quinta-feira, 2 de junho de 2016

ANTROPOLOGIA

INTRODUÇÃO
O homem pensa, organizar sem família ou sociedade, fala e vive com os outros. Na companhia dos outros, o homem cria a cultura. A cultura é ordenada por valores, costumes, normas que regulam e garantem a convivência entre os homens. A cultura é constituída pelos vivos e mortos, mas ela é sempre novidade para as crianças que acabam de nascer ou para os que não foram iniciados. Os velhos sentem a responsabilidade de introduzir os mas novos nesta cultura pela transmissão dos valores.
  A educação é a principal mediação na introdução dos mais novos pela primeira vez na cultura, na sociedade. A educação tem a dimensão histórico-social, é portadora de valores (orientações gerais e normativas de uma sociedade), sentimentos crenças e praticas partilhadas pelos adultos e que se pretendem despertar nas crianças. É a partir dos determinantes sócios históricos e cultural que em cada lugar, as sociedades formulam sua própria educação.
   Em Nampula, por exemplo, o povo macua considera a educação pelos ritos de iniciação como meio para formar o homem ou a mulher madura/o capaz de confiado/a pela família, sua tribo, sua sociedade em todas dimensões humanas.
O sucesso de qualquer filosofia e política educacionais depende da compreensão que os actores envolvidos tanto na concepção assim como na implementação tem da origem da política e filosofia que a sustentam e o tipo de homem e sociedade se pretendem construir. É necessário que os agentes pastorais, fieis ao programa de Jesus Cristo na edificação do Reino dos Céus (Mt 5,3), compreendam o que se pretende ensinar através dos ritos de iniciação africana, em geral, e na comunidade macua, em particular para uma catequese, evangelização e educação. Sendo assim, o que é rito de iniciação e qual é o seu fim?




INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA CULTURAL AFRICANA
Este é título do nosso curso. Vamos analisar palavra por palavra para compreender melhor que significa.
1­ Introdução: a palavra significa meter dentro, iniciar um caminho, iniciação. No nosso caso, indica a entrada da compreensão da matéria escolar e cientifica chamada ” Antropologia cultural”.
2- Antropologia: termo formado por duas palavras gregas, Antropos, que significa homem e Lógia que quer dizer estuda. Por isso a antropologia é o estudo do homem.
3- Cultura: Palavra derivada de cultura no sentido de comportamento humano próprio de um povo.
4- Africana: Está a indicar de qual cultura nos ocupará, da cultura africana.
O homem pode ser estudado sob vario aspecto, físico, histórico, religioso, cultural. Por isso a palavra Antropologia está sempre posta antes de um adjectivo que indica qual aspecto humano é estudado.
De facto temos: - Antropologia Genética: Estudo da origem e de transmissão da vida humana.
- Antropologia Arqueológica: Estuda da vida e cultua de povos antigos.
-Antropologia Religiosa: Estuda o fenómeno religioso do homem. A lista poderia continuar. Nos iremos enfrentar o aspecto cultural do homem possuidor da cultura africana.
O programa prevê, justamente, uma primeira parte de ordem geral. De facto não se pode compreender o particular fora do geral. Por isso, antes de falar da cultura africana iremos ver:
- O que é a cultura em sentido antropologia;
- A distinção entre cultura e elementos culturais;
- O processo de entrada numa cultura e a transmissão cultural;
- A mudança cultural;
- A existência de muitas culturas;
- O fenómeno da cultura não moderna e da cultura moderna.
Estas nações são fundamentais para compreensão e ser introduzidos na cultura africana ou melhor na Antropologia cultural. Sempre matéria nem sempre foi chamada Antropologia cultural. Ate há poucos anos chamava-se ETNOLOGIA. – Etnologia é um termo composto por dois vocábulos gregos: “Etno” = Povo, + “Lógia ” = Estudo portanto = Estudo dos Povos.
“ Etnografia ” : É a descrição de uso e costumes de povos particulares sem procurar conhecer as origens dos mesmos.
Finalidade do curso
Todo o saber tem uma finalidade. Estes podem ser puramente teórica ou em vista de uma aplicação prática. O nosso estudo está finalizado inculturação da fé, ao desenvolvimento e evangelização inculturação. Isso em palavras simples significa: Como viver as novidades sem renegar tradições culturais.
CONCEITO DE CULTURA EM SENTIDO ANTROPOLÓGICO
A palavra-chave do nosso curso é a cultura. Por isso, é muito importante compreender a fundo o seu significado para nos introduzir na Antropologia Cultural. A palavra CULTURA deriva do Latim COLERE = Cultivar, cuidar.
A traves dos séculos esta palavra foi carregando-se de sentido diferentes:
1 – Cultivar a terra.
2 – Cultivar o espírito, a música, a ciência.
3 – Cultivar como civilização particular de um povo.
Estas três acepções da palavra permanecem. De facto nós hoje dizemos:
1 – Cultura agrícola, cultuas de arroz, agricultor, indicando o trabalho do homem em transformar a terra em machamba, em jardim.
2 – Cultura como saber. De facto existe o ministério de educação e cultura; Consideramos bens culturais as obras de arte, a musica, a dança…
3 – Cultura no sentido de civilização quer dizer a maneira particular com que um povo organiza as suas relações com a natureza, entre as pessoas e com o transcendente.
No primeiro caso, trata-se do sentido originário, etimológico. No segundo caso fala-se de um sentido humanístico. No terceiro caso, o que nos interessa, a cultura é vista sob o aspecto antropológico, global, e compreende tudo o que o homem, como grupo organiza para responder suas necessidades.
Definição de cultura antropológica
A definição clássica de Antropologia Cultural é de TYLOR “ Aquele conjunto complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, moral, leis, costumes e várias outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.
É toda actividade consciente, deliberada do homem como ser racional e como membro de uma sociedade e o conjunto das manifestações concretas e abstractas que derivam desta actividade.
De quanto vimos dizendo, podemos deduzir que cultura é:
1 – Acto humano organizado em vista da boa ordem da vida social o qual deve dar uma resposta a todas necessidades humanas de ordem espiritual, material e social.
2 – Qualquer que seja o nível tecnológico de uma sociedade é sempre fruto de cultura, porque fruto de pensamento, reflexão, acção humana dirigida para uma finalidade.
3 – A cultura é uma estrutura sentido dado pelos estruturalistas (Sussurre) querem dizer:
“ Conjunto de elementos orgânicos que se interligam e não são compreensíveis e definíveis fora da rede de relações recíprocas”.
Para compreender melhor o conceito de Cultura Antropológica pode servir-nos a ideia que suscita em na observação de uma construção sólida estruturada, finalizada, material e espiritual, qual é uma catedral, uma grande igreja.
O homem ser cultural
O homem e só o homem é um ser cultural porque só ele é capaz de organizar-se socialmente e de transformar o ambiente natural em que se encontra, para satisfazer as suas necessidades de ordem física, espiritual e social.
Ele distingue-se do animal pelo facto que este satisfaz as suas necessidades respondendo instintivamente aos impulsos geneticamente herdados e biologicamente transmitidas de geração em geração. Fruto desta distinção é possível observa-la, por exemplo na construção da casa. Os homens construíram ao longo dos séculos com técnicas e materiais diferentes muitos tipos de casas. Cada espécie de animal, pelo contrário constrói sempre o mesmo tipo. Por quanto perfeito passa a ser, por exemplo um ninho de andorinha, ele não é o fruto de cultura mas do instinto geneticamente herdado.
A casa do homem, mesmo a mas imperfeita, é pelo contrário produto criativo das faculdades humanas, espirituais e orgânicas desenvolvidas através do processo de aprendizagem e não hereditariedade genética.
OBJECTO DA CULTURA
O objecto de base da cultura é o produto dos actos humanos.
Para compreender esta expressão precisa ter em conta o facto de que ao actividade humana pode ser:
1 – Puramente biológica, instintiva e que portanto não requer a intervenção da inteligência e da vontade humana, tais como a digestão, a respiração e a circulação.
2 – Actos nos quais a reflexão, a vontade, a consciência têm um papel dominante tais como: o facto o trabalhar, praticar a arte.
A actividade do tipo 1 é chamada: Acto do homem.
A actividade do tipo dois é chamada: Acto humano.
A cultura toma em consideração somente os actos humanos, porque não são um produto da natureza, mas sim dos homens.
Outros conceitos de base. A Antropologia considera elementos culturais, não um acto humano isolada de um indivíduo, de um só homem, mas sim do grupo humano e por isso a cultura assume a característica de ser social. Recordar que a cultura é uma hereditariedade social que o homem recebe e transmite.
A CULTURA E AS NECESSIDADES HUMANAS
O homem como ser vivo muito complexo dotado de um corpo, inteligente, livre, social, tem muitas necessidades que sozinho não pode satisfazer. Alem disso o homem não possui, já dissemos um instinto biológico tal que lhe indique como satisfazer suas necessidades segundo os impulsos da sua espécie. O Homem portanto organizou-se em grupo social, criou um conjunto de usos e costumes, tais que lhe permitem a sobrevivência e o crescimento em humanidade, como resposta suas necessidades.
Estas podem ser de ordem:
- Material: comida, bebida, casa, meios de transportes…
- Sociais: família, politica, relações interpessoais…
- Espirituais: filosofia, religião…
- Artísticas: arte, danças musica…
- Cientificas: saber, técnicas…
- Defesa: cura das doenças, defesas dos elementos naturais, das agressões de outros homens.
CULTURA: TOTALIDADE ESTÁVEL E DINÂMICA
A cultura antropológica (AC) deve ser encarada como um estilo de vida global e estável de um povo. O que é parcial e passageiro tem sentido somente luz do global estável. Para compreender este conceito voltamos á parábola da catedral, vista no seu complexo ela se apresenta como construção sólida com um estilo particular, diferente de outras igrejas compostas de tantas partes (paredes, portas e janelas) comuns a muitas construções. Mas tem também altares, imagens, confessionários. Se uma pessoa não conhecesse nada de religião cristã, não compreenderia nada da catedral.
Conhecendo a existência da religião cristã. Nem todas as necessidades que os fieis têm de se reunir em comunidades para o oculto e os sacramentos, toda a construção e as suas varias partes adquirem um sentido racional, funcional e lógico.
O mesmo acontece com a cultura. Nem todas as culturas são iguais, como não são iguais entre elas todas as igrejas todas catedrais. Porém, todas são lugares de oculto e de união dos cristãos. Todos têm as partes essenciais para satisfazer as necessidades espirituais dos cristãos.
Por isso, toda a cultura apesar das diversidades existentes, por exemplo na maneira de comunicar (língua e símbolos) elas é, cada uma, uma resposta global e estável necessidade de um povo, num determinado ambiente geográfico e num preciso momento histórico. Cada uma possui valores, filosofias, técnicas, sistemas sociais interligados entre si que permitem satisfazer as necessidades segundo as possibilidades desenvolvidas.
Numa cultura, tudo é racional, fruto de actos e criatividade humana. Por isso, toda a cultura é digna e merecedora de respeito. Afirmar a Dignidade e a Racionalidade de toda cultura, não significa dar um juízo de valor ético ou tecnológico. Dignidade e racionalidade não são sinónimas de perfeição. Toda a cultura e todas as culturas, podem ter no seu seio elementos anti-éticos, anti-científicos, tecnologias fracas. Destas imperfeições o próprio povo se dá conta através de mecanismos que iremos estudados e esta consciência é o motor que dinamiza a cultura. Daqui a expressão:
“A cultura é estável mas não estática. Não é imóvel mas mudanças, criativa. Quer dizer que sofre, no decorrer da história muitas mudanças, mesmo mantendo estilo e o núcleo originário”.


Elementos culturais
A visão global do fenómeno cultural, não impede analisar e das partes. Alias, só estudando o complexo dos usos e costumes é possível chegar a compreensão da globalidade cultural. O método da antropologia cultural compreende a observação objectiva dos fenómenos (usos e costumes) e o significado último destes dados, a sua origem e finalidade.
A razão deste procedimento deriva do facto que a acção humana tem sempre um aspecto físico, facilmente relevável, mas tem também outros aspectos tais como: psíquico, valoráveis, filosófico, religioso, vividos culturalmente por um povo.
Para facilitar o estudo os antropólogos classificam os ECs. Em:
1.             MATERIAIS, tomando em consideração as relações do homem com a natureza física e os objectos concretos produzidos, (instrumentos de trabalho, economia, agricultura, artesanato, indústria…).
2.             SOCIAIS, tendo presente as relações interpessoais entre indivíduos, grupos da mesma cultura e fora dela. ECs sociais: os sistemas, familiares, politico, o direito, o sistema de resolver as controvérsias, …
3.             ESPIRITUAIS, nos quais estão presentes as relações do homens com o mundo sobrenatural: culto crenças, simbologia mítica.
Em relação aos ec. Precisa ter presente:
1.Nenhum EC. É totalmente de uma só categoria. Habitualmente estão interligados. Por exemplo uma cerimónia litúrgica é:
2.Espiritual, porque é culto religioso.
3.Materiais, porque utilizam material: farinha, hóstias, velas…, obra do homem sobre a matéria.
4.Os Ec. Formam entre eles um conjunto de tipo orgânico como acontece num ser vivo, formado por aparelhos, órgãos, tecidos células. Por isso iremos ver que a eliminação ou a introdução de um elemento comporto mudanças nas três ordens: materiais, espirituais e sociais.
5.O número dos ECs não é igual nem por qualidade, nem por quantidade nas diferentes culturas. Mais complexa é uma cultura, mais elementos culturais possuem. Isso porém, não implica, globalmente inferioridade, mas diversidade cultural.
Até há poucos anos costumava-se classificar as culturas baseadas na escola económica, pondo no degrau ínfimo a cultura dos recolhe dores e o último a das indústrias, passando pelos caçadores e agricultores. Para a AC esta avaliação é errada, porque baseia-se sobre um EC, o sistema económico, confrontando-o com os outros sistemas. O juízo não é de tipo AC, mas pertence a outra ciência a economia, que tem uma metodologia de análise diferente. Naturalmente não estamos dizendo que não se pode, ou não se deve estudar e analisar os ECs Acontece na cultura o que acontece em biologia. Mesmo sabendo que a vida é uma forma complexa de organização da matéria, nem por isso deixamos de estudar as suas partes e é através desta análise que se chega a uma melhor compreensão dos organismos.
PROCESSOS CULTURAIS
A tradição: o primeiro processo cultural é a tradição. Sobre ela está fundamentada a cultura. Sem tradição podemos ter uma moda, mas nem sequer um EC. Em sentido etnológico a tradição é o processo através do qual se transmite no decorrer do tempo, de uma geração outra o património cultural de uma dada sociedade no seu complexo.
Esta transmissão no seio do povo, se efectua sempre e por todo o lado. A transmissão está finalizada em conservar e perpetuar o conjunto de saber, de ideias, costumes, técnicas, que a sociedade possui e qual atribui uma grande importância.
Este processo de transmissão tem início na família onde nascemos.
“ Os pais transmitem aos filhos as crenças nas quais têm Fé, as fábulas e as danças que tornaram agradável a sua existência, as técnicas, o artesanato que achou úteis para a produção. Transmitidas são também as formas de moral e de bom comportamento social por eles experimentado e que garantem o bom andamento da vida social, o respeito. Este processo é dinâmico: porque implica uma actividade; é de conservação porque tem a tendência de manter a estabilidade cultural, a tradição.

Entrada nas culturas:
Nenhum homem ao nascer é portador de uma cultura. Potencialmente podemos pertencer a qualquer cultura. De facto possuímos ou pertencemos a cultura na qual nasce « mos e fomos educados, com a possibilidade de sermos introduzidos em outras culturas com as quais entramos em contacto».
O processo de entrada na cultura de origem é chamado inculturação, o processo de entrada noutra cultura chama-se
A aculturação.
Inculturação: é processo através do qual toda a criança, todo o ser humano adquire do ambiente social onde nasce, por via quase automática, toda a bagagem cultural necessária a uma normal inserção na mesma sociedade.
Toda a criança ao nascer encontra á sua volta uma cultura tradicional, que vai da maneira de falar, de comer completamente formada em todos seus pormenores. Crescendo vai assimilando o comportamento dos adultos sem quase dar-se conta. Os pais, os educadores, os amigos contribuem a formar nele aquela maneira de comportar-se segundo a tradição.
Aculturação
Processo através do qual, uma pessoa, ou um grupo cultural assuma, em tudo ou em parte, adaptando-os, usos e costumes de outra cultura que não é a materna. Este processo pode interessar:
1-             Uma pessoa individual que deslocando-se para outra área cultural se encontra na sociedade de assumir novos comportamentos, por exemplo aprender a língua para comunicar-se. Habitualmente além da língua, vivendo muito tempo num ambiente se adquire quase insensivelmente muitos usos e costumes, técnicas, …
2-             Todo o grupo étnico ou parte considerável, no caso de emigração voluntaria ou forçada. A emigração obriga o emigrante a mudança aprendizagem. Quanto maior for a diferença entre os dois grupos que se encontram, tanto maior será o processo de aculturação.
3-             O povo que recebe estrangeiro, recebe novidades culturais porque os emigrantes, mesmo no caso em que não queiram impor nada, com o seu comportamento, “ ensinam” algo aos habitantes originários, como por exemplo, Uma dança. Novas comidas, novos modos de vestir, a religião, técnicas novas, palavras… etc.
A aculturação nunca é em sentido único. Na história cultural existe o fenómeno da troca de elementos que provoca outro fenómeno: a Mudança cultural.
CONSERVAÇÂO E MUDANÇA CULTURAL:
Na cultura existem duas mudanças ou forças antagónicas:
- A estabilidade: conserva a tradição.
- O dinamismo: provoca a mudança.
Pela estabilidade a cultura a tradição opôs-se as mudanças privilegiando a tradição, os usos e costumes codificados, a conservação cultural.
Pelo dinamismo, cultura se abre a novos elementos ou deixa cair outros favorecendo a mudanças cultural. A força da estabilidade privilegia a tradição porque esta oferece ao indivíduo e ao grupo uma solução satisfatória dos problemas existenciais de um dado momento histórico. Sendo que habitualmente estas exigências não mudam radicalmente de um momento para o outro, excepto em momentos de grande perturbação histórica. Geralmente o individuo aceita e transmite a tradição sem contestação.
A conservação cultural é favorecida também pelo carácter de sagrado que com que é carregada a tradição, vista como dom recebido pelos antepassados por via sagrada, religiosa e cuja violação constitui um perigo, atrai castigos ao indivíduo e ao grupo.
A cultura tradicional possui também um valor de identidade, de unidade de coesão, de personalidade cultural da qual todo povo se sente orgulhoso.
MUDANÇA CULTURAL:
Como vimos, pelo dinamismo inscrito na cultura, ela está em contínua transformação. Comporta-se como um ser vivo que continuamente deve adaptar-se ao ambiente e que portanto cria soluções novas resolver problemas novos ou para solucionar melhor os que existem.
As mudanças podem ser:
“ Pequenas ou grandes, despercebidas ou violentas” (Lerma Francisco Matriz Antropologia Cultural, 3-a ed. Nampula: Seminário propedêutico Mater Apostolorum).
Os processos de mudanças culturais, estão ligados a muitos factores.
As forcas renovadoras podem ser originadas:
1.             Pelo processo de inculturação: mudança lenta, quase inconsciente, ao facto que nenhuma transmissão é puramente repetitiva.
2.             Pelo processo de invenção ou descoberta do tipo tecnológico ou filosófico, espirituais e religioso.
3.             Contactos interculturais com os povos vizinhos que podem verificar-se por inúmeras causas: comercio, festas, casamentos, trabalho, politica, guerra…
4.             Fluxo e refluxo migratório: As pessoas que emigram e depois voltam trazem novidades.
Na sociedade moderna há em curso um processo de mudança cultural ligado a maciça comunicação social, difusão de bens e serviços modernos., facilidade de contactos com culturas longínquas.
RITOS DE INICIAÇÃO
 Os ritos de iniciação, (na comunidade africana em geral e macua em particular), são uma consciência de norma não escrita que consistem uma série de rituais nos rapazes e raparigas como forma de introduzi-los (lás) na vida adulta pela transmissão de valores, ou seja, são valores teóricos e práticos que os adultos revelam, comunicam e ensinam as crianças para a vida adulta.
 Podemos dizer que os ritos de iniciação são práticas pelas quais as sociedades iniciam as crianças para suas inserções no meio social como pessoas adultas.
Os ritos de iniciação são vários módulos de valores que os adultos transmitem aos novos no processo de educação (Oscile-a). Os módulos I; Valores vitais; módulos II: valore individuais; módulos III: valores sociais: módulos IV: valores intelectuais. E gradualmente os adultos vão transmitidos os valores medindo o nível de assimilação dos iniciados. Para facilitar a compreensão dos módulos dos valores na sociedade de ritos de iniciação macua, vamos separar o discurso sobre os ritos de iniciação femininos dos ritos masculinos.
RITOS FEMENINOS
Existem uma separação entre ritos femininos e rito.
Agora vamo-nos ocupar do discurso sobre os ritos femininos.
Os autores dos ritos de iniciação
           Os autores dos ritos de iniciação – independente do género: masculino ou feminino é os pais ou encarregados das crianças e muitas vezes em coordenação alimentares e monetárias, contactam e muitas vezes tradicional, indicam os mestres como facilitadores da actividade de educação crianças.
Os mestres dos ritos de iniciação
Os ritos de iniciação femininos realizam-se de duas formas, dependendo da região. Algumas regiões como Corrane, Moma os ritos de iniciações femininas são mediadas, primeiros pelas mulheres e, na parte conclusiva pelos homens. Os homens intervêm nos ritos femininos por serem conhecedores da ciência dos (milepo). Noutras regiões como Angoche, Mecuburi e Nampula-cidade. Os ritos são orientados ao fim só pelas mulheres. Os mestres dos ritos de iniciação são pela expressão da vontade dos espíritos. Os espíritos escolhem e revelam o ensino a certos homens e mulheres. Portanto, parasse ser professor dos ritos não são pela expressão de vontade humana, mas dos espíritos amatchini.         
O TEMPO DOS RITOS DE INICIAÇÃO
Quer na antiguidade quer na modernidade, os ritos femininos dependeram do calendário do ciclo de menstruação das mulheres. Na antiguidade, os ritos femininos decorriam num período de seis dias, período máximo e normal de uma mulher cumprir com a menstruação. No tempo actual, este seis dias de iniciação feminino reduziram-se a três, tempo mínimo de menstruação de uma mulher
A partir da primeira menstruação, os pais, e, dependendo das suas condições económicos, podem iniciar a sua filha ao longo do ano. Cada dia dos ritos de iniciação corresponde a um conjunto de ensinamentos que chamados de modulo.
Primeiro dia valores coletitos e reverenciais a deus e aos régulos
No primeiro dia, o régulo (Mwene) e sua Cúria reúne com as famílias que têm filhaspor iniciar para discutirem a organização do evento: alimentação, limpeza do recinto, recepção dos convidados aquisição da matéria do oculto (ephepa). A tardinha, o Mwene é acompanhada com sua corte e as mães presidem o culto de ̎ohela makeya̎ (sacrifício tradicional). O sacrifício é dirigido a Deus. Porem, tem-se pedido a intercessão dos antepassados juntos de Deus para o sucesso dos ritos de iniciação.
 Ao regresso da oração, o Mwene reúne-se com a/o mestre dos ritos apresentados as condições criadas e dando credencial oral de trabalho dos ritos. Combina-se os valores pagamento ao mestre e ao régulo por cada candidata. Depois do jantar as mulheres iniciam com a dança de Makiyekiye (cantos de ritos até o dia seguinte.    
Segundo dia valores familiares – ovoloiha
As verdadeiras instruções a feminina começam com karare. Vestidas só de penso (Nakapa), as meninas são perseguidas para junto do rio onde serão instruídas para a observância das regras durante período da menstruação. Do rio, as iniciadas são novamente perseguidas nuas e, ao chegarem no pwaro, disputam a entrada da casa pela porta estreita da tenda do mwene. Dentro da casa e nuas, as iniciadas são instruídas pelas velhas (geralmente que não entrem no ciclo de menstruação) como manipular os pequenos lábios (otthuna). Findo de o ensino, as iniciadas sentadas, segue-se com as danças e conselhos de respeito aos velhos e as crianças até o dia seguinte.
Terceiro dia ritos de othapa (ritos de louvor)
Os ritos de louvor consistem no seguinte: a muito muito tempo, as madrinhas traziam tecidos de casca de árvores (nacottodesignando por muttitti). As madrinhas revestem as filhadas pelas ancas.
As bailariam cantam os cantos de ovação (louvar) pelos favores que as iniciadas merecerem por parte das suas madrinhas. Em seguida, as velhas chegam para o controlo e avaliação das donzelas sobre as técnicas, de otthuna. Findo o controlo, as iniciadas recebem vários conselhos sobre o amor dos familiares preparam Iphika.
Quarto dia
Valores colectivos: preparação para o encerramento dos ritos, Iphika e Ravelani
O dia de iphika éde preparacao para o encerramento dos ritos. As mães, as matrinhas recressam as suas casas para avisar aos esposos e familiares que os ritos estão para terminar. Assim, as mães auxiliadas pelo esposo e familiares preparam iphita.
Quinto dia
Valores colectivos: ritos de conselhos, Olaka ou Ithori
Os ritos de quinto dia começam ao anoitecer com das danças. Depois vêem as conselheiras (anamalaka) para dar conselhos sobre o respeito aos esposos dentro e fora da casa, familiares, velhos, e crianças. É dia em que a mulher é tornada clara que mãe (rainha=apwiyamwene) de todos, por isso é dita que seja generosa, hospitaleira, paciente para com as crianças e os velhos. Sendo fonte de riqueza material e espiritual, mulher é retirada para trabalhar em favor da sua família.
Os ritos de okhuma são os últimos. Dep[ois da formacao, a curandeira entrega as donzelas iniciadas ao mwene. Este depois do discurso de conselhos aos familiares das mininas dos seus esposos autorizava que cada mãe leve a sua filha para casa. O que acabamos de descrever são tipos de ritos femeninos antigos. Segundo Anamalaka de Moma, os ritos antigos não tinham Milepo.
MÓDULOS DE RITOS DE INICIACAO ACTUAL
Modernamente os dias de iniciação reduziram a quatro modelos: Karere, onyipi, olaka e ipaho.

 Dia:

Modulo:

                 Ritos:

               Mestres:

Karere
Instrução sobre a higiene durante a menstruarão;
Instrução sobre as técnicas de othuna
Velhas que não menstruam em geral

Onyipi
Provas se as mininas não foram prostityutas
Instrucao sobre a preparacao sobre iphici sobre duas matrinhas em, forma de mó
Conselheiras e matrinhas.
Nota: as mães das donzelas que em casa aprenderem ritos de mweteri (parto) ou de ekhuka

olaka
Ensino dos milepo
Makukurya (ensino pelo respeito dos quartos dos parentes e pais
Ensino através de othori
Conselheiros ou conselheiras dependendo da região.
Madrinhas
RITOS MASCULINOS
Os ritos de iniciação masculina decorrem num período relativamente longo em comparação com o tempo dos ritos femininos. O longo tempo de ritos masculinos é devido a operação do prepúcio do pénis que deve cura no próprio acampamento onde decoremos ritos. Na antiguidade macua, os ritos durava cerca de um ano, isto é, do início da colheita dos produtos de machamba até ao mês da preparação e lançamento da sementeira a terra vice-versa. Tal como os ritos femininos, os ritos masculinos estão estruturados em módulos.



MODULO I: VALORES SOCIAIS E REVERENCIAIS
O módulo de ovolowa compreende os seguintes rituais:
Rituais de olaherya (despedida): corte de cabelo ao iniciando do padrinho; oração; consagração do iniciando pelo derrame de farinha do sacrifício; partilha da comida; desnudação do iniciando e partida para o acampamento dos ritos de iniciação.
Rituais das tendas (omashashani): administração de etutha. Etutha é espécie de ΄anestesiaˋ aplicando a um candidato a operação do prepúcio para que não lhe influencie para impotência sexual no futuro. Rituais de Amarrava: operação de prepúcio, aspersão do medicamento tradicional para fortificar a coluna do operado, introdução do pénis na ratilha (makhoro) para a protecção do pénis contra as mágoas. Entrega de Nikula.
Ritos de namuhakwa
Os iniciados, sentados sobre esapala yanphili (espaço poeirento, são cobertos seus prepúcio de poeira a traves da dança poeirenta que os patinhos realizam entre pernas de seus afilhados. Obriga-se que se dê a beber aos iniciados água turva, que se supõe que ira contribuir para a cura do prepúcio por dentro.
               Ritos de Nikano (mandamento) – recomendam para a observância dos tabus e impurezas sexuais por parte dos pais e padrinhos dos iniciados.
 Nota: com o primeiro dia da iniciação masculina, começa-se a contar em semanas.
           Após a recolha dos vários alimentos, no acampamento acontece uma grande festa de ravelani que exclui os pais que iniciam pela primeira vez seus filhos.
MODULO II – VALORES SOCIAIS, REVERENCIAIS (NA VIDA DE ONAMUHAKWANI)
1º Ritos de humildade e sofrimento: Cantos, danças e práticas humilhantes e insultuosas para provação da capacidade de tolerância, de coragem dos alukhu iniciados.
        2º Ritos de obediência: Cantos, danças contar histórias, contos, lendas, provérbios, obrigar os iniciados certos actividades.
         3º Ritos de cuidado de família e idosos: Cantos, danças, e práticas edificantes e educativas sobre a importância da família, do lar. 
           4  Ritos de distracção do sofrimento: Cantos, danças e práticas de divertimento, caça.
MODULO III – PREPARAÇÃO PARA POTENCIA SEXUAL E CORAGEM
Valores de prosperidade
          1º Ritos anúncio do dia da saída do Namuhakwa.
           2º Rito apwiyamwene (rainha) mergulha mapira (oruweya miropo= fermento) na casa do Mwene (chefe) para a preparação de Otheka (bebida tradicional) que servirá para mususu.   
            3º Ritos no dia de saída de Namuhakwa, constrói-se N΄vera. No Nvera, atemoriza-se, através de da imitação do rugirdo leão, (Omwatto); faz-se também o rito de Ohoma ekuluwe (azagaiar o porco) como prova de fecundidade.
            Realizados os ritos de Omwatto e de ekuluwe, as mães trazem comida confeccionada que depois de cerimonio de okhuma, é dada a comer aos seus filhos. 
          4º Ritos de funerais: o mestre dos ritos constrói um boneco das sobre da comida (ewolowa) e, depois de apresentar diferentes tipos de mortes (por doenças, por agressão…) e respectivos ritos de enterros, ensina aos lukhus como fazer a planta e abrir uma campa (olepela ni othia mahiye), abrir o sarcófago, leito do morto (otthemurya mahiye), e ensina os gestos de enterro deitar areia na campa através dos dedos mínimos de posição de cócoras pelos quatro cantos, tendo tapado os ouvidos com as folhas de rokosi.
           5º Ritos de mudanças de nomes. Depois dos ritos funerais, no dia seguinte, os iniciando na casa real, ao som das flautas (woopa iphivi = makhuma aretthe), tomam novos nomes atribuídos pelos padrinhos.       
            Observação: Nos costumes dos ritos antigos, ensinava-se que os iniciados não deveriam comer a carne de animais com pele porque provocava esterilidade. 

Milepo e ittori
 É prática comum entre os amakua realizar os ritos de milepo e itthori. Milepo é o ensino dos mistérios da região, de Deus, dos homens, dos animais, das coisas e da matemática através dos símbolos revelados pelos espíritos, macini. Milepo são bonecos feitos, em princípio, de farelo de mapira (milho…) que namalaka utiliza para ensinar os dias de criação de Deus, alianca entre Deus e o homem. Os milepo classificamÉse em dois: milepo escrito sobre o chão ou lençol e milepo escrito naspeneiras.
MULEPO DESENHADO SOBRE O LENÇOL OU A TERRA
            Mulepo é um boneco em forma de arco – íris, com seis ramificações, cuja ponta termina com um ovo de uma galinha. As seis ramificações simbolizam os dias de trabalhos de Deus. Com mulepo, o macua é instruído que Deus criou o mundo e as coisas em cinco dias. Porem, Deus receou que o homem esquecesse os dias de seu trabalho, sendo assim, fê-lo com cinco dedos em cada mão ou pé.   
O sexto e o sétimo dia são especiais. No sexto dia é o dia em que o homem foi criado e o sétimo, representado pelo ovo, foi dia de descanso de Deus da actividade de criação. Por isso, depois dos cinco dias, o que aparece em diante é especial. Portanto, os cinco são a base auxiliar do sistema de numeração macua.
              5+1 = 6 (dia em que foi criado o homem); 5+2 = 7 (dia em que Deus descansou); 5+3… = história do homem sobre a terra.
               Além de escrever os cinco dias da sua actividade nas mãos e dedos do homem, Deus actualizou os dias máximos de seu trabalho no ciclo de menstruação da mulher (Seis dias de criação, período normal e máximo de uma mulher poder menstruar, e o sétimo dia que é de descanso).
                 Como Deus, todo o homem aprende que toda a actividade começa com o trabalho e termina com o descanso. E se começamos com Deus, terminamos com Deus (Deus é principio e fim – ephatthu ni emalelo do homem). Dai que o homem deve viver reconciliado e pacifico com os outros e com Deus por toda a eternidade e não deve violar sexualmente sua esposa no período de menstruação.  
                  Para o macua, o período de menstruação de uma mulher pertence aos dias misteriosos da criação de Deus e, portanto, em sinal de respeito e adoração, não deve coabitar na sua mesma cama nem se beneficiar dos seus serviços simples (salgar comida, água…). Mulher é sagrada, é mãe, nela estão representados os mistérios (segredos) de Deus. Portanto, quem viola uma mulher menstruada, Deus o punira com as doenças de dores de barriga, de hidroxilo,(Ikhunyunyu) porque alimentou-se de tabu (olyamwikho= pecado).            Nota: Na antiguidade, o rito de deixar nome celebrava-se depois da cura dos prepúcios, ao som das flautas no pwaro do mwene, os iniciados tomavam nomes para casa (masinaatthokloni); e sados, três meses, dentro do pwaro real, rodeada pelos parentes, os iniciados tomavam nomes definitivos. 














CONCLUSÂO
Formar o homem ou mulher madura /o capaz de ser confiada/o pela sua família, sua tribo, sua sociedade em todas dimensões humanas. O presente trabalho conclui-se sendo homem pensa, organizar em família ou sociedade, fala e vive com os outros. Na companhia dos outros, o homem cria a cultura. Também a educação é a principal mediação na introdução dos mas novos pela primeira vez na cultura e na sociedade.
A educação tem dimensão histórica – social, é portada de valores (orientação, gerais, e normativas de uma sociedade), sentimentos crenças e praticas partilhadas pelos adultos e que se pretendem despertar nas crianças.
É a partir dos determinantes sócio – históricos e culturais que, em cada tempo e lugar, as sociedades formulam sua própria educação. Por exemplo, em Nampula o povo macua a educação pelos ritos de iniciação como meio para o desenvolvimento da própria cultura macua.
O presente livro conclui-se que o homem pensa, organizar em família ou sociedade, fala e vive com os outros. Na companhia dos outros, o homem cria a cultura. Também a educação é a principal mediação na introdução dos mas novos pela primeira vez na cultura, na sociedade.
A educação tem a dimensão histórica - social, é portadora de valores (orientações, gerais, e normativas de uma sociedade), sentimentos, crenças e práticas partilhadas pelos adultos e que se pretendem despertar nas crianças.
É a partir dos determinantes sócio – históricos e culturais que, em cada tempo e lugar, as sociedades formulam sua própria educação.
Em Nampula, por exemplo, o povo macua considera a educação pelos ritos de iniciação como meio para formar o homem ou mulher madura/o capaz de ser confiada/o pela sua família, sua tribo, sua sociedade em todas dimensões humanas.






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