neurofisiológica, processos
inconscientes). Sustenta que a Psicologia deve interessar-se daquilo que entra
(imputa) na “caixa preta” e aquilo que sai (output) sem ter que se ocupar
necessariamente da complexa actividade desenvolvida pelo cérebro no seu
interior. Deste modo os comportamentalistas reduzem o âmbito da Psicologia
somente ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos objectivos
de verificação, estudando a regularidade do comportamento independente
correlatados neurofisiológica.
Análise experimental do comportamento
Frederik Skinner (1904- 1990), Americano é considerado o
mais importante sucessor de Watson. A sua teoria tem até hoje é influenciado.
Inaugura o behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945,
para designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs
defender) por meio da análise experimental do comportamento algumas noções
importantes no behaviorismo de Skinner são:
Comportamento operante: base da corrente formulada por
Skinner, entendendo este conceito é necessário retroceder aos conceitos de
comportamento reflexo ou respondente.
1-
Comportamento
respondente: usualmente chamada de “ não voluntário” e inclui as respostas que
são aliciadas (produzidas) por modificação especiais do ambiente – interacção estimula-resposta
(ambiente sujeito) incondicionada (não dependem da aprendizagem: limão-
salivação; ou as famosas “ lágrimas de cebola”, etc.)
2-
Comportamento
operante: tem efeito sobre o mundo. Ex.: tocar um instrumento musical.
Skinner desenvolveu seu trabalho de estudo do
comportamento respondente, teoriza sobre um outro tipo de relação individuo-
ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise da ciência: comportamento
operante opera sobre o mundo, por assim dizer, que directa ou indirectamente e
abrange um leque amplo de actividade humana, da actividade do recém-nascido
(balbuciar, acatar-se a um objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados
pelo adulto.
A PSICOLOGIA DE FORMA
A escola da gestalt
Gestalt é um termo alemão que se pode traduzir como «forma»,
«figura», «configuração», entendendo também um aspecto de organização de que se
entende melhor quando se fala da percepção visível.
As principais figuras da Gestalt são Alemães: Max
Wetmeir, Wolfgang Kohler e Kurt Kofka.
A
Gestalt nega decompor a
consciência nos seus elementos mais elementares, nega a concepção e métodos que
descendem deste estudo e que tendem a uma teoria elementista.
Os
Psicólogos da gestalt
estudam em particular os processos cognitivos em particular a percepção visual
e o pensamento.
Conceito fundamental da psicologia de forma é o aforisma:
«o todo é mais que a soma das partes» As
leis da percepção visiva: são leis sobre a constituição das totalidades
preceptivas que eram chamadas Gestante ou factores estruturantes. Essas leis
afirmam que as apartes de um corpo perceptivo tendem a construir outras gestantes
(formas unitárias) que são de tal forma coerentes e unidas, quanto mais os
elementos são. Vizinhos (lei de
aproximação); Semelhantes (lei de
semelhança); Tendem a forma fechada
(lei de fechamento); Disposto ao longo duma mesma linha (lei de continuação).
A PSICANALISE
Sigmund FREUD (1856-1939) médico vienense (Áustria),
alterou radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os
processos misteriosos “ o psiquismo” suas “regiões obscuras”, isto é as
fantasias, os sonhos, o esquecimentos, a interioridade do homem, como problema
científicos. A investigação sistemática destes problemas levou FREUD criação da
psicanálise.
Freud emprega o termo psicanálise pela primeira vez em
1896. A psicanálise constituiu-se como método e como teoria, e ainda como
terapia. Como método consiste na interpretação e busca do significado oculto
daquilo que é manifesto por meio de palavras ou acções e como teoria pode ser
definida como conjunto de conhecimentos, sistematizado sobre o funcionamento da
vida psíquica.
Freud postula o
inconsciente como objecto de estudo da psicologia, da mesma forma que
quebra a tradição da psicologia como uma ciência e da razão.
A
Teoria da Personalidade segundo Freud
Freud considerava a personalidade constituída de três grandes
sistemas/ estruturas cada um com sistemas próprios mas integrados: ID, EGO, SUPEREGO.
ID
O ID ou inconsciente (infra eu) é o núcleo primitivo da
personalidade. Não sofre as influências das forças sociais e conscientes que
formam o individuo. A sua preocupação é satisfazer as necessidades instintivas
de acordo com o princípio de prazer. O id é a estrutura original básica e mais
central. As leis lógicas do pensamento na se aplicam ao id. O id é a sede das
pulsões e os desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento-
processo mental pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são
reprimidos). Não conhece o bem nem o mal, nenhuma moralidade. Os conteúdos do
id são quase todos inconscientes, assim como o material que foi considerado
inaceitável pela consciência. O id não suporta energia de muita tensão e o seu
objectivo é reduzir a tensão dolorosa aos baixos níveis possíveis. O id é
baseado no princípio de prazer.
EGO
(EU)
Ego é a consciência propriamente dita. É a personalidade enquanto
actua no momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente (percepções
exteriores, elaboração do processos intelectuais) e a capacidade para estar em
contacto com a realidade exterior. O ego é dominado pelo princípio da realidade
(pensamentos, objectivos, actos socializados, actividade racional e verbal). Também
caracteriza-se pelo estabelecimento de mecanismo de defesa contra as invasões
da pulsão. As funções básicas do ego são: percepção, memoria, sentimento,
pensamento. Em suma, o ego tem a função de ajustar o homem ao meio da
realidade física e social em que vive. É um instrumento de adaptação do
individuo ao meio. O ego é baseado no princípio da realidade.
O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a
chave da adaptação que procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de
prazer, a busca do prazer e da gratificação imediata, com as exigências
impostas pelo princípio da realidade, proveniente do mundo externo. O ego
utiliza a angústia como sinal de alarme diante dos perigos do mundo interno
(pulsional), por outro lado organiza mecanismos de defesa que consentem de
moderar as exigências do id com aquelas do mundo externo.
Mecanismos de defesa são mecanismos que o individuo usa
para deformação da realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e
são inconscientes, isto é, ocorrem independentemente da vontade do individuo.
Os mais comuns são: recalcamento, formação
reactiva, regressão, projecção, racionalização, sublimação e negação.
SUPER-EGO
(super-eu)
O Super-eu é o resultado da interiorização de censuras
que a criança faz sua (identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio
ambiente. O conteúdo do superego refere-se a exigências sociais e culturais.
Representa o ideal do que é real. É defensor dos impulsos rumo a perfeição.
Origina-se como o complexo de Édipo, a partir da interiorização das proibições,
dos limites e da autoridade. O super-ego é o depósito das normas morais e
modelos de conduta. As suas funções são a consciência, a auto- observação e a formação
das ideias. Podemos afirmar que o Super-ego é baseado pelo princípio da
moralidade/ sociabilidade.
A combinação das três camadas, segundo Freud constitui
factor importante para formação e estruturação da personalidade.
Princípio do Prazer e o princípio da Realidade
Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado
duma única estrutura de personalidade, o Id, fonte originária de todas as
motivações e energias. Ele procura de realizar esta descarga de energia sem preocupar-se
daquilo que é realizável o socialmente aprovável. O seu modo de funcionamento é
regulado pelo princípio de prazer
que procura a gratificação imediata e completa das pulsões, mais desde o início
dos primeiros de vida estas tentativas de obter uma gratificação imediata são
frustradas ou punidas. Estas experiencias contribuem para formação do ego (eu),
o qual é governado pelo princípio de
realidade
DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA
Evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e
do desenvolvimento genético, dos estímulos sociais e afectivos.
O homem como unidade bio-psico-social
Todo ser humano à nascença já constitui – se como
indivíduo, com qualidades de integridade próprias, particularidades que os
distinguem dos outros. O mesmo não se pode dizer em relação à Personalidade. O
ser humano forma suas personalidades em resultado da sua constituição biológica
(características herdadas), das influencias do meio social e cultural do
contexto em que se encontra (aquisições do meio), assim como das experiencias
da vida (desenvolvimento), e sempre considerado seu desenvolvimento psicológico
(estabilidade emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade
bio-psico-social.
Alguns termos importantes para compreender o
desenvolvimento humano
Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o individuo passa ao
longo do seu ciclo de vida. É um processo que engloba os aspectos físicos
(crescimento); fisiológicos (maturação), psicológicos (cognitivos e afectivos),
sociais (socialização), e culturais (aquisição de valores e normas).
Maturação: é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se
ao grau de prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo, nomeadamente
do sistema nervoso. É que torna possível determinado padrão de comportamento.
(por exemplo, a alfabetização das crianças depende da maturação
neurofisiológica para manejar o lápis, e segura-lo comas mãos é necessário um
desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não possui ainda.
Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do individuo
indispensável para a execução de determinado tarefa, actividade ou função.
Estado
etário: fase de maturação
e estruturação (anatómica, fisiológico, psíquica) correspondente a idade ou
nível de desenvolvimento do individuo.
A vida Antes do Nascimento (O Desenvolvimento Pré- Natal)
O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período
compreendido entre a fecundação e o parto. Este pode ser dividido em três
períodos:
O Zigoto
O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente
no fluido do útero. Ao fim de cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na
parede do útero recebendo oxigénio e alimentação do corpo da mãe. Dois ou três
dias a sua implantação no útero o novo ser passa a chamar-se embrião.
Embrião
O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o
estádio embrionário. Este estádio começa cerca de duas semanas depois da
fecundação, na altura em que o zigoto (ovo) se fixa à parede uterina.
O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois
da concepção. As primeiras fases da vida do embrião humano apresentam
características semelhantes com outros mamíferos. A cabeça do embrião é muito
grande em relação ao resto do corpo e membros não são diferenciados. No final
deste período o organismo é claramente identificável como humano (tem face,
olhos, nariz) e passa a se designar feto.
Feto
A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser
passa a chamar-se de feto. O feto é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar
pontapés, fazer punho levar o polegar a boca, escolher a posição de dormir, etc.).
Sentir sabor, etc. O desenvolvimento do feto culmina com o nascimento.
Nascimento
O nascimento é o
conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade expulsar o feto para o
exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente 2500 gramas e a placenta para
produzir alimentos. Crianças com um período de gestação reduzido e peso
inferior a 2500 gramas são consideradas pré- maturas.
A primeira respiração imediatamente após o parto é
difícil devido o oxigénio do ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a
respiração pulmonar. Se o pequeno cérebro não recebe oxigénio dentro de 8 (oito)
minutos pode contrair lesões.
Por regra, a primeira respiração é acompanhada por grito.
O grito converte-se em breve numa forma de manifestação de dessabores ou
transtornos (indisposição, desconforto, mal estar, alerta à mãe para acções de
cuidado, isto é, um estimulo chave.
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS DE CONDUTA
Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos
Em última instância, as diferenças entre as espécies
dependem da hereditariedade ou herança física. A hereditariedade compartilhada
por todas as pessoas permite sua série de actividades humanas distintas. Por
termos herdados polegares opostos e dedos móveis, aprendemos facilmente a
manipular ferramentas. A herança de imensos córtices cerebrais permite-nos a
processar vasta quantidade de informação.
Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos
comuns a todas as pessoas, a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada
pessoa. Seus genes têm algo a dizer sobre uma capacidade de aprendizagem e se
somos ou não propensos à depressão.
Genética do comportamento, um ramo da psicologia e também
da genética, estuda as bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange
diferenças individuais e de espécie.
Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o
que as pessoas fazem depende, em algum grau, das estruturas físicas
subjacentes. Sua tarefa é definir exactamente quanto de um determinado acto é
modelado pela hereditariedade e quanto é pelo ambiente. Eles pesquisam também
os mecanismos biológicos pelos quais os genes afectam o comportamento e a
cognição.
O papel da hereditariedade e do meio
O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual
são interrelacionados e em constante interacção. O meio mobiliza ou favorece
disposições hereditárias, mas por sua vez a acção do meio não é independente
dessas disposições.
Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo
diferente quando as condições do meio ambiente variam. Por outro lado, as
condições do meio ambiente exercem diferentes influências sobre as
características hereditárias.
As disposições hereditárias traçam o marco do
desenvolvimento e oferecem-nos um plano de construção do organismo. Os genes
exercem um papel ou acção directiva nos fenómenos do desenvolvimento
embrionário e especialmente, dos primeiros anos de vida, isto é, não se
transmitem qualidades já desenvolvidas, mas apenas disposições ou
possibilidades para configurar essas qualidades. Por exemplo, a estrutura de um
individuo depende de toda a carga genética, mas além disso, variará, entre
outros factores de acordo com a alimentação recebida nos primeiros anos de vida
e com as vicissitudes do desenvolvimento glandular posterior.
·
Herança
e meio são factores que contribuem para formação do novo ser e se misturam de
tal modo que é difícil distinguir o que corresponde a um e ao outro.
·
Não
podem ser considerados opostos ou antagónicos mas complementares;
·
Era
comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável, irreversível algo como
código ou lista de instruções e procedimentos que não admite modificações e na
qual cada “instrução” age de modo independente das demais, mas hoje tal
posições não se sustenta porque também os genes podem sofrer uma mutação,
brusca ou não.
Princípio fundamental da psicologia
O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de
que o organismo é produto da hereditariedade em interacção com o meio e com o
tempo, isto é, o comportamento não é resultado de uma única causa, mas sim de
causas múltiplas (biológicas, sociais culturais, …) é o resultado da
hereditariedade a interagir com o meio e com o tempo.
O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou
empobrecido dependendo do tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com
o meio e depende do momento em que estes encontros ocorrem. É pela interacção
entre determinantes da hereditariedade e a influência do meio que o individuo
se forma, desenvolve e realiza.
Não se pode limitar aos aspectos educativos e os socioculturais,
pimeos natais, os aspectos físicos, biológicos (alimentares), e psico-afectivos
(emocionais) dos primeiros tempos da vida, nomeadamente pré natais e perinatais
são fundamentais na formação de todas as características do individuo.
TEMA: PSICOFISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO
A psicofisiologia
é o estudo da relação do
comportamento com a sua base fisiológica. Para se efectuar tal estudo é
necessário recorrer a neurofisiologia. A teoria das localizações cerebrais,
segundo a qual existem estruturas cerebrais especifica responsáveis pela memória,
necessidade sexual, prazer, etc.
O funcionamento do cérebro humano é um processo
psicofisiológico, de todos e mais complexo. O poder coordenador do cérebro
depende da complexidade das suas estruturas. Complexidade essa que deriva de um
maior desenvolvimento do córtex que controla as funções superiores do sistema
nervoso central, incluindo a linguagem e o pensamento.
Organização do Sistema Nervoso
O sistema nervoso tem como principais funções e controlo
do comportamento a regulação fisiológica do organismo. Do ponto de vista
estrutural divide-se em duas partes:
SNC-
Sistema Nervoso Central
(encéfalo e medula espinhal). O encéfalo inclui o cérebro e tronco cerebral.
SNP-
Sistema Nervoso Periférico
(pares de nervos que transmitem informação entre o sistema nervoso central e
todo corpo, em ambos os sentidos).
Sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema
nervoso que fica dentro do crânio e da coluna espinhal. Assim o SNC compreende
o cérebro e a medula espinhal. O SNC é banhado na sua sopa nutritiva especial
chamado fluido cérebro espinhal (FCE). Este fluido alimenta o cérebro e
fornece-lhe uma protecção. Embora
derivado do sangue, o FC é cuidadosamente filtrado.
Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de
passar pela barreira cérebro- sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável
que impede a passagem de certas substâncias químicas entre a corrente sanguínea
e o cérebro. Esta barreira evita que algumas drogas entre no FCE e afectem o cérebro.
A medula espinhal
A medula espinhal liga o cérebro ao resto do corpo
através do sistema nervoso periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os
nervos somáticos saem, ela é parte do sistema nervoso central e vai desde do
cérebro até um nível abaixo da cintura, abrigando aglomerados axónios que
carregam os comandos do cérebro aos nervos periférico e conduzem sensações de
periferia do corpo ao cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de danos na
medula espinhal, facto que ressalta o papel critica que ela representa na
transmissão de sinais do cérebro aos neurónios que movem os músculos do corpo.
Cérebro
É evidentemente, que a glória suprema do sistema nervoso
central é o cérebro, que, anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central
que preenche a porção superior do crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos
e possa ser carregado em uma das mãos, ele contém bilhões de células que
interagem, integram informação de dentro, coordenam as acções do corpo e nos
capacitam a fala, pensar, recordar, planear, criar e sonhar.
Sistema Nervoso Periférico
O
sistema nervoso periférico é formado por todos os nervos que ficam fora do
cérebro e da medula espinhal. Nervos são aglomerados de fibras de neurónios
(axónios) que estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do sistema nervoso é exactamente o que
parece, a parte que se estende para periferia (fora) do corpo. O sistema
nervoso periférico pode ser substituído em dois: somático e autónomo.
Sistema nervoso somático
O sistema nervoso somático é formado por nervos que se
conectam aos músculos esqueléticos e aos receptores sensoriais. Estes nervos
são os cabos que carregam informações dos receptores na pele, músculos e juntas
ao sistema nervoso central e também ordena do sistema nervoso central aos
músculos. Estas funções requerem dois tipos de fibras nervosas:
Fibras
aferentes: que são os axónios
que levam informações directamente para o SNC a partir da periferia do corpo.
Fibras
eferentes: que são axónio
que devolve informação do SNC para periferia do corpo.
O sistema nervoso somático permite que nos sintamos e
movamos no mundo.
Sistema nervoso autónomo
O sistema nervoso autónomo é formado de nervos que se
ligam ao coração aos vasos sanguíneos, os músculos lisos, e as glândulas.
O sistema nervoso autónomo controla funções automáticas,
em que normalmente as pessoas não pensam, como a batida cardíaca, a digestão e
a transpiração. Ele intermédia muito do despertar fisiológico, que ocorre
quando as pessoas experimentam emoções.
O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois
ramos: simpático e parassimpático
Sistema
nervoso simpático: é o ramo do
sistema nervoso autónomo que mobiliza os recursos do corpo por emergência. Ela
cria reacção de luta e fuga. A activação desse sistema desacelera processos
digestivos e drena o sangue da preferia, diminuindo o sangramento em caso de
ferimento.
O sistema nervoso simpático é responsável pelo transporte
do sangue e do oxigénio para todas as partes do corpo preparando o corpo para acção.
Sistema
nervoso parassimpático:
é o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente conserva os recursos
corporais. Ele activa os processos que permitem ao corpo economizar e armazenar
energia. Por exemplo, acções dos nervos parassimpáticos diminuem o ritmo
cardíaco, reduzem a pressão sanguínea e promovem a digestão. Significa que
depois de uma pessoa se emocionar muito para voltar no seu estado normal
precisa que o sistema nervoso parassimpático actue.
DESENVOLVIMENTO FILOGENÉTICO DO PSÍQUICO
Surgimento
da Consciência no processo da actividade humana
Desenvolvimento Filogenético do Psíquico
Dependência da Psique ao meio
A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima,
condições de vida) suscitou a diferença dos organismos (na terra vivem milhões
de espécies de animais). Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres,
existem suas mudanças cíclicas anuais, a mudança do dia e da noite, as mudanças
de temperatura etc. e todo organismo vivente adapta-se as condições existentes.
Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o
seu desaparecimento. O meio é a condição de existência do organismo vivo, é o
factor mais importante para determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito
em outras palavras, a existência dos organismos viventes está condicionada
causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais alta é a capacidade do reflexo
dentro de um determinado meio, mais livre é a espécie do influxo do meio.
A Psique e a evolução do Sistema Nervoso
Para que haja um reflexo adequado é necessário antes de
mais nada uma estrutura dos órgãos do sentido e do sistema nervoso. O grau de
desenvolvimento dos órgãos de sentido e do sistema nervoso determina
constantemente o grau e a forma do reflexo psíquico.
A evolução da psique não é linear, até que se aperfeiçoe
em diferentes direcções. Num mesmo meio habitam animais com os mais variados
níveis de reflexo e ao contrário, em meios diferentes podem se encontrar
diferentes tipos de animais com níveis de reflexo semelhante.
O meio como a matéria, não é invariável, ele evolui. A
este meio em evolução adapta-se a espécie animal ocorrida não nele habita. Pode
acontecer, sem dúvidas, que o meio radicalmente se modifique para alguns
animais e isto influência no desenvolvimento das funções psíquicas, ao mesmo
tempo, a mudança ocorrida não exerce uma influência determinante no
desenvolvimento das funções dos outros animais.
Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana
A consciência, a Psique como conjunto de reflexos da
realidade no cérebro dos homens caracteriza-se por possuir diferentes níveis.
O mais alto nível da psique, que é do próprio Homem,
forma a consciência.
A consciência é a forma superior integrante da psique do
Homem que se forma como resultado das condições histórico sociais na actividade
laboral e na permanente comunicação oral com as demais pessoais. Neste sentido,
pode-se dizer que a consciência em última instancia um produto social, a
consciência e a existência consciente.
Diferença entre a psique humana e psique animal
·
Sem
dúvida existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique humana mais
altamente organizada da psique animal. Assim não é possível fazer uma
comparação entre a “linguagem” dos animais e a linguagem humana, pois enquanto
o animal com a sua linguagem pode somente emitir sinais a seus congéneres, em relação
a fenómenos limitados por uma situação imediata, directa, pelo contrário o
Homem pode informar a outras pessoas com ajuda da linguagem, sobre o passado, o
presente, o futuro e transmitir aos outros a experiência social.
·
Mediante
muitas pesquisas os investigadores mostram que o pensamento prático é somente
próprio aos animais superiores. Nenhum investigador observou a forma abstracta
do pensamento no estudo da psique dos animais. O animal pode somente actuar dentro
das marcas duma situação visivelmente percebida, da qual não pode abstrair e da
qual não pode assimilar os princípios abstractos. O Homem caracteriza-se pela sua capacidade de abstrair – se ou
afastar-se duma situação concreta dada e prever as consequências que podem
surgir em relação a dita situação.
Desta forma, o pensamento concreto ou prático dos animais
e somente a sua impressão directa sobre a situação dada, enquanto a capacidade
do Homem de pensar abstractamente supera a dependência directa da situação
dada. O Homem é capaz de enfrentar não
somente as influências directas do meio, mas também pode prever aquelas que
podem suceder. O Homem tem a
capacidade de abstrair em correspondências com a necessidade conhecida ou seja
conscientemente. E é a primeira distinção entre a psique humana e a psique
animal.
·
A
outra diferença é que o Homem tem a capacidade
de criar e conservar ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas
numa situação concreta. Fora desta dada situação concreta o animal nunca
identifica os instrumentos, nem se aproveita deles, uma vez que o instrumento
joga um papel naquele dada situação, que mediatamente deixa de existir para as
outras situações.
Os
Homens criam instrumentos
de acordo com um plano previsto
anteriormente, utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão
destinados e a conserva; e todo Homem adquire experiência com outros homens no
uso destes instrumentos.
·
A transmissão das experiencias sociais, caracteriza o homem o qual dispõe duma experiência acumulada pelas gerações
anteriores. As experiências sociais transmitidas ao homem desenvolvem-se em
grande parte na psique. Desde a mais tenra idade a criança aprende a dominar as
formas de utilização dos instrumentos e as formas de trata-los. As funções psíquicas do Homem mudam
qualitativamente graças ao domínio de cada sujeito em particular sobre os
instrumentos do desenvolvimento cultural da humanidade. É no Homem que se
desenvolvem as funções superiores propriamente humanas (linguagem, memoria,
pensamento atenção)
·
A
quinta distinção entre a psique humana e animal são os sentimentos, para o
homem e animais superiores o sentimento é mais daquilo que ocorre em seu redor,
os objectos e os acontecimentos podem suscitar nos animais e homens
determinados tipos de reacções dependendo daquilo que os influência, ou emoções
positivas e negativas. Sem dúvida somente no homem pode existir a capacidade de
sentir pena ou alegria sobre o outro homem, somente o homem pode experimentar determinados sentimentos ao tomar
consciência de algum aspecto vital nisto.
TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO
Teoria:
forma de explicação dos factos,
de forma unitária, coerente, livre de contradições internas e que conduza a
descoberta de novos factos.
A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é
ainda, polemica pela existência de varias teorias do mesmo desenvolvimento, que
estão divididas em grupo.
Teoria endogénicas
O desenvolvimento psíquico é feito dependentemente de
factores biológicos: hereditariedade e
as predisposições inatas tornam lugar de relevo. O desenvolvimento do Homem
está programado e preformado pelas disposições. Segundo esta teoria, os
factores do meio ambiente são apenas um atributo subordinado, as aptidões e
qualidades psicológicas da personalidade são reduzidas aos instintos inatos de
acordo com Mendel, Weismam e Morgan.
Teorias exogénicas
O homem seria no momento do nascimento uma tabua rasa,
pelo adestramento e hábitos poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os
métodos preceptivos, este grupo de teorias acentua o meio ambiente em que decorre o desenvolvimento comparativamente
aos factores como força determinante de desenvolvimento psíquico.
O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido á
educação e formação. Contudo a criança e o jovem são subordinados como objectos
positivos das influências externas e deste modo exposto a métodos mecânicos de
educação, segundo Watson.
Teoria de convergência
O desenvolvimento do psíquico é resultado de uma
convergência de factores hereditário e factores ambientais. Significa que o
desenvolvimento do psíquico é determinado pela cooperação de dois factores
principais: hereditariedade e meio ambiente.
Esta teoria defende que, no desenvolvimento do psíquico
deve-se distinguir os processos de maturidade e os processos de aprendizagem.
Os processos de maturidade são biologicamente condicionadas. Enquanto, os
factores de aprendizagem estão sujeitas a regularidades sociais. Portanto, o
desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores biológicos e de assimilação.
PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento
mental e ao crescimento orgânico. O desenvolvimento mental é uma construção
contínua, que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais.
Algumas dessas estruturas permanecem ao longo de toda vida.
Conceito de desenvolvimento
Tradicionalmente, na literatura psicológica, encontramos
definidos:
O
desenvolvimento: como o
processo de crescimento e diferenciação continuada no tempo, resultado da
maturação biológica e da interacção com o ambiente.
Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo,
através de processos evolutivos seja biológicos e psicológico, uma maior e mais
eficiente harmonização das energias que se dispõem, com uma crescente
possibilidade seja de autonomia de nova compreensão seja de participação
efectiva e de socialização com o mundo.
Uma das consequências desta afirmação e que os seres
humanos tornam-se sempre mais complexo na medida em que se desenvolvem. Não só,
mas se o homem é uma criatura admiravelmente complexa, não menos surpreendente
e também a pequena criatura, que o recém-nascido, desde os primeiros instantes
em que vê a luz.
FACTORES QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO E CRESCIMENTO
HUMANO
Vários factores indissociados e em permanente interacção
afectam todos os aspectos do desenvolvimento. São eles:
Hereditariedade
A carga genética estabelece o potencial do individuo, que
pode ou não desenvolver-se. Existem pesquisas que comprovam os aspectos
genéticos da inteligência. No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém
ou além do seu potencial, dependendo das condições do meio que se encontra.
Crescimento Orgânico
Refere-se ao aspecto físico. O amadurecimento de altura e
a estabilização do esqueleto permite ao individuo comportamentos e um domínio
do mundo que antes não existia. Pense nas possibilidades de descoberta de uma
criança quando começa a engatinhar e depois de andar, em relação a quando uma
criança estava no berço com alguns dias de vida.
Maturação neurofisiológica
É o que torna possível determinado padrão de comportamento.
A alfabetização das crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para
segurar o lápis e maneja-lo como nos, é necessário um desenvolvimento
neurológico que a criança de 2, 3 anos não tem.
Meio
O conjunto de influências e estimulações ambientais
altera os padrões de comportamento do individuo. Por exemplo, se a estimulação
verbal for muito intensa, uma criança de 3 anos pode ter um repertorio verbal
muito maior do que a media das crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode
não subir e descer com uma facilidade uma escada, porque esta situação pode não
ter feito parte de experiencia de vida.
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
O desenvolvimento humano deve ser entendido como uma
globalidade, mas, para efeito de estudo, tem sido abordado a partir de 4
aspectos básicos.
Aspecto
físico motor refez-se ao
crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica, a capacidade de manipulação
de objectos e de exercício do próprio corpo. (ex: a criança leva a
Chupeta à boca ou consegue tomar a mamadeira sozinha, por
volta dos 7 meses, porque já coordena os movimentos das mãos).
Aspecto
intelectual - é a capacidade
de pensamento, raciocínio. Por exemplo, a criança de 2 anos, que usa um cabo de
vassoura para puxar um brinquedo que está debaixo de um imóvel ou o jovem que
planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
Aspecto
afectivo – emocional -
é o modo particular de o individuo integrar as suas experiencia. É sentir. A
sexualidade faz parte deste aspecto. Exemplo: vergonha que sentimos em algumas
situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido, etc.
Aspecto
social - é a maneira como
o individuo reage diante das situações que envolvem outras pessoas. Por
exemplo, em um grupo de crianças, no parque, é possível observar que algumas
espontaneamente buscam outras para brincar, em algumas que permanecem sozinhas.
Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do
pressuposto de que estes quatro aspectos são indissociados, mas elas podem
enfatizar aspectos diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a
partir da ênfase em um dos aspectos. A Psicanalise, por exemplo, estuda o
desenvolvimento a partir do aspecto afectivo emocional, isto é, do desenvolvimento
da sexualidade. Jean Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.
A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE JEAM PEAGET
A influência de Jean Piaget não tem andado longe da
Freud. Nascido em Suécia em 1896, Piaget passou a maior a parte da sua vida
dirigindo um instituto de desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um número
extraordinário de obras e trabalhos científicos, não apenas sobre o
desenvolvimento da criança, mas também sobre a educação, história do
pensamento, filosofia e lógica, e manteve a sua prodigiosa produção até a data
da sua morte em 1980.
Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou
directamente a criança. A sua teoria foi desenvolvida a partir de observações
feitas no decurso de tratamento de pacientes adultos em sucessões de
psicoterapia. Piaget, pelo contrário, passou a maior parte da sua via
observando o comportamento de bebes, crianças e adolescentes. Baseou-se muito
do seu trabalho em observações minuciosas de um número limitado de indivíduos,
mais do que no estudo de grandes amostras. Não obstante, defendia que a maioria
das suas principais descobertas eram validas para o desenvolvimento das
crianças de todas as culturas.
Desenvolvimento cognitivo (desenvolvimento do pensamento)
De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é o
produto do equilíbrio entre o organismo e o meio, porque a aquisição ou
assimilação de conhecimentos é um processo evolutivo de construção, na teoria
epistemológica de conhecimento ou epistemologia genética.
No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como:
“ como é possível o conhecimento”? Como
é que os conhecimentos aumentam, (compreensão? extensão?).Quer dizer em
quantidade como em qualidade.
Um conhecimento é construído com base nos conhecimentos
anteriores organizam-se em processos cognitivos segundo a adaptação do
organismo ao meio. A ideia piagetiana é estrutural ou contorcionista quando
evidencia a construção ou organização de estruturas mentais ou processos
cognitivos. Por outro lado, é funcional ou psicobiológico devido a adaptação
orgânica e intelectual ao meio, como condições funcionais no sentido de surgir
uma organização das estruturas cognitivas. Assim, o desenvolvimento cognitivo surge das funções de organização e de
adaptação.
O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e
sequencias na estrutura da organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica
ou interacção a organização e adaptação. A progressiva adaptação orgânica e
intelectual ao meio conduz ou leva a uma progressiva mudança na sequencia das
estruturas cognitivas, tendo um estado mutável a não rígido.
Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de
equilíbrio entre assimilação e acomodação. O equilíbrio leva a aquisição de
estruturas cognitivas (o desenvolvimento cognitivo). As estruturas cognitivas
se resumem em dois tipos: esquemas e conceitos.
O esquema é um
conjunto de regras que define um género específico de comportamento (actividade
de chuchar, apalpar, olhar etc.) como parte da estrutura cognitiva da criança.
Quanto mais cresce, conhecendo o seu meio também vai desenvolvendo estruturas
mentais (conceitos segundo Piaget), referindo aquelas normas que descrevem acontecimentos
ambientais, relações entre conceito, seus efeitos.
Pois, a adaptação ao meio ambiente faz-se através do
processo de assimilação e acomodação.
Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar
ou interiorizar a experiencia do meio ambiente onde esta inserido (processo).
Consiste em acrescentar novos elementos a um conceito ou a um esquema.
Enquanto, a acomodação refere o
ajustamento desses elementos a nova situação. O ajustamento que o individuo faz
ao incorporar a realidade externa. Se assimilação consiste na capacidade do
sujeito interiorizar e conceptualizar as suas experiencias do meio, a
acomodação é a resposta do sujeito as exigências imediatas e constrangedoras do
meio, é o grau de adaptação aos estímulos externos, mediante a reorganização
cognitiva, em vez de respostas mecânicas.
OS ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Os Estádios de desenvolvimento cognitivo
Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de
acordo com o aparecimento de novas qualidades do pensamento, o que, por sua vez
interfere no desenvolvimento global. Piaget acentua bastante a capacidade para
entender activamente o mundo. As crianças não observam de uma forma passiva a
informação, mas seleccionam e interpretam o que vêem, ouvem e sentem acerca do
mundo que as rodeia. A partir dos estudos e de numerosas experiencias que
efectuou sobre as formas de pensar da criança, chegou a conclusão de que os
seres humanos atravessam vários estádios distintos de desenvolvimento cognitivo
ou seja, vão aprendendo a pensar sobre eles próprios e o mundo da sua volta.
Cada estádio implica a aquisição de novas capacidades e está dependente de uma
conclusão bem-sucedida da fase anterior.
Estádio sensório - motor (0 à 2 anos de idade)
No recém-nascido, a vida mental reduz-se ao exercício dos
aparelhos reflexos, de fundo hereditário, como a sucção. Esses reflexos
melhoram com o treino. Por exemplo, o bebé mama melhor no décimo primeiro dia
de vida do que no dia.
Até uma idade máxima de quatro meses, um bebe não
consegue diferenciar-se do que o rodeia. O desaparecimento no seu campo visual
da criança perde todo interesse por ele (não existe / nunca existiu); por
exemplo a criança não intende que são os próprios movimentos que provocam o
ranger do berço e não diferencia entre os objectos e pessoas. A actividade
cognitiva e comportamental. Pensar e agir. Irreversibilidade. O bebe não tem
noção de que existe algo fora do seu campo visão. Como demostram alguns estudos,
os bebes aprendem de forma gradual, a distinguir as pessoas dos objectos, começado
a perceber que ambos têm uma existência independente das suas percepções mais
imediatas. Aos 6 meses de idade, a criança investiga as características do objecto.
Procura o objecto escondido, continua a existir.
Piaget chama a este primeiro estádio sensório- motor,
pois a criança aprende usando os seus diferentes sentido, sobretudo tocando
objectos, manipulando-o os explorando fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e
meio o pensamento da criança esta ligado a linguagem, esquemas motores e a conceitos
de objectos e das suas características. A principal conquista neste estádio e
que, no fim, a criança já entende que o meio ambiente tem propriedades próprias
imutáveis.
Estádio pré- operatório (2- 7 anos de idade)
Nessa fase desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a
criança é capaz de distinguir o “eu” do objecto, adquire noção de tempo e
espaço. Tem início a reversibilidade. A criança já domina a linguagem e se
torna capaz de usar palavras de uma forma simbólica, representar objectos e
imagens. Uma criança de 4 anos por exemplo, pode usar a mão em movimento para
representar o conceito de “avião”. Início de aquisição de noção de conservação
da massa e volume (quantidade), Piaget apelida este estádio de pré operacional,
pois a criança ainda não são capazes de usar, de uma forma sistemática, as suas
capacidades mentais em desenvolvimento. A maneira de ver o mundo a
características destas, a criança é o egocentrismo, ela acredita que as pessoas
vêem o mundo exactamente como ela a vê, por ex: ao contar um facto, omite
pormenores importantes “julgando “ que os outros têm a mesma visão do facto.
Este conceito não se refere a egoísmo mas a tendência da criança interpretar o
mundo exclusivamente em função da sua própria posição.
O manifesta-se, também, na linguagem, pois é comum neste
estagio as crianças fazem monólogos (falar sozinhas) e as crianças não se
importam que alguém as ouça. As crianças não têm desenvolvida a capacidade de
conservação de quantidade, de volume e de massa conforme.
Estádio de operações concretas (7-12 anos)
Existe um equilíbrio estável entre assimilação e
acomodação. Durante esta fase as crianças dominam noções lógicas e abstratas.
Uma criança nesta fase de desenvolvimento é capaz de reconhecer o raciocínio
falso implícito na ideia de que o recipiente mais largo contem menos água do
que o mais estreito, mesmo que os níveis da água sejam diferentes. Torna-se
capaz de efectuar operações matemáticas, como manipulação, a substração ou divisão.
As crianças neste período são muito menos egocêntricas. Se perguntar a criança quantas
irmãs ela tem ela dira uma, mas se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela
provavelmente dirá “ nenhuma” porque não é capaz de se colocar na posição da
irmã, não é capaz raciocinar em termos hipotético.
Estádio das operações formais (12- 18 anos de idade)
Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação
simbólica, criação de hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto,
dedutivo e indutivo. Raciocínio formal segundo a cultura. Quando deparam com um
problema, as crianças nessa fase são capazes de rever todas as formas possíveis
de resolver, examinando - o teoricamente de maneira a chegar a uma solução. Um
jovem na fase operacional, é capaz de entender porque é que algumas questões
são traiçoeiras.
No aspecto afectivo o adolescente vive conflitos. Deseja
libertar-se do adulto mas ainda depende dele. Deseja ser aceito pelos amigos e
pelos adultos. O grupo de amigo é um importante referencial para o jovem,
determinando vocabulário, os vestuários e outros aspectos do comportamento.
De acordo com Piaget os primeiros três estádios de
desenvolvimento são universais, mas nem todos os adultos alcançam o estádio
operacional formal. O desenvolvimento deste tipo de pensamento está dependente,
em partes, dos processos de escolaridade. Os adultos com uma educação limitada
tendem a continuar a pensar em termos mais concretos e reter largos traços de
egocentrismo.
O DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL SEGUNDO A TEORIA
PSICANALÍTICA
Segundo Freud (1859- 1939), fundador da psicanálise.
Interpretou os sonhos, porque tem sentido simbólico, de acordo com eles, os
sonhos estão cheios de significados. Defendeu que as imagens sonhadas são
consequências, a realização simbólica, substitui um desejo sexual recalcado (inibido
pela interdição moral).
A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID,
EGO SUPER-EGO), seja o desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros
anos de vida. Este desenvolvimento decisivo porque nele se deita os fundamentos
da vida psíquica do futuro individuo adulto e os traços persistentes da personalidade.
O aspecto mais evidente da teoria freudiana é aquele das fases psicossexual.
Segundo Freud a área do prazer sexual desloca-se duma zona erótica do corpo a
outra, segundo uma sequência determinada biologicamente na medida em que a
criança cresce. De consequência os distúrbios psíquicos do individuo adulto
dependeriam dum desenvolvimento não regular das várias fases da sexualidade
infantil.
As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud
Freud preconiza cinco estádios do desenvolvimento psicossexual:
a)
Fase oral (0-2 anos): os primeiros meses da vida até cerca de 2 anos de vida,
a libido estão concentrados na zona oral (boca): o bebe tira prazer através da
zona erótica da boca, dos lábios. Na língua, e nos actos de sucção, mordedura e
a mastigação. No adulto, a fixação formas da sexualidade oral pode exprimir em
comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as unhas, comer
excessivamente.
b)
Fase anal (2-3 anos): nesta fase o ponto focal da libido desloca-se as
principais fontes de prazer sexual torna as actividades esfie ericas. Está
presente seja a exigência de satisfação da necessidade (defecar) seja de
aprender a controlo fisiológico em relação as regras ditadas pelos pais e as
convicções sociais. Conter as fezes significa, duma parte, bloquear a
satisfação de uma necessidade e da outra parte, significa realizar ou cumprir
as regras dos pais, que a sua volta é fonte de gratificação quando a norma vem
respeitada para a criança. A com presença de exigências contrastantes, o
conflito, relacionado o fase poderá manifestar-se no adulto em comportamentos
de excessiva limpeza, pontualidade, obstinação.
c)
Fase fálica (3-5 anos): A libido desloca-se para as zonas génitas a procura o
prazer e a menina tocam os próprios órgãos genitais, tornam-se curiosas em
relação as diferença entre os dois sexos. Os pais, muitas vezes proíbem o
comportamento sexual das crianças desta idade pensando ou considerando que são
formas adultas da actividade sexual, enquanto normalmente exprimem a exigência
das crianças de conhecer o próprio aparato sexual. Nesta fase manifesta-se o
assim chamado complexo de Édipo. O menino chegado nesta fase do desenvolvimento
psicossexual, experimenta um desejo de hostilidade para o pai e um desejo de
amor para com a mãe estes dois desejos com presentes, numa forma general mente
inconsciente, são vividos como conflito. O menino pode superar este conflito
através de um processo de identificação como pai, mediante o qual ele assimila
e faz seu comportamento paterno. Durante o processo de identificação, os
meninos intrometam no Super-eu grande parte das regras sociais e dos valores
partilhados e derivados da figura dos pais.
d)
Fase de latência (6- inicio da adolescência): durante esta fase a actividade da libido perde
intensidade, consentindo ao “EU” uma trégua para consolidar o desenvolvimento
anterior enquanto a criança orienta ou dirige os próprios interesses no
ambiente.
e)
Fase genital (…. Fim da adolescência): culmine do desenvolvimento psicossexual verifica-se no
fim da adolescência, na fase genital. O rapaz e a rapariga completam o
desenvolvimento psicossexual e orienta o próprio comportamento sexual aos
paternos. Elemento característico desta fase é o surgimento de um interesse de
relação reciprocamente gratificante com os outros. O individuo que se encontra
nesta fase genital, está no grau de manifestar o interesse para com os outros,
desejo de partilhar as experiencias significativas e solicitude para o seu
bem-estar. Este empenho a reciprocidade não é alcançado por todos
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL
A teoria do desenvolvimento psicossocial segundo erick
erickson
O desenvolvimento
psicológico, seja na dimensão cognitiva como na emotiva, não termina com a
idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período da adolescência são etapas
fundamentais para a construção do mundo psíquico do adulto, mas a obra da
reelaboração e da organização da própria vida psíquica continua intensamente
por toda a existência humana.
A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a
vida e que seja estreitamente legada as sociais foi elaborada por Erik
Erickson. Erick Erickson nasce em Frankfurt- Alemanha.
Enquanto Freud atribuía mais importância ao
inconsciente., Erickson focaliza a sua atenção no papel desenvolvido pelo “eu”
quando se devem enfrentar problemas nos diferentes períodos da vida.
A teoria de Erikson (1950- 1968) afirma que o
desenvolvimento psicossocial atravessa oito estádios, em cada um do qual o
individuo deve enfrentar uma serie de problemas, ou assim chamada crise do estádio, para poder passar ao
estádio sucessivo. Segundo Erickson, na medida em que uma criança resolve
positivamente os problemas de cada estádio, determina-se a sua possibilidade de
torna-se uma pessoa adulta de capacidade de adaptação.
Fases de desenvolvimento psicossocial segundo Erickson
Estádio
sensório- oral (0-1 anos):
crise entre a confiança e desconfiança.
A criança põe-se o problema de ter confiança o não ter confiança na pessoa que
torna cuidado ou se ocupa dela (geralmente a mãe), se recebe ou não nutrição e
afecto. Da confiança para com a figura materna desenvolverá a confiança para
com o ambiente externo e outras pessoas. Se a criança não contar com o afecto e
os cuidados maternos, perderá a confiança para com as outras pessoas e passará o
ambiente externo não lhe pode dar a confiança.
Estádio
muscular-anal (1-2 anos):
crise entre autonomia – duvida /
vergonha. A criança começa a explorar o mundo e a entrar em relação com
outras pessoas. Na medida em que conquista autonomamente as habilidades
principais, por exemplo aprenderem a caminhar, deve também não duvidar de si
quando não consegue padronizar esta tal capacidade imediatamente. A criança
deve escolher se ser autónomo em tal situação e continuar de modo independente,
ou então enfrentar o futuro com dúvidas.
Características: afirmação de vontade: a criança
desenvolve a capacidade de escolha, a possibilidade de auto-domínio;
sentimentos de autonomia e de amor-próprio. Pode desenvolver-se sentimentos de
perca de auto-domínio, a vergonha e dúvidas quanto ao exercício da vontade.
Estádio
locomotor- genital (3-5anos):
crise de iniciativa / sentimento de
culpa desenvolvem-se as estruturas anteriores e a criança encontra-se a ter
que resolver o conflito existente entre o tomar iniciativa em actividade e
apreciar os resultados ou sentir-se culpado por ter ultrapassado os limites,
neste caso surge o medo de punições ou de castigos, criticas e de consequências
o sentimento inibidor (a criança pode perder a capacidade de tomar iniciativas
e sente-se em culpa pelos seus falimentos).
Estádio
de latência (6 anos – a puberdade): crise da diligência /complexo de
inferioridade. Nesta fase adquirem as regras fundamentais sobre o mundo
externo e as primeiras regras do comportamento social graças ao facto de
frequentar a escola e o grupo dos pares. As próprias competências podem ser
desenvolvidas e reforçadas, ou então podem ser bloqueadas. O insucesso na
escola ou nas relações sociais em geral podem gerar um sentido de inferioridade
que bloca interiormente o desenvolvimento cognitivo e emotivo.
Adolescência: a crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do papel a desempenhar (confusão de
identidade). O adolescente deve desenvolver o sentido de identidade de si
mesmo, torna-se um individuo com a sua própria personalidade distintas daquela
dos parceiros e dos adultos, com próprias normais sociais e próprios valores
morais. O falimento na construção da identidade manifesta-se na “confusão de
papéis”, facto pelo qual o adolescente não consegue encontrar um papel adequado
para a sua personalidade no contexto social.
Primeira
idade adulta (20-30 anos):
nesta fase a crise é entre intimidade ou
amor / isolamento a pessoa enfrenta a escolha entre uma vida caracterizada
de relações de intimidade (capacidade de amizade e amor), encontra-se em
companhia, amar alguém e a ausência da relações afectivas, e transformar-se num
isolado, evitando compromisso de amor ou amizade. É o estádio da vida em que se
põe também o problema da escolha profissional que permite a inserção da
sociedade. As duas escolhas cruzam-se, originando as vezes conflitos, sobretudo
na mulher pela qual a profissão pode contrastar com o papel da mulher e de mãe.
Meia-idade
(40-60 anos): crise situa-se
entre a criatividade ou interesse /
estagnação ou Auto -absorção. Regista-se a consolidação do amor e da
amizade: aumento do interesse profissional, aumento da atenção para com os
filhos mas pode viver em debilidade no relacionamento, em depressão, sem
interesse. Para essa fase contribuiu muito a tipo de escolha profissional
feito, em particular em relação a constatação ou não segundo o plano traçado na
juventude. O sentido do insucesso pode muitas vezes estimular a novos
interesses opções ou a uma nova ou mais lucida consciência das próprias
capacidades.
Velhice
(dos 60 anos em diante):
a crise observa-se entre o sentimento de
integração e calma/desespero. Nesta fase emerge uma outra situação de
conflito, aquela concernente a aquisição de um sentido de integridade, que se
experimenta quando se considera que a própria vida foi completada, dando-lhe um
sentido, ao qual se contrapões o desespero, se pensa de não ter alcançado os objectivos
que anteriormente se tinham proposto ou de não ter integrado as próprias
experiências.
A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa
ansiosamente pela vida porque descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua
vida, há aceitação da morte. Mas pode não alcançar a sabedoria, ao fazer o
balanço da sua vida ou avaliação do seu passado e verificar que não fez nada
que velasse a pena, logo surge um sentimento de desgosto pela vida e de
desespero perante a morte.
DESENVOLVIMENTO MORAL
DESENVOLVIMENTO MORAL SEGUNDO LAWRENCE KOHLBERG
No desenvolvimento
da personalidade joga um papel fundamental a aquisição da regra do
comportamento que reflecte os valores da cultura e da sociedade em que o
individuo vive. Lawrence kohlberg, fortemente influenciado pela teoria
piagetiana, hipnotizou que o aspecto moral desenvolve-se gradualmente por
estádios.
Kohlberg introduziu
uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que revolucionou a
compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as pessoas não podem
ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos simplicistas:
v Este grupo de honesto
v Este grupo é aldrabão
v Este grupo é reverente
Segundo kohlberg, o carácter moral das pessoas se
desenvolve. Significa que o crescimento moral se faz de acordo com uma
sequência do desenvolvimento.
Segundo kohlberg, o desenvolvimento ocorre com uma sequência
específica de estádios, independentemente da cultura, subcultura, continente ou
pais, raça.
Moral refere-se as normas da conduta social que
caracterizam as concepções a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal.
São mantidas ou cultivadas pela força da opinião pública, hábitos, costumes e
educação.
Kohlberg identificou seis estádios fundamentais do
desenvolvimento moral.
Níveis
|
Estádios
|
Características
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Moralidade pré convencional ou pré moral
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(0-7/8 anos)
I
II
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A obediência e as mais decisões morais são baseadas em formas de poder
muito simplicista, de tipo físico e material. Aqui o comportamento baseia-se
na recompensa e no desejo de evitar a punição física severa por parte do
poder superior “ poder da razão” “a sobrevivência dos mais fortes” p ex: as
acções são julgadas em termos das suas consequências físicas. O medo da
punição domina os motivos da criança.
|
As acções baseiam – se amplamente na satisfação das necessidades pessoais
do individuo. O motivo básico das pessoas é satisfazer as próprias
necessidades. Não consideram as necessidades das outras pessoas envolvem a
percepção do poder do negócio/ troca de favor. “ Coça-me as costas e eu coço
a tuas”… mas obtendo pequena vantagem em cada negócio. Há uma orientação
materialista, na qual as discussões morais se expressam em termos de
instrumentais e físicos. Este nível aceita o uso de influências para resolver
qualquer delito. Ex: se a personalidade é encontrada a roubar um carro a
punição está determinada pelo custo do carro. Admite falsificar assinatura, subornos, aldrabar o patrão ou cometer
outros delitos semelhantes, desde que a pessoa fique impune.
Filosoficamente esta categoria de pensamento moral é designada de
hedonismo instrumental: falta de respeito humano pelas outras pessoas.
|
||
Moralidade convencional ou de conformidade
|
(dos 7/8 adolescência)
III
IV
|
O conformismo social: fazer o apropriado e o que agrada os outros,
rejeita as decisões do ego. Há um relacionamento duplo. O motivo da criança e
ser bom rapaz para ser aceite.
Cumprem-se somente as acções que são aceites pelos parceiros, professores
e pais. O “justo” e o “injusto” não vem avaliado em base as punições físicas
ou recompensas (doces e brinquedos) mas em relação a avaliação que os outros
fazem do próprio comportamento e as exigências de oferecer uma boa imagem de
si mesmo. Obedece-se as regras para evitar o sentido de culpa derivante da
censura da autoridade.
|
Tomada de decisões de acordo com
os códigos legais existentes, em todas situações dilemáticas (prevenção da
sociedade) a tendência é de ser melhor e não apenas o cumprimento das normas.
|
||
Moralidade pós-convencional ou dos princípios
|
(da adolescência em diante)
V
VI
|
Agir de acordo com o contrato social: da adolescência em diante, a pessoa
interioriza regras abstractas de comportamento social que muitas vezes em
contraste com as próprias convicções.
|
Os adultos que atingem esta fase, estão em grau de reflectir sobre os
princípios éticos e universais, tais como a justiça, a igualdade, dignidade
de todas as pessoas, o bem comum, a sociedade da vida, o altruísmo, etc. esta
fase é caracterizada duma moralidade da consciência, facto pelo qual as
pessoas tendem a ver o comportamento ético como um equilíbrio entre o
bem-estar do individuo e aquele da sociedade e acreditar na aplicação das
regras sociais em virtude dos seus princípios, mas não em prejuízo dos
direitos individuais. O individuo, portanto, obedece as regras em base a
convicções amadurecidas e considerações objectivas
|
PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE
Teoria da Personalidade
Génese e formação
da Personalidade
Nenhum homem nasce como personalidade. Entretanto, cada
um de nós nasce como um objecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada
individuo ao nascer é um centro de iniciativas, buscas e de construções de boas
qualidades. Isto significa que cada individuo permanentemente deve trabalhar
para a formação sua personalidade.
A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais
complexos e estáveis: temperamento, conduta, moral, interesse bem como as
necessidades que definem as propriedades dos sentidos e do comportamento do
mesmo homem. A personalidade capacita-se às diversas situações da vida, ai se
define a sua totalidade pelas influências sócio genéticas e sócio- culturais.
Conceito de Personalidade
A
personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos outros e a si próprio, na sua
unidade, na sua singularidade e na sua continuidade. É o modo relativamente constante e peculiar de perceber, pensar,
sentir, e de agir do individuo. Inclui as atitudes, habilidades, crenças,
emoções, desejos, o modo de se comportar e, inclusive os aspectos físicos do
individuo.
Em suma, a
personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e o inconsciente na sua
relação com o mundo exterior.
Estrutura da personalidade
Fazem parte da estrutura da personalidade as
particularidades relactivamente constantes e visíveis da própria personalidade
(do sujeito).
As componentes principais da personalidade são a
estrutura endopsiquica e a exopsiquica.
Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio
externo. O exopsiquismo contempla a experiencia social (conhecimentos, hábitos,
habilidades) e a orientabilidade do indivíduo (inclinação, interesses, motivos,
ideias, convicções sentimentos, etc.).
A exopsiquica está condicionada socialmente, é adquirida
das forças do meio, não é biologicamente determinada.
Endopsíquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e
das funções psíquicas. É identificada com actividade psico-nervosa do homem.
Relaciona-se com os traços da personalidade como a receptividade, peculiaridade
da memória, percepção, vontade, pensamento, imaginação, etc. A endopsíquica
está condicionada biologicamente, é inata, não depende das forças do meio.
Teorias da Personalidade
A conduta humana é
reconhecida como complexa. Assim, o comportamento não é determinado por um
único factor, mas sim por muitos factores, de natureza diversa. Diante de tao
complexo campo de investigação, diferentes grupos de estudiosos enfatizam
diferentes grupos de aspectos de comportamento. Alguns ainda concentram-se em
hereditariedade e outros em influências ambientais. Outros ainda, favorecem a
formação de um conjunto de leis gerais, entendendo o Homem como ser social e ao
mesmo tempo biológico. As teorias da personalidade que merecem distinção
especial são: o Behaviorismo, o Gestaltismo,
Psicanálise, a Disposicional, A Humanista, Fenomológica, a Cognitiva, a Biológica,
a Evolucionista, etc.
O termo “ behaviorismo” que em Inglês “behavior”
significa comportamento, foi inaugurado pelo americano John Watson. Watson
Postulava o comportamento como objecto de estudo da psicologia e defendia que
este (comportamento devia ser estudado em função de certas variáveis do meio.
Para entender a
personalidade (comportamento) deve-se analisar as relações funcionais entre
acções visíveis e suas consequências também visíveis.
A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do
estimulo-resposta. Todo comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente,
de tal forma que o controle das condutas é possível e os fenómenos psíquicos
são possíveis.
A influência do meio ambiente predetermina o
comportamento. Não se interessa pelos fenómenos como a consciência, a hereditariedade,
o prazer e a dor.
O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O
ensino e experiência são blocos de construção da personalidade.
O Gestaltismo
Os fundadores da escola da GEstalt foram WERTHEINER
(1880- 1943), Kurt Koffka (1886-1941) E WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles
negam a fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o princípio
de determinação relacional, isto é, que as propriedades das partes dependem do
lugar e função que têm no todo. Sustentam ainda que a maior parte das
configurações, o todo não é igual a soma das partes demostrando-se que o
estímulo deve ser considerado como uma totalidade. A Gestalt orienta-se pelos seguintes
princípios:
·
O
todo é percebido antes das partes que o compõe.
·
O
todo é definido pelas interacções e interdependências das partes
·
As
partes de uma configuração não matem sua identidade quando estão separadas da
sua função e lugar no todo.
PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE
- Os resultados da reconstrução Psico-dinâmica (CarlJung e Alfred Adler)
A psicologia analítica de Carl Jung
·
Breves linhas biográficos
Nasce na Suíça, em
1875 e morre em 1961. Formação: medico, psiquiatra, trabalhou 6 anos com Freud
deste modo nasceu o interesse para o comportamento humano e separa-se de Freud
em 1913 e elabora a sua teoria denominada psicologia analítica ou dos complexos.
Analítica porque é uma psicologia que não preocupa de isolar funções singulares
mas de ocupar-se dos fenómenos que caracterizam a personalidade na sua
totalidade.
Construtor da
psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa que o Homem pode
ser orientado no sentido de desenvolver as suas potências, realizando-se como
eu.
Pontos de divergência com Freud
·
Aceita
a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem conotação sexual,
nega o papel fundamental da libido na origem da sexualidade.
·
Do
ponto de vista metodológico, Jung é mais ou menos ecléticos, ou seja usa
elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor, esses devem se
considerados porque encontram representações a nível psíquico.
·
Separa-se
ainda de Freud porque segundo Jung, não é necessário considerar somente a nível
psíquico um dinamismo causal mas também finalístico, ou seja, é necessário
considerar que no comportamento existe uma meta a alcançar.
Objecto do estudo da psicologia
analítica: conjunto de todos os processos psíquicos: conscientes e
inconscientes.
Ideia fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a
autonomia da realidade psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se não
for possível uma separação nítida entre as duas esferas. Ele fala também da
realidade fisiológica como sendo subjectiva enquanto incide somente para um
enquanto a realidade psíquica é objectiva no sentido de que algumas ideias são
partilhadas por exemplo: simbolismo, arquétipos.
Jung acreditava que
somos marcados por nossas metas, esperanças, aspirações em relação o futuro bem
como do nosso passado.
A personalidade
integral (psique), segundo Jung, compõe-se três sistemas: consciência,
inconsciente pessoal e inconsciente colectivo.
·
Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos psíquicos
(conscientes). Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o sujeito da
consciência. Ele entende o eu como o conjunto de todas representações que
constituem o centro do campo da consciência.
Funções do eu: Pensamento, sentimento; sensação e intuição.
·
Inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao
individuo. Consciste em todas as lembranças, desejos e outras experiencias da
vida da pessoa que foram reprimidas ou esquecidas.
·
Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O
inconsciente colectivo compreende conteúdos que segundo Jung, constituem o depósito
de modos de reagir típicos da humanidade, por exemplo, medo do mal, relação
entre os sexos, entre pais e filhos, situações típicas que o indivíduo enfrenta
ao longo da sua existência.
Segundo Jung, em
base as modalidades como se enfrentam estes problemas constitui-se um depósito
colectivo de predisposição ou reacção diferente, estas situações são
independentes da cultura.
Jung Afirma ainda que o inconsciente pode-se alcançar directamente
mas através de manifestações: símbolos e arquétipos etc.
Arquétipos
São determinantes inatos da vida mental que dispõe a
pessoa a se comportar de modo semelhante ao dos ancestrais que se viram diante
da situação análoga.
Referem-se a símbolos que tem características
semelhantes independentemente das diferenças culturais: herói, luta contra o
bem e o mal. São formas universais de pensamento dotadas de conteúdo afectivo
que cria determinada imagem de cada individuo.
Persona: é a mascara da personalidade que usamos no contacto com
os outros, representando-nos tal como queremos aparecer na realidade. A persona
pode não corresponder a verdadeira personalidade. Inclui nossos papéis
pessoais, o tipo de roupa que usamos, o nosso estilo de expressão pessoal etc.
Sombra: é a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o
núcleo da matéria reprimido na consciência. Ou seja, é a parte da personalidade
que se ignora geralmente contem material desagradável, ela contem todos os
desejos e actividades imorais e inaceitáveis. A sombra nos impele a emitir
comportamentos que normalmente não nos permitiríamos.
Anima
e ânimos: reflectem a ideia
de que cada pessoa de um sexo exibe algumas características femininas presentes
no homem e ânimos as características masculinas presentes na mulher. Estas
características estão ligadas à imagem ideal do homem ou mulher que cada um de
nós tem em si.
Self: é o arquétipo responsável pela integridade e
estabilidade da personalidade. O self é o processo central, um impulso para a
individuação (realização de si mesmo) ou aspiração a auto-realização.
O processo de realização (individuação) e
integração das componentes psíquicas
Segundo Jung todo indivíduo possui libido, ou seja esta
energia fundamentalmente biológica, mas é neutra, ela tende a integração dos
elementos conscientes e inconscientes. Neste caso emerge aqui a concepção
finalista da libido em vez da função causal.
Auto- realização
Integrando as componentes conscientes e inconscientes,
segundo Jung a vida psíquica é racional que irracional. A energia lipídica dá
aquele estímulo para procurar sintetizar os elementos que são em contradição.
Segundo Jung, a libido tem uma direcção que tende a realizar o indivíduo mas
quando a libido encontra um obstáculo que bloqueia o seu fluir a pessoa percebe
um certo tipo de mal-estar psíquico, ou seja, desequilíbrio, mesmo se este
bloqueio seja positivo no sentido de que ajudar a pessoa a enfrentar o momento
e sintetizar a sua vida.
Por outro lado, a actualização de si realiza-se através
deste processo de individuação (tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como
pessoa, mesmo com o dever moral da pessoa). A meta ideal para tornar-se
“humano” é alcançar a conciliação entre o consciente e o inconsciente mesmo se
obviamente, um desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio crescimento.
Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que
constituem o modo como a pessoa reage aos estímulos que chegam, são modalidades
de acção e existem dois modos fundamentais: Introversão e extroversão. Na primeira atitude o sujeito dirige a
sua energia para o seu próprio interior, tende a ser introspectivo, é guiado
por referências de tipo interior, enquanto o extrovertido dirige a sua energia
para fora do eu, para eventos e pessoas do mundo exterior.
ALFRED ADLER E A PSICOLOGIA INDIVIDUAL
ALFRED ADLER E APSICOLOGIA INDIVIDUAL
Breves considerações biográficas
Nasce em Viena, em 1870, de família hebreia e morre 1937.
O segundo entre 6 filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de
raquitismo e de criança, desenvolveu uma
competição com o irmão que era gémeo e sofria também pela limitação física, por
isso desenvolveu uma certa sensibilidade para com os mais necessitados.
De formação era médico, neurólogo, psiquiatra, sociólogo.
A sua atitude diante dos doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os
doentes aos neurólogos enquanto este não tinha nenhuma lesão e neste caso o
neurólogo não tinha instrumentos necessários para resolver o problema.
A obra fundamental escrita por Adler foi sendo intitulada
de “temperamento nervoso”. Nesta obra evidencia o mal-estar ou distúrbio
psíquico como consequência de uma atitude errada que o individuo adopta diante
da lógica no enfrentar a vivência social. Segundo o autor, existe oposição
entre o individuo e a sociedade.
Causas da divergência com Freud
Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas
diverge com Freud porque não concorda com a ideia de que a libido seja a única
fonte do distúrbio psíquico da própria personalidade mas diz que o distúrbio é
resultado da afirmação exagerada de si.
Aspectos fundamentais da psicologia individual
Adler é o autor da psicologia individual (porque quer
sublinhar que o individuo é único, irrepetível e que não é possível isolar um
acto ou acção da totalidade da personalidade) ou teoria da unidade do indivíduo
indivisível e livre, consciente dos seus próprios objectivos, responsável nas
suas acções.
- Adler considerava que o comportamento humano é
determinado por forças sociais e não biológicas e sugeria que podemos
compreender a personalidade investigando os relacionamentos sociais e as
atitudes que a pessoa tem com os outros.
- Adler considerava a motivação humana, um esforço para
atingir a sua superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de
inferioridade é a força determinante do comportamento. Somos mais influenciados
por aquilo que o futuro nos reserva.
- Segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria
personalidade, a própria unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como
unidade é uma necessidade de conservação (biológica e psicológica) e realização
de si.
- Auto-realização é a necessidade fundamental e é vivida
na criança como complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua
energia para poder afirmar-se.
-O ambiente é um
facto que condiciona a inserção adequada na sociedade, as circunstâncias
concretas onde o individuo actua o seu plano, o estilo de vida ou o projecto
existencial.
- Para entender a pessoa segundo Adler, é necessário
entender o fim a que as próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno psíquico
precisa entender o fim concreto que a pessoa está perseguir.
TEORIA
HUMANISTA
Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicólogos humanistas enfatizam o
potencial de crescimento de pessoas saudáveis.
Nesta corrente conflui varias expressões da psicologia
que partilham a satisfação dos pressupostos determinantes e reducionistas da psicanálise
e do comportamentalismo. A psicologia humanista constitui-se como terceira força
(como a chamada por Maslow) em oposição às duas correntes (acima citada) que
então dominavam. Da psicanálise foi rejeitado o determinismo biológico, na
dinamissidade das pulsões que supera a espontaneidade e a livre conduta
individual enquanto o comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo
objectivismo, que anula aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne a
totalidade e a subjectividade.
O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as
qualidades únicas dos seres humanos, especialmente a sua liberdade e potencial
de crescimento pessoal.
Pressupostos teóricos da psicologia humanista
·
A
teria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas saudáveis e
criativas destacando o carácter único da personalidade humana, a busca de
valores e sentido de existência alem da liberdade de que demonstra a auto-direcção
e auto aperfeiçoamento. O comportamento depende do meio social na interacção
com os factores internos.
·
Acentua
o carácter da irreducional e unitário do Homem, onde as motivações de acção não
são as pulsões promovidas por tendências não qualificáveis como a necessidades
da exploração, a criatividade, a visão do mundo em que se exprime a própria
identidade, a qualidade das relações com os outros e sobretudo a
auto-realização.
·
Para
sua natureza o Homem tem capacidade para auto-aprefeiçoamento
ou auto realização (uso e exploração pleno de talentos, capacidades,
potencialidades).
Os psicólogos humanistas:
·
Consideram
os seres humanos fundamentalmente bons e as psicopatologias sub-entram quando o
Homem é impedido de seguir as inclinações naturais.
·
Negam
a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é inevitavelmente o
produto das experiencias passadas.
·
Afirmam
que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de modelar o próprio futuro,
sobretudo se aceitam as experiencias do aqui e agora.
Maslow e a Teoria de Auto-realização
Abraham Maslow (1908-1970), em 1962, em Broohklin Coileg
nos Estados Unidos deu início oficialmente a psicologia humanista.
Maslow descreveu a auto-realização
como necessidade de tornar-se sempre mais aquilo que cada um é, de torna-se
tudo aquilo que é capaz de ser.
Como fundador da psicologia humanista põe uma
incondicionada confiança nas particularidades da natureza humana que é boa,
onde a doença, a maldade ou as forças destrutivas são resultados da sua
frustração e da prevenção da natureza humana (insatisfação de necessidades
importantes), não há traços negativos inatos.
Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e
desejos. Para compreender a sua personalidade e o seu comportamento devem ser
analisadas as necessidades que orientam a relação da pessoa no seu ambiente.
Nisto, Maslow realizou uma organização hierárquica de cinco necessidades ( a pirâmide
das necessidades segundo Maslow) que progressivamente tem sido satisfeita para perceber o crescimento e a
maturação da pessoa, começando pela satisfação das necessidades fisiológicas
ligadas à sobrevivência chegando a autorrealização e são estas necessidades que
constituem a base da motivação do Homem.
1-
Necessidade fisiológica: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto de
intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a higiene, etc.
2-
Necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das necessidades
fisiológicas, e compreendem a necessidade da estabilidade de dependência, da
protecção, da liberdade do medo, da ânsia e do caos, a necessidade de ordem e
de lei, etc. Necessidade de sentir que o mundo é organizado e previsível;
necessidade de se sentir salvo, seguro e estável.
3-
Necessidade de pertença e afecto (a filiação e de amor): necessidade de amar e ser amado,
de pertencer e ser aceite; necessidade de evitar a solidão e alienação. A
pessoa deseja relações de afecto com as pessoas em geral, deseja um lugar no
seu grupo na sua família e procura realizar este objectivo;
4-
Necessidade de auto-estima e estima: depois da satisfação das necessidades de afecto, nasce
o desejo de estima de si mesmo (auto-estima) e da parte dos outros (desejo de
prestigio, de fama, de gloria;
5-
Necessidade
de autorrealização: reflectem a tendência a realizar aquilo que é, tornar-se
aquilo que é capaz de ser, tornar-se da tendência a realizar a própria
personalidade na totalidade.
Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e
singular. Neste nível o homem orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de
valores de ser (being) e que incluem a beleza, a justiça, a lealdade. A
satisfação destas necessidades dá saúde, enquanto a privação orienta a
patologia.
Carl Rogers e a
Perspectiva Centrada na Pessoa
O
psicólogo humanista Carl Rogers concordava muito do que Maslow pensava. Rogers
considerava que as pessoas são basicamente boas dotadas de tendências para auto
-realização. Cada um de nós é como uma semente, pronta para o crescimento e a
realização, a menos que seja frustrado por ambiente que inibe o desenvolvimento.
A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominado de
fenomenológica. Este estudioso, parte da descrição do Homem considerado quadro
de referência do indivíduo, descreve o indivíduo partindo seu mundo fenoménico,
daquilo que o individuo percebe.
A teoria fenomenológica, orienta-se com base nos
seguintes princípios
O comportamento duma pessoa pode ser visto:
·
Do
ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o comportamento
de um determinado individuo;
·
Do
ponto de vista do sujeito que actua
num determinado comportamento, sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção
do sujeito a percepção duma determinada situação assim como ele a percebe)
O campo fenomenológico ou de percepção é constituído não
tanto pela realidade objectiva, mas do mundo (seja interno que externo) como é
percebido pelo sujeito. Este campo fenoménico dependendo dos autores, é
exclusivamente consciente ou compreende elementos conscientes e subconscientes,
para todos é muito importante e é verdadeira realidade do sujeito.
Rogers (1902-1987), na base das suas observações clinicas
(1961) refutou a concepção psicanalítica do conflito de natureza sexual e favor
duma concepção positiva do indivíduo.
O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em
maneira natural à sua própria realização, de que o organismo é portador,
representa o carácter motivacional mais importante da teoria rogeriana, seja no
que diz respeito ao desenvolvimento da personalidade, seja pela importância do
processo terapêutico.
O Homem é visto como um ser constituído por várias partes
integradas e relacionadas entre si. Rogers parte do conceito do eu (self) para
explicar a personalidade humana;
O conceito do “eu” exprime um modelo interno que se vai
formando a partir das interacções que as pessoas têm com os vários contextos
onde se movem. É um padrão organizado de percepções, sentimentos, atitudes que
o individuo acredita ser exclusivamente seu.
O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do próprio esquema corpóreo, o conceito
das próprias qualidades, tudo aquilo
que o individuo sente como seu.
O “eu”como o
centro da motivação: estrutura preceptiva do eu em determinados momentos
vem estimulada; sujeito sente, por exemplo, que a execução daquela determinada
tarefa é muito importante para si, e portanto, neste caso quando o eu é
percebido como o centro de motivação este eu é muito co-ligado ao sentido do
valor pessoal porque quando existe este aspecto da motivação o alcance duma
determinada finalidade importante para o sujeito dará um sentido de valor
pessoal, de satisfação, de sucesso.
Para além do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu
ideal (conjunto de características que a pessoa gostaria de ser).
Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência
natural para a realização, esforço no sentido de congruência entre “Eu” e experiência.
As interacções
entre as pessoas são as que proporcionam o crescimento e o desenvolvimento do
homem; auto- realização e é o
principal força motivadora.
Para Maslow e Rogers, o aspecto central da personalidade
é o auto -conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta à
indagação “ Quem sou eu?” se nosso autoconceito é positivo, tendemos a agir e
perceber o mundo de maneira positiva. Se é negativo se os nossos próprios olhos
ficamos aquém do “ Eu ideal”
sentimos insatisfeitos e infelizes.
PROCESSOS PSÍQUICOS/ COGNITIVOS
Processos
Cognitivos são processos que
tem como características mais salientes representar o sujeito, um objecto ou
fenómeno, em geral, exterior ao próprio sujeito. O seu conjunto constitui a
vida cognitiva ou intelectual. Os processos cognitivos possibilitam o Homem a
realizar a catividade mental como a inteligência, capacidades, possibilidades,
etc. O seu mau funcionamento comprometo a actividade mental.
São processos cognitivos:
Sensação: Fenómeno da consciência elementar resultante da
excitação de um órgão dos sentidos provocados por um estímulo interno ou
externo. Consiste em reflectir as características (propriedades) isoladas dos
objectos.
Importância: Tomamos conhecimento do mundo em redor (sons, cores,
cheiro, tamanho), graças aos órgãos dos sentidos. São os primeiros elementos
que nos põem em contacto com a realidade e facilitam a apreensão da mesma. Os
órgãos dos sentidos recebem, seleccionam e acumulam a informação e, transmitem
ao cérebro, surgindo o reflexo adequado do mundo circundante e ao próprio
organismo.
Percepção:
acto de organização de dados
sensoriais pelo qual conhecemos “a presença actual de um objecto exterior”:
temos consciência da existência do objecto e sua qualidade.
As percepções actuam sobre nós e deixam imagem no cérebro
que se apresenta sob forma de imagem.
A percepção está ligada a atenção: a atenção constitui a
fase inicial da percepção e a principal forma de organização da actividade
cognitiva. A atenção é indispensável à percepção, interpretação, compreensão,
imaginação, assimilação, recordação e reprodução. Durante as aulas atenção
ajuda a compreensão da essência das tarefas, ajuda a sua resolução e
verificação.
Memória: capacidade de lembrar o que foi de algum modo vivido.
Ela corresponde as seguintes operações ou processos: aquisição, fixação, a
evocação, o reconhecimento e a localização das informações resultante de
percepções e aprendizagem.
A memória facilita a organização, fixação e retenção do
que é apreendido assim como a sua evocação, quando essa informação for
necessário. Não haveria evolução do conhecimento se na medida que os adquiríssemos,
os perdêssemos. A memoria conserva o passado e permite incorpora-lo na
estrutura cognitiva do sujeito.
Processos da Memória
Aquisição: consiste no contacto com a informação
Fixação: para a fixação exige além da adequada aquisição, a
repetição.
Evocação
ou reprodução: consiste na
lembrança do material fixado. É a reaparição na consciência de um fenómeno
passado. As informações armazenadas tentam a ser evocadas junto das informações
falsas.
Reconhecimento: identificação e uso de informações correctas, e as que
vierem unidas são rejeitados. Consiste em referir ao passado as nossas
lembranças, enquadrando-as num contexto de factos das nossas experiencias
pessoal.
Localização: consiste em situar as recordações da nossa historia anterior
em dispô-las umas às outras, de forma a marcar – lhes o local próprio no tempo
e no espaço, para estabelecer a sua cronologia intima e pessoal.
Importância da Memória
- A memória é condição do progresso intelectual: na
haveria evolução dos nossos conhecimentos se à medida que os adquiríssemos, os perdêssemos.
- A linguagem seria impossível sem memória, porque para
falar é necessário reter as palavras e o seu sentido.
- Permite aperfeiçoarmos os nossos actos;
- A personalidade não existiria sem memória, pois é ela
que conserva o nosso passado e permite incorporar no “eu” o que se vai seleccionando,
para organização da personalidade.
Esquecimento
Esquecer é não saber reproduzir (lembrar) no dado momento
os conteúdos apreendidos. O esquecimento é uma condição própria da memória pós
desempenha uma função selectiva, afastando em determinada situação o material
que não é útil ou necessário.
Quando o aluno não armazena o material aparece o
esquecimento. O esquecimento é o fracasso do esforço evocativo ou
impossibilidade de reproduzir o passado.
Factores de esquecimento
·
Vastidão
da matéria
·
Irrelevância
do contudo
·
Falta
de interesse
·
Doença
da memória
·
O
tempo ( as repetições devem ser curtas);
·
Cansaço
Pensamento:
é um processo cognitivo de
tratamento de informação, que inclui elaboração dos dados sensoriais,
armazenamento e resolução mental de problemas. Permite reflectir de forma
generalizada a realidade objectiva sob a forma de conceitos, leis, teorias e
suas relações.
Importância
- Ajuda o individuo a superar suas dificuldades desde as
mais triviais até os mais complexos;
- Planificação e organização lógica dos procedimentos a
ter em conta na aula;
- Reflexão sobre uma tarefa para encontrar as mais
adequadas soluções
- Mudança de métodos habilidades de resolução das tarefas
colocadas;
- Avaliação de diversas variantes de resolução para
enfrentar uma resolução mais racional;
- É um factor de ligação entre o concreto e o abstracto.
Pensamento e linguagem
O pensamento esta socialmente condicionado e ligado com a
linguagem, a fala. O pensamento humano é impossível sem a língua. Qualquer
pensamento surge e se desenvolve em ligação indissoluvelmente com a linguagem.
Quando mais profundo e bem ponderado é um certo pensamento, tanto mais dará e
precisa é a sua expressão em palavras. O homem quando resolve um problema pensa
de si para si como se estivesse a conversar consigo mesmo.
Imaginação: é um processo psíquico cognitivo, exclusivo ao homem,
mediante o qual se criam (elaboram) imagens e noções que não existem na
experiencia anterior, ou seja , a habilidade que os indivíduos possuem de
formar representações, construir imagens mentais a cerca do mundo real ou mesmo
de situações não directamente vivenciadas.
As bases da imaginação são as noções da memória que se
completam novas percepções, transformando-se em novas percepção e noções.
Importância da imaginação
- A imaginação bem equilibrada dá ao indivíduo um certo
optimismo e coragem para enfrentar as dificuldades e vence-las com firmeza;
- Alarga os horizontes da memória e percepção;
- É pela imaginação que prevemos o desenrolar dos nossos
trabalhos;
- A imaginação alimenta a esperança, cria o futuro mais
risonho, belo do que o presente.
DINÂMICA DO GRUPO
Conceito de grupo
A psicologia social ao estudar os factos sociais, com
expressões comuns de sujeitos particulares, a partir da sua elaboração pessoal
de mensagem em interacção, centra-se no estudo
do grupo de que sujeitos fazem parte.
Um gruo é uma unidade social que consiste num número de
indivíduos com estatuto definido e relações de papel de uns em relações aos
outros estabilizadas em certo grau no tempo e que possuem um conjunto de
valores ou normas do seu próprio modo de regular o comportamento dos membros
individuais, pelo menos em assuntos com consequenciais ara o grupo.
Para melhor clarificação de conceito de grupo, devemos
ainda distinguir grupo estruturado,
como por exemplo, a família, a escola, o governo ou uma colectividade
desportiva, de um grupo não estruturado,
ou seja, um agregado de pessoas onde não existe qualquer tipo de ordenação
social, é apenas um conjunto de pessoas, como por exemplo, as que esperam de um
autocarro ou as que reúnem à volta de um acidente de trânsito.
Cada individuo pertence a muitos grupos em partes
paralelos, em parte subordinados, em parte sobrepostos uns aos outros. Estes
podem ser estruturas formais, como a família, a paróquia, o estado, ou podem
constituir-se em grupos não formais, como sejam os grupos de jovens, os grupos
de amigos e os grupos de trabalho.
Kurt Lewin e a dinâmica do grupo
Kurt Lewin (1890- 1947), prussiano judeu, dedicou-se na
Universidade de Berlim ao estudo da psicologia infantil (percepção e memoria).
Contudo deu particular importância à psicologia aplicada, isto é a psicologia
cujo objectivo reside na solução de problemas sociais e humanos que se enfrenta
na vida quotidiana.
Lewin, realizou, entre outros, estudos sobre a dinâmica
de grupo. Uma vez que abordagem individual ou a propaganda patriótica não
surtiram efeitos, Lewin empreendeu experimentações em grupos, concluindo que
nestes pode encontrar-se a força necessária para modificar atitudes
individuais, mesmo as mais tradicionais e arreigadas.
A partir de então, por solicitação de outras
instituições, lewin passou a participar em investigações sobre o comportamento
de integração de diversos grupos étnicos, de lealdade no grupo e em
procedimentos para a dinamização das comunidades.
Lewin, empreendeu no que diz respeito `a dinâmico de
grupo, uma teoria que se caracteriza pelos seguintes aspectos:
·
As
alterações efectuadas em grupo, como um todo, são muito mais eficientes do que
as tentativas para realizar individualmente
·
Um
grupo exerce uma certa pressão sobre os seus membros; o grau desta pressão é
proporcional ao seu teor atractivo, ou seja, um grupo fraco não exerce este
poder.
·
Só
é lícito falar do grupo, quando existe o desejo de os seus membros se manterem
juntos e coesos.
·
Um
dos factores que contribui para a coesão é a verificação individual de que, em
grupo, se têm mais possibilidades de atingir as próprias finalidades. Assim,
sempre que há dificuldades em resolver tarefas colectivas e não existem barreiras
à sua formação, os grupos constituem-se espontaneamente.
·
O
tempo e as interacções no grupo conduzem ao desenvolvimento de finalidade e padrões
de acção comum. Então, s membros sentem-se motivados para reformular as suas
próprias finalidades pessoais. Um grupo pode servir de referência porque fazer
parte dele aderir aos seus padrões.
·
A
boa organização e a produtividade de um grupo traduzem-se pela diversidade dos
seus membros, isto é devem ser qualitativamente diferentes para que os membros
se mantenham interdependente.
Estrutura e processos de grupo
Interacção – tarefas - redes de comunicação – conflitos –
hierarquia - papéis sociais - expectativas e conformismo.
Quando um grupo se constitui, dá-se início a uma
estrutura que se pode desenvolver em diversos sentidos. Dai resultam relações
dos membros uns com os outros, destacam-se posições e verifica-se uma interacção:
desenvolvem-se determinadas tarefas específicas e papeis segundo uma
hierarquia, realizam-se redes de comunicação, desencadeia-se conflitos,
criam-se expectativas e pode atingir-se um grau de conformismo ou
inconformismo.
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